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Garotinho anuncia Venâncio Moura como pré-candidato a vice em plano ambicioso de segurança para o Rio

Ex-comandante do BOPE promete integração entre forças de segurança e combate à guerrilha urbana nas comunidades
A pré-candidatura que promete virar o jogo
Anthony William Garotinho Matiolli, conhecido como Garotinho, lançou sua pré-candidatura ao governo do estado do Rio de Janeiro com uma aposta ousada: escolher o coronel Venâncio Moura, ex-comandante do BOPE, como seu companheiro de chapa. O anúncio aconteceu em evento que reuniu lideranças políticas e especialistas em segurança pública, marcando o início de uma campanha que coloca a violência urbana no centro do debate eleitoral.
Moura é uma figura emblemática nas forças de segurança fluminenses. Comandou o Batalhão de Operações Policiais Especiais durante a gestão de Garotinho como governador, período em que, segundo ele próprio, ocorreu uma transformação radical na unidade.
O BOPE ganhou novo quartel, efetivo dobrado, armamento modernizado e intercâmbio com polícias internacionais. Hoje, afirma Moura, é considerado uma das unidades especiais mais bem preparadas do mundo, com o maior tempo de combate de qualquer tropa mundial.

A realidade da segurança no Rio: guerrilha urbana nas comunidades
O diagnóstico apresentado é contundente. Enquanto a Polícia Militar consegue garantir segurança pública no asfalto, nas comunidades a situação se inverte: o que deveria ser policiamento ostensivo torna-se, na prática, uma guerrilha urbana. Moura não economiza palavras ao descrever a situação como "absurda" — cidadãos do Rio de Janeiro vivem reféns da marginalidade armada, impossibilitados de exercer o direito básico de ir e vir.
O número de fuzis e munições nas favelas é alarmante. Moura refere-se a essas áreas como "fortalezas urbanas" — territórios onde facções criminosas, funcionando como verdadeiras multinacionais do crime, estabeleceram controle quase absoluto.
Não é exagero. Enfrentamentos recentes, como o complexo da Alemão, envolveram o BOPE e outras unidades contra aproximadamente 500 bandidos. Equipes de batalhão convencional não têm condições de atuar em tais cenários.
A falha sistêmica: falta de integração entre órgãos
Moura identifica um problema estrutural que transcende voluntarismo: a Polícia Militar e o governo estadual sozinhos não conseguem resolver a questão da segurança. O crime opera em nível nacional. Cocaína e maconha vêm de fora; fuzis são contrabandeados.
O Rio de Janeiro é cortado por rodovias federais — onde apenas a Polícia Rodoviária Federal pode atuar, mas sem efetivo suficiente. A Baía de Guanabara permanece abandonada, permitindo entrada desenfreada de armas, munições e drogas pelos portos e aeroportos.
Sem ação integrada entre órgãos estaduais e federais, o enfrentamento permanece praticamente impossível. É um gargalo institucional que nenhuma coragem pessoal resolve.
Internamente, a fragmentação persiste. Secretaria da Polícia Militar, Secretaria da Polícia Civil, Defesa Civil, Secretaria de Segurança — cada órgão "puxando a corda para seu lado", cada um guardando informações para exibir seus próprios resultados.
O prejudicado é o estado. Moura propõe uma secretaria unificada que reúna informações de Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Municipal, permitindo planejamento conjunto e compartilhamento de inteligência.
O plano de Garotinho: ocupação gradual dos territórios
Garotinho, segundo Moura, já possui um plano para reintegrar territórios dominados pelo crime organizado. A estratégia será gradual — começando pelas áreas mais perigosas e avançando para as menos críticas. O objetivo é devolver paz a populações inteiras que vivem sob o jugo das facções.
Isso exige policiamento especializado em contra-guerrilha. O BOPE, com seu treinamento diário em patrulha em áreas de alto risco — realizado em seu campo escola na Favela Tavares Baixo — está preparado. Policiais convencionais, expostos sem preparação adequada, não sobreviveriam a tais operações.

O contexto nacional e as limitações estaduais
O presidente Lula lançou um pacote federal de segurança priorizando integração policial. É um reconhecimento de que o problema transcende estados. No Rio de Janeiro, porém, a resposta estadual precisa estar alinhada. Moura deixa claro: sem articulação federal-estadual, continuará sendo quase impossível.
As facções não respeita limites administrativos. Controlam entrada de mercadorias, lavagem de dinheiro, fornecimento de internet, gás, e outros serviços nas comunidades. Não é simples criminalidade — é ocupação territorial sistemática.
A escolha de Venâncio Moura como símbolo
A escolha de Garotinho não é casual. Moura representava, durante sua gestão, a modernização e capacitação das forças especiais. Hoje, representa continuidade — mas com um diferencial: ele fala como especialista, não como político. Seu discurso é técnico, embasado em experiência operacional, o que confere credibilidade ao projeto.
Contudo, o desafio permanece monumental. Segurança pública não se resolve com bravura pessoal. Exige orçamento, integração institucional, mudança legislativa e, acima de tudo, vontade política sustentada ao longo de uma gestão inteira.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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