Celina Guedes explica como a EGT mantém qualidade global em produção local de videoterminas no Brasil 'Jogo responsável em primeiro lugar'

23 anos de experiência trazem inovação: EGT aposta em parceria com loterias estaduais brasileiras

A empresa EGT traz para o solo brasileiro máquinas de videoloteria desenvolvidas especialmente para atender o público local, marcando um novo capítulo na história do entretenimento regulado do país

A decisão da Euro Games Technology de transferir parte de sua produção de terminais de videoloteria para o Brasil representa muito mais que uma escolha comercial: marca o reconhecimento de um mercado em expansão e a aposta em um modelo de negócio que desafia a lógica tradicional de importação. Celina Guedes, diretora regional da EGT no Brasil, explicou durante o SBC Summit Rio 2026 os motivos que levaram a empresa búlgara, líder global em tecnologia de jogos, a investir em produção local apesar dos custos mais elevados.

Diferentemente de outras multinacionais que preferem centralizar a manufatura e exportar produtos finalizados, a EGT optou por "tropicalizar" seus equipamentos — adaptação que envolve desde a reformulação da carcaça das máquinas até ajustes ergonômicos específicos para o público brasileiro. O resultado são quatro modelos principais: Estrela Bar, Estrela Top, Super Sorte 27/27 ST e Super Sorte 43V, todos desenvolvidos com a expertise de 23 anos da empresa no mercado de jogos regulados.

Adaptação tecnológica: quando o padrão europeu encontra a realidade brasileira

A produção local não significa abandono de qualidade. Celina Guedes foi categórica ao afirmar que o conteúdo dos jogos permanece idêntico ao fabricado em Sofia, na Bulgária, onde a EGT produz cerca de 3 mil máquinas mensalmente. O que muda é a estrutura física: componentes de acabamento, tipos de tela e metais utilizados recebem adequações pensadas para o ambiente brasileiro.

Os componentes importados da Bulgária passam por montagem final em solo nacional, garantindo assim conformidade com exigências regulatórias brasileiras. Cada máquina é obrigada a passar por certificação — processo que envolve não apenas o equipamento físico, mas também os jogos, layouts de interface e todas as integrações de sistema. As primeiras unidades já estão operacionais em João Pessoa, na Paraíba, totalmente homologadas e adaptadas com conteúdos traduzidos.

Os desafios invisíveis da produção nacional

Quando questionada sobre o impacto econômico da decisão de produzir localmente, Celina Guedes ofereceu uma resposta surpreendente: a produção no Brasil ficou mais cara do que importar diretamente. Apesar de todos os obstáculos enfrentados com importação — classificação alfandegária confusa, falta de conhecimento de órgãos reguladores sobre o tipo de equipamento, demora em liberação de cargas — a EGT escolheu pelo caminho mais custoso.

Essa decisão reflete o compromisso da empresa com a operação legal e transparente. Como pioneira nesse modelo no Brasil, a EGT enfrenta desafios naturais de quem abre caminhos inexplorados no mercado local. A empresa reconhece que o diálogo com reguladores ainda precisa evoluir em 2026, especialmente para diferenciar claramente terminais de videoloteria de máquinas caça-níqueis — proibidas no país desde 1946.

O mercado fragmentado: 27 estados, 27 regulamentações diferentes

O Brasil apresenta um desafio singular para operadoras internacionais: cada um dos 27 estados funciona praticamente como um país independente, com suas próprias loterias estaduais e exigências regulatórias. A EGT, portanto, orienta sua estratégia de mercado conforme a demanda regional e a abertura de cada estado para regulamentação de VLTs.

O Nordeste emergiu como região particularmente receptiva à tecnologia de videoloteria, com a Paraíba liderando implementação de máquinas certificadas. Eventos como o SBC Summit Rio permitem que a EGT estabeleça conexões com empresários locais, reguladores estaduais e potenciais parceiros operacionais. A fragmentação regulatória, embora complexa, oferece oportunidades de crescimento localizado.

Jogo responsável como pilar operacional, não complemento

Quando o assunto é responsabilidade social, Celina Guedes é enfática: o jogo responsável não é adição periférica ao modelo de negócio da EGT, mas parte integrante de seu DNA corporativo. A empresa atua exclusivamente em mercados regulados, onde transparência e conformidade não são opcionais, mas obrigatórias.

A educação sobre práticas responsáveis permeia todo o ecossistema: fornecedores, operadores, reguladores e consumidores. Essa abordagem multidimensional reconhece que o mercado de jogos regulados no Brasil ainda enfrenta estigma — muitas vezes confundido com operações ilegais. Esclarecer essa distinção tornou-se responsabilidade tanto da empresa quanto dos órgãos reguladores.

A relação próxima que Celina mantém com presidentes de loterias estaduais e autoridades regulatórias exemplifica essa filosofia de parceria transparente. Reguladores visitam regularmente o estande da EGT em feiras especializadas, evidenciando confiança mútua e diálogo aberto sobre conformidade operacional.

A competição por qualidade e inovação no mercado emergente

Indagada sobre a posição competitiva das máquinas brasileiras produzidas pela EGT, Celina respondeu sem hesitação: a empresa oferece alguns dos melhores produtos disponíveis no mercado nacional, tanto em tecnologia quanto em qualidade e experiência de jogo. Embora reconheça que máquinas fabricadas na Bulgária refletem 23 anos de aperfeiçoamento contínuo, o conteúdo — verdadeiro diferencial — permanece equivalente.

A expertise técnica é mantida através de equipes enviadas diretamente de Sofia para supervisionarem conexões, integrações e implementações de sistema. Nenhuma interferência externa é permitida nos produtos EGT, garantindo que segurança, tecnologia e qualidade se mantenham nos padrões globais da empresa.

A visibilidade como estratégia de consolidação mercadológica

O investimento robusto da EGT no SBC Summit Rio 2026 — como um dos principais patrocinadores — responde a uma filosofia simples: quem não é visto não é lembrado. A empresa replica essa estratégia em mercados internacionais, com exposições semelhantes na África do Sul e em Dublin, reforçando seu posicionamento como player global com presença local.

O estande da EGT transformou-se em ponto de encontro para profissionais do setor, permitindo troca de experiências e renovação de parcerias. Essa abordagem transmite mensagem clara: a EGT Brasil não apenas fornece equipamentos, mas oferece relacionamento respeitoso e compreensão das necessidades específicas de cada cliente operador.

O cenário regulatório em evolução

O Brasil de 2026 ainda passa por processo de consolidação regulatória de VLTs. O prefeito do Rio de Janeiro já sinalizou abertura para regulamentação local, indicando que máquinas legalizadas devem começar a aparecer nas ruas da capital em breve — questão de alvarás e licenças municipais.

Celina projetou que o mercado brasileiro pode comportar significativo crescimento nos próximos anos, especialmente considerando que apenas 10% da população brasileira já apostou em VLTs. O país já concentra cerca de 70 bilhões de reais investidos em mercado de apostas — volume equivalente ao orçamento de ministérios da República.

A educação do mercado como responsabilidade corporativa

Um ponto recorrente na fala de Celina é a necessidade de educação sobre o mercado regulado de jogos. Ainda existe confusão generalizada entre máquinas legalizadas e operações ilegais, entre terminais de videoloteria e caça-níqueis. A EGT assumiu papel ativo em desmitificar essas percepções, tratando-as não como problema da indústria, mas como oportunidade de diálogo com reguladores, operadores e consumidores.

Essa responsabilidade educacional estende-se a explicações técnicas: as VLTs funcionam através de sistemas online integrados, onde operadores e reguladores possuem visibilidade e controle completo. Cada transação é rastreada, cada jogo é certificado com matemática validada e retorno ao jogador estabelecido. A segurança e a transparência que operações legalizadas oferecem contrastam drasticamente com práticas clandestinas.

Perspectivas para os próximos anos

A trajetória da EGT no Brasil evidencia padrão típico de multinacionais que optam por consolidação local ao invés de simples exportação. O modelo pode servir como referência para outras empresas do setor considerarem investimento similar, embora Celina reconheça que poucos competidores seguem caminho equivalente no momento.

O desenvolvimento esperado para próximos dez anos inclui modelos significativamente diferentes dos atuais, fruto de inovação contínua e aprendizado do mercado brasileiro. A empresa iniciou operação regulada, possui máquinas certificadas em funcionamento e continua expandindo conforme demanda regional e abertura regulatória de novos estados.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber @robsontalber 

Notícias exclusivas e ilimitadas.

O UH Online reforça o compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade.

Nossa redação produz diariamente informação responsável e que você pode confia

Fontes: Entrevista com Celina Guedes, Diretora Regional da EGT Brasil, SBC Summit Rio 2026; SBC Notícias Brasil; documentação de regulamentação de VLTs no Brasil; relatórios de mercado de apostas 2024-2026; Loterias Estaduais do Brasil; Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).

Por Ultima Hora em 12/03/2026
Aguarde..