Canella deve recuar para deputado estadual após ser preso pela PF, Waguinho pode mudar estratégia e vir a estadual também deixando só Crivella no Senado no Republicanos e Curi ou Leniel podem ocupar vaga da Federação ao Senado

Canella deve recuar para deputado estadual após ser preso pela PF, Waguinho pode mudar estratégia e vir a estadual também deixando só Crivella no Senado no Republicanos e Curi ou Leniel podem ocupar vaga da Federação ao Senado

Prisão de Canella reescreve tabuleiro político em Belford Roxo: Márcio Canella deve recuar para deputado estadual; indecisão sobre Senado leva Federação PP-União Brasil a adiar convenção para 5 de agosto, último dia do prazo eleitoral

A prisão do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella pela Polícia Federal na última terça-feira marcou um ponto de inflexão na política fluminense e desencadeou uma reação em cadeia que reverbera até os bastidores das principais legendas do estado. Preso em flagrante com um fuzil em seu veículo durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis, Canella viu sua candidatura ao Senado desmoronar em questão de horas. A movimentação que se segue não apenas reescreve o tabuleiro político da Baixada Fluminense, mas também força a Federação PP-União Brasil a adiar sua convenção para o dia 5 de agosto, último dia do prazo eleitoral, deixando de participar do lançamento oficial de Douglas Ruas no Maracanãzinho, marcado para 26 de julho.

O colapso da candidatura de Canella

Márcio Canella era o pré-candidato ao Senado apoiado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela Federação União-PP. Eleito prefeito de Belford Roxo em 2020 e reeleito em 2024, Canella havia consolidado sua posição como um dos principais nomes da política da Baixada Fluminense. Sua trajetória incluía passagem pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde cumpriu três mandatos como deputado estadual entre 2015 e 2024.

Contudo, a operação da Polícia Federal mudou tudo. Segundo investigações, Canella é apontado como braço político de uma quadrilha que movimentou R$ 7,6 bilhões em um suposto esquema de lavagem de dinheiro. O fuzil encontrado em seu carro durante a operação levou à sua prisão em flagrante. O Supremo Tribunal Federal manteve a decisão de mantê-lo preso, e Canella foi transferido para o presídio de Bangu 8, onde aguarda audiência de custódia.

A cúpula do União Brasil, embora afirme que Canella não será "rifado por completo", já sinalizou que sua candidatura ao Senado está inviável. A tendência, segundo lideranças da federação, é que ele dispute uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, caso consiga se manter filiado ao partido durante o processo judicial.

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O adiamento estratégico da convenção

A indecisão sobre quem ocupará a vaga ao Senado pela Federação PP-União Brasil levou a legenda a tomar uma decisão estratégica: adiar sua convenção para o dia 5 de agosto, último dia do prazo eleitoral permitido pela legislação. A decisão representa um movimento sem precedentes, deixando a federação de fora do lançamento oficial de Douglas Ruas no Maracanãzinho, marcado para 26 de julho, quando os demais partidos aliados do PL formalizarão suas candidaturas.

O adiamento sinaliza a profundidade da crise interna na federação. Enquanto o PL, Republicanos e outros aliados de Douglas Ruas se unem em torno de um calendário comum, a Federação PP-União Brasil permanece isolada, incapaz de definir seus candidatos no mesmo ritmo que seus parceiros políticos. A decisão de esperar até o último dia do prazo eleitoral reflete a dificuldade em conciliar os interesses do PP e do União Brasil sobre quem deve ocupar a vaga ao Senado.

Segundo lideranças políticas ouvidas nos bastidores, a federação esperava que a prisão de Canella resolveria a questão de forma definitiva. Contudo, a complexidade das negociações entre Felipe Curi, Leniel Borel e outros nomes cotados mantém a federação em estado de indefinição. O adiamento da convenção para 5 de agosto permite que a federação ganhe tempo para negociar, mas também a coloca em posição de desvantagem em relação aos demais partidos.

Felipe Curi ganha força na disputa

Com a saída de Canella, o delegado Felipe Curi, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, emerge como o principal nome para ocupar a vaga ao Senado. Curi se filiou ao PP em março de 2026, inicialmente como pré-candidato a deputado federal. Contudo, sua experiência na segurança pública e seu trânsito político o colocam como favorito para a vaga ao Senado.

Segundo reportagens de bastidores, Curi ganha força particularmente entre lideranças do PL, que veem nele um nome com capacidade de manter a representação da federação na Casa Alta. Sua trajetória como chefe da Polícia Civil lhe confere credibilidade em temas de segurança pública, pauta central nas campanhas conservadoras do estado.

Contudo, Curi enfrenta resistência interna do PP, que possui seus próprios candidatos e não deseja abrir mão de espaço na chapa. A negociação entre PL e PP sobre quem ocupará a vaga ao Senado promete ser uma das mais acirradas da campanha. A resistência do PP a Curi é particularmente forte porque a legenda busca consolidar sua presença no Senado, não apenas como coadjuvante de outras legendas.

Leniel Borel como alternativa viável

O vereador Leniel Borel (PP), eleito em 2024 com 34.359 votos, surge como alternativa viável para a vaga ao Senado. Borel consolidou sua carreira política com foco em proteção à infância e adolescência, pautas que o diferenciam no espectro político conservador. Sua eleição como vereador do Rio de Janeiro com votação expressiva o posiciona como nome com potencial de crescimento eleitoral.

A Federação União-PP passou a avaliar Borel como possível substituto de Canella após a prisão do ex-prefeito. Segundo lideranças da federação, Borel representa uma alternativa que agrada tanto ao PP quanto ao União Brasil, evitando conflitos internos sobre a distribuição de vagas. A candidatura de Borel também oferece a vantagem de manter a vaga ao Senado dentro do PP, fortalecendo a posição da legenda na federação.

Contudo, a candidatura de Borel ainda enfrenta resistência de setores que questionam sua experiência legislativa. Vereador há menos de dois anos, Borel teria de fazer uma campanha agressiva para se consolidar como candidato viável ao Senado, cargo que exige trânsito político consolidado. Além disso, sua falta de experiência em campanhas estaduais ou federais representa um risco para a federação.

Waguinho recua para deputado estadual

O ex-prefeito de Belford Roxo Waguinho (Republicanos), que havia anunciado pré-candidatura ao governo do Rio de Janeiro em março de 2026, deve recuar para disputar uma vaga como deputado estadual. Aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Waguinho havia se posicionado como candidato capaz de dar um palanque completo ao petista no estado.

Contudo, com a reconfiguração do tabuleiro político após a prisão de Canella, Waguinho vê sua candidatura ao governo perder força. O Republicanos, que perdeu o comando estadual da legenda após a derrota de Waguinho em Belford Roxo, busca agora consolidar sua presença na Assembleia Legislativa. A mudança de estratégia sinaliza que o partido priorizará a eleição de deputados estaduais em vez de investir em uma candidatura ao governo com baixas perspectivas.

A decisão de Waguinho de recuar para deputado estadual também reflete a realidade política do Republicanos no estado. Com a ascensão de Douglas Ruas como pré-candidato ao governo pelo PL, o Republicanos vê-se obrigado a ajustar suas ambições. A candidatura de Waguinho como deputado estadual permite que o partido mantenha sua presença política na Baixada Fluminense, região onde construiu sua base eleitoral.

A estratégia do Republicanos para combater Canella

O Republicanos marcou sua convenção para o dia 25 de julho, data em que deve formalizar sua estratégia para combater Canella em Belford Roxo. Com a prisão do ex-prefeito, o partido vê uma oportunidade de fortalecer sua presença no município, historicamente dominado por Canella e seus aliados.

A estratégia do Republicanos passa por consolidar a candidatura de Waguinho como deputado estadual, mantendo sua presença política na região. Além disso, o partido busca articular alianças com outras legendas para enfraquecer a máquina municipal que Canella construiu durante seus mandatos como prefeito e deputado estadual.

A convenção do Republicanos também deve servir para alinhar a bancada do partido em torno de candidatos a deputado federal e estadual que possam competir com força na Baixada Fluminense. A região, historicamente marcada por disputas acirradas e violência política, promete ser um dos principais campos de batalha das eleições de 2026.

O lançamento de Douglas Ruas no Maracanãzinho

O lançamento oficial de Douglas Ruas no Maracanãzinho no dia 26 de julho será o momento em que a chapa será formalmente apresentada ao eleitorado. O evento reunirá a cúpula do PL e deve contar com presença de Flávio Bolsonaro, consolidando o apoio da liderança nacional do partido à candidatura estadual.

Contudo, a ausência da Federação PP-União Brasil no evento sinaliza as fraturas que a prisão de Canella abriu na coligação. Enquanto o PL, Republicanos e demais aliados se unem em torno de Douglas Ruas, a Federação PP-União Brasil permanece isolada, negociando internamente sobre quem ocupará a vaga ao Senado.

A decisão da Federação PP-União Brasil de adiar sua convenção para 5 de agosto também reflete a importância que a legenda atribui à definição do candidato ao Senado. Ao esperar até o último dia do prazo eleitoral, a federação sinaliza que não abrirá mão de uma negociação adequada, mesmo que isso signifique ficar de fora do lançamento de Douglas Ruas.

O contexto da Operação Unha e Carne

A prisão de Canella ocorre no contexto da Operação Unha e Carne, que investiga a ligação de agentes públicos com organizações criminosas. A operação, que já alcançou sua sexta fase, tem como foco desarticular esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis e outros negócios que movimentam grandes volumes de recursos.

Segundo investigações da Polícia Federal, Canella é apontado como braço político de uma quadrilha que utilizava postos de combustíveis para lavar dinheiro proveniente de atividades criminosas. A descoberta do fuzil em seu carro durante a operação levou à sua prisão em flagrante e abriu caminho para investigações mais profundas sobre suas ligações com organizações criminosas.

A operação representa um golpe significativo na política fluminense, sinalizando que agentes públicos envolvidos em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro não estão imunes à ação da Justiça. A prisão de Canella, que era um dos principais nomes da política da Baixada Fluminense, reforça essa mensagem.

Impacto na chapa de Flávio Bolsonaro

A prisão de Canella também impacta significativamente a estratégia de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para as eleições de 2026. O senador havia apostado em Canella como seu principal nome para disputar o Senado, buscando consolidar a presença do PL na Casa Alta.

Com a saída de Canella, Flávio Bolsonaro vê-se obrigado a renegociar com a Federação União-PP sobre quem ocupará a vaga ao Senado. A escolha entre Felipe Curi e Leniel Borel promete ser delicada, envolvendo cálculos políticos complexos sobre qual nome teria maior potencial eleitoral.

Lideranças do PL já sinalizaram que veem Canella sem condição de disputar a vaga ao Senado após a prisão. A tendência é que ele dispute uma vaga na Assembleia Legislativa, caso consiga se manter filiado ao partido durante o processo judicial. Contudo, sua condenação em primeira instância poderia resultar em perda de direitos políticos, inviabilizando qualquer candidatura.

O futuro político de Belford Roxo

Com Canella preso e sua candidatura ao Senado inviabilizada, Belford Roxo vê-se diante de uma reconfiguração política significativa. A vice-prefeita Mariana Malta, que assumiu a prefeitura após a saída de Canella em abril de 2026, busca consolidar sua posição como liderança municipal.

O Republicanos, com Waguinho como deputado estadual, busca fortalecer sua presença no município. Outras legendas também veem oportunidades de crescimento em um cenário onde a máquina municipal que Canella construiu está enfraquecida pela prisão de seu principal articulador.

As eleições de 2026 em Belford Roxo prometem ser acirradas, com múltiplos candidatos disputando espaço em um município que historicamente concentrou poder em torno de figuras políticas fortes. A prisão de Canella abre espaço para uma maior pluralidade política, embora também sinalize os riscos de uma política marcada por esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro.

Biografia de Márcio Canella

Márcio Correia de Oliveira, conhecido como Márcio Canella, nasceu em Duque de Caxias em 25 de junho de 1977. Iniciou sua carreira política como vereador de Belford Roxo em 2012, consolidando sua presença no município. Eleito deputado estadual em 2015, cumpriu três mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro até 2024, quando se elegeu prefeito de Belford Roxo com votação expressiva. Durante sua gestão como prefeito, de 2025 a abril de 2026, Canella buscou consolidar sua imagem como gestor municipal. Filiado ao União Brasil, era presidente estadual da legenda e pré-candidato ao Senado Federal apoiado por Flávio Bolsonaro. Sua trajetória política foi marcada pela construção de uma máquina política forte na Baixada Fluminense, embora tenha sido interrompida pela prisão em flagrante pela Polícia Federal em julho de 2026, acusado de posse ilegal de arma de fogo e investigado por suposta participação em esquema de lavagem de dinheiro.

Biografia de Felipe Curi

Felipe Curi é delegado de polícia com longa trajetória na segurança pública do Rio de Janeiro. Exerceu o cargo de secretário de Polícia Civil do estado, consolidando sua reputação como gestor de segurança pública. Filiou-se ao PP em março de 2026, inicialmente como pré-candidato a deputado federal. Sua experiência na Polícia Civil o posiciona como nome com credibilidade em temas de segurança, pauta central nas campanhas conservadoras. Com a prisão de Márcio Canella, Curi emergiu como principal cotado para ocupar a vaga ao Senado pela Federação União-PP, disputando espaço com outros nomes como Leniel Borel. Sua candidatura representa a aposta em um perfil técnico e com experiência em gestão pública, diferenciando-se de políticos tradicionais.

Biografia de Leniel Borel

Leniel Borel é vereador do Rio de Janeiro eleito em 2024 com 34.359 votos, consolidando sua presença política na capital fluminense. Sua atuação parlamentar é marcada pelo foco em proteção à infância e adolescência, pautas que o diferenciam no espectro político conservador. Com uma agenda voltada exclusivamente à proteção de crianças e adolescentes, Borel implementou novas leis municipais durante seu primeiro mandato. Filiado ao PP, emergiu como alternativa viável para a vaga ao Senado após a prisão de Márcio Canella, representando um nome com potencial de crescimento eleitoral. Sua candidatura ao Senado, caso confirmada, representaria uma aposta em um perfil mais jovem e focado em pautas sociais específicas.

Biografia de Waguinho

Wagner dos Santos Carneiro, conhecido como Waguinho, é político fluminense com longa trajetória na Baixada Fluminense. Iniciou sua carreira como vereador de Belford Roxo entre 2009 e 2011, elegendo-se deputado estadual em 2011, cargo que ocupou até 2017. Prefeito de Belford Roxo entre 2017 e 2024, consolidou sua imagem como gestor municipal com apoio de lideranças locais. Aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde 2022, quando o apoiou na disputa à Presidência, Waguinho filiou-se ao Republicanos e anunciou pré-candidatura ao governo do Rio de Janeiro em março de 2026, buscando criar um palanque para Lula no estado. Com a reconfiguração do tabuleiro político após a prisão de Canella, Waguinho recua para disputar uma vaga como deputado estadual, priorizando a consolidação da presença do Republicanos na Assembleia Legislativa.

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Fontes:

G1 Globo — "Márcio Canella é preso em flagrante após PF achar fuzil no carro dele" (7 de julho de 2026)

O Globo — "Entenda por que Márcio Canella foi preso pela PF; ex-prefeito é pré-candidato ao Senado apoiado por Flávio Bolsonaro" (8 de julho de 2026)

O Globo — "Cotado para substituir Castro na eleição ao Senado, ex-chefe da Polícia Civil do Rio se filia ao PP" (31 de março de 2026)

CNN Brasil — "PF prende ex-prefeito Márcio Canella por posse ilegal de fuzil no Rio" (8 de julho de 2026)

Folha de S.Paulo — "Federação União-PP espera desistência de Canella de disputa ao Senado no Rio após prisão" (8 de julho de 2026)

Diário do Poder — "União Progressista mira Leniel Borel para vaga de Canella no Senado" (8 de julho de 2026)

Diário do Rio de Janeiro — "União Progressista cogita Leniel Borel para vaga de Márcio Canella ao Senado" (9 de julho de 2026)

O Globo — "Waguinho anuncia pré-candidatura ao governo do Rio e quer dar palanque a Lula" (12 de março de 2026)

Folha de S.Paulo — "Aliado de Lula, Waguinho anuncia candidatura ao governo do RJ para dar palanque a Lula" (10 de março de 2026)

Revista Oeste — "Aliado de Lula, Waguinho anuncia intenção de concorrer ao governo do RJ" (11 de março de 2026)

Correio da Manhã — "Leniel Borel mira Brasília em 2026 com pauta de proteção à infância" (9 de janeiro de 2026)

UOL Notícias — "STF mantém prisão de Márcio Canella e ele é transferido para Bangu 8" (9 de julho de 2026)

Valor Econômico — "Federação entre PP e União Brasil tem disputa por escolha de pré-candidato ao Senado" (29 de junho de 2026)

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Por Ultima Hora em 14/07/2026
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