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Sindicato dos Jornalistas do RJ aciona organismos nacionais e internacionais após editora do The Exposed sofrer perseguição por denúncias contra vereador
Rio de Janeiro - O caso da jornalista Fernanda Piacentini, editora do portal The Exposed, mobilizou entidades de defesa da imprensa em uma ampla articulação nacional e internacional contra o que consideram uma tentativa sistemática de cercear o jornalismo investigativo no Rio de Janeiro. O Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro emitiu nota contundente de repúdio e manifestou apoio total à profissional, que estaria sendo alvo de ataques e processos judiciais em decorrência de suas denúncias contra o vereador Leniel Borel, da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
A mobilização ganhou dimensão internacional quando o Sindicato, presidido por Mário F R Sousa, decidiu encaminhar denúncia formal à Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A estratégia visa dar visibilidade internacional ao episódio e pressionar por manifestações públicas contra o que a categoria considera uma agressão deliberada ao jornalismo livre.
Fernanda Piacentini, através do portal The Exposed, tem se dedicado ao jornalismo investigativo, expondo fatos que incomodam setores do poder público. Suas denúncias contra o vereador Leniel Borel teriam desencadeado uma série de retaliações que, segundo o Sindicato dos Jornalistas, configuram "uma tentativa cristalina de cercear o jornalismo e intimidar quem ousa expor fatos incômodos ao poder".
O presidente do Sindicato, Mário F R Sousa, classificou a situação como "absolutamente inconcebível", enfatizando que qualquer ato de violência contra jornalistas no exercício de seu direito constitucional representa um ataque direto à sociedade. "O ataque à imprensa é ataque direto à sociedade, pois mina a liberdade de expressão e transforma o jornalismo em alvo de perseguição política e jurídica", declarou na nota oficial divulgada em Niterói.
A estratégia de acionar organismos internacionais demonstra a gravidade com que as entidades jornalísticas enxergam o caso. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), tem competência para investigar violações à liberdade de expressão e imprensa na região, podendo emitir recomendações e exercer pressão diplomática sobre o Brasil.
Alessandro Lo Bianco, jornalista que tem acompanhado o caso, destacou que "o caso de Fernanda Piacentini é emblemático e exige reação firme" da sociedade civil e das instituições democráticas. A mobilização das entidades representa um teste crucial para verificar se a sociedade brasileira está disposta a defender o jornalismo livre ou permitirá que a intimidação se torne ferramenta habitual contra profissionais da imprensa.
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), uma das mais tradicionais entidades de defesa da liberdade de imprensa no país, tem histórico de atuação em casos similares e sua participação na mobilização por Fernanda Piacentini reforça a legitimidade da denúncia. A entidade costuma articular campanhas nacionais e internacionais quando identifica ameaças sistemáticas ao jornalismo brasileiro.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), que representa a categoria em âmbito nacional, possui canais diretos com organismos internacionais de defesa da liberdade de imprensa, incluindo a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) e o Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ), ampliando o alcance da denúncia sobre o caso Piacentini.
O envolvimento da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ adiciona uma dimensão jurídica importante à mobilização, uma vez que a entidade pode oferecer suporte legal e orientação sobre os direitos constitucionais violados. A OAB tem tradição na defesa das liberdades democráticas e sua participação legitima a gravidade das denúncias apresentadas pelo Sindicato dos Jornalistas.
O caso Fernanda Piacentini insere-se em um contexto mais amplo de ataques à imprensa no Brasil, onde jornalistas investigativos frequentemente enfrentam pressões, processos judiciais e ameaças por exporem irregularidades envolvendo agentes públicos. A mobilização das entidades representa uma resposta coordenada para estabelecer precedentes na defesa da liberdade de imprensa.
A nota do Sindicato dos Jornalistas enfatiza que "não há espaço para meias palavras: quem agride a imprensa agride a democracia". A declaração reflete o entendimento da categoria de que ataques isolados a jornalistas representam ameaças sistêmicas ao regime democrático, exigindo resposta proporcional das instituições e da sociedade civil.
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