Brasil celebra certificação livre da febre aftosa e Lula projeta país como sexta maior economia mundial

Brasil celebra certificação livre da febre aftosa e Lula projeta país como sexta maior economia mundial

Durante um evento realizado na França para celebrar a conquista histórica do Brasil como país livre da febre aftosa sem vacinação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso otimista, reforçando a confiança na trajetória econômica brasileira e exaltando o papel estratégico do agronegócio na projeção internacional do país.

Ao agradecer produtores rurais, frigoríficos e técnicos do Ministério da Agricultura, Lula destacou que o reconhecimento internacional foi fruto de um esforço coletivo de mais de seis décadas. “É um dia histórico, por merecimento de cada um de vocês que entendeu que, se a gente quer competir, a gente tem que ser o melhor”, afirmou, visivelmente emocionado.

No mesmo tom positivo, o presidente traçou perspectivas ambiciosas para o Brasil. “Sonho que logo logo esse país vai estar sendo a 6ª economia mundial. Sonho que vamos crescer mais do que os pessimistas dizem que a gente vai crescer”, declarou, lembrando que o Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 3,4% em 2024, mesmo com o desempenho da agricultura abaixo do esperado. Para ele, a retomada do setor em 2025 deve impulsionar ainda mais o crescimento.

Protagonismo do agronegócio

Lula ressaltou a transformação do agronegócio, que, segundo ele, deixou de ser um “quebra-galho” para se tornar o “principal negócio do Brasil”. O presidente enfatizou a competitividade da produção nacional, especialmente na exportação de proteína animal. “A gente quer produzir a melhor carne, a carne mais saudável e quer disputar os mercados do mundo inteiro”, disse. Ele afirmou que o Brasil é, hoje, “possivelmente o campeão de exportação de proteína animal para o mundo inteiro”.

Relações internacionais e desafios diplomáticos

Em seu discurso, Lula também fez críticas ao histórico tratamento dispensado ao Brasil no cenário internacional. “Durante muito tempo o Brasil foi tratado como se fosse um país insignificante. Tem uma coisa que nós, brasileiros, aprendemos: ninguém respeita quem não se respeita”, declarou, defendendo uma postura mais assertiva e baseada na excelência dos produtos nacionais.

O presidente citou um episódio delicado envolvendo a exportação de carne brasileira para a China, quando 70 mil toneladas foram ameaçadas de rejeição. “A quantidade de telefonemas que a gente teve que dar para ministro, para o Xi Jinping, para não permitir que a carne voltasse ao Brasil”, contou, ilustrando os bastidores diplomáticos que envolvem o comércio exterior.

União Europeia, Mercosul e novos mercados

Lula também abordou as dificuldades enfrentadas nas negociações do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, especialmente a resistência do presidente francês Emmanuel Macron. “Disse para ele que vou ser presidente do Mercosul a partir de 6 de julho e que vou concluir o acordo definitivamente nos seis meses do meu mandato”, garantiu Lula, propondo diálogo direto com os agricultores franceses.

Ele criticou o baixo volume do comércio bilateral entre Brasil e França, atualmente em torno de US$ 9 bilhões, comparando com os US$ 13 bilhões movimentados com o Vietnã, cuja parceria é mais recente.

Compromissos ambientais e cooperação regional

O presidente destacou a importância da cooperação com os países vizinhos da América do Sul para manter o status sanitário conquistado. “Se a gente não tiver [febre aftosa] e eles tiverem, a gente corre o risco de ter”, alertou, reforçando a necessidade de vigilância regional.

Na agenda ambiental, Lula defendeu a recuperação de terras degradadas como prioridade para garantir sustentabilidade e respeito aos compromissos internacionais, como o Acordo de Paris. Em tom descontraído, disse ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, amplamente elogiado: “Se o governo não atrapalhar, já está bom. É esse o papel”.

Ampliação de laços com países estratégicos

Encerrando sua fala, Lula reafirmou o compromisso com a ampliação das relações comerciais e da presença brasileira no cenário global. Após a cúpula do BRICS, o presidente planeja encontros bilaterais com Índia, Egito e Indonésia, destacando a necessidade de aproximar empresários brasileiros desses mercados.

“É preciso fazer uma grande reunião de empresários com esses países”, defendeu, antes de concluir com uma mensagem de confiança: “O Brasil veio para ficar. Tenho muito orgulho do que está acontecendo. Precisamos trabalhar mais, produzir mais, cuidar mais, porque o Brasil não tem retorno”.

Fonte: Brasil247

Por Ultima Hora em 06/06/2025
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