Decisão monocrática de Fux derruba os candidatos do PL e do PT e abre caminho para azarão: Deputado Fred Pacheco passa ser o favorido para virar Governador em eleição indireta

A toga derruba os favoritos e sobra o azarão: como Fred Pacheco virou o nome do momento no Rio

Decisão monocrática de Fux derruba os candidatos do PL e do PT e abre caminho para azarão: Deputado Fred Pacheco passa ser o favorido para virar Governador em eleição indireta

A toga, os gêmeos e o palanque: como uma liminar do STF transformou o azarão no favorito da corrida pelo governo do Rio

Chapa Fred Pacheco e Rodrigo Amorim pode ganhar eleiçâo para governador

Há na história da política brasileira momentos em que o destino, com a sua ironia implacável, escolhe os seus prediletos não pela grandeza da força, mas pela elegância do posicionamento. Quem não caminha não cai. Quem não ocupa cargo executivo não precisa desocupá-lo. Quem não avança descuidado não recua envergonhado.

É nesse teatro de tropeços alheios que o deputado estadual Frederico Augusto Cruz Pacheco — o Fred Pacheco do Partido da Mobilização Nacional, o PMN — desponta, com a paciência de quem sabe que devagar também é velocidade, na corrida pelo governo do estado do Rio de Janeiro.

"Beati possidentes" — bem-aventurados os que possuem, ensina o brocardo latino. E Fred Pacheco possui, neste momento, aquilo que seus adversários perderam: a liberdade jurídica de se candidatar sem obstáculos.

Quem é Fred Pacheco — O músico que virou político e o político que pode virar governador

Nascido em 9 de janeiro de 1975, em Sorocaba, São Paulo, Frederico Augusto Cruz Pacheco é bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica, pós-graduado em Administração de Empresas e um nome que, antes de chegar à tribuna, chegou ao microfone.

Fred é músico, cantor e compositor — vocalista da Banda DOM, conjunto de projeção no cenário carioca, e integrante da dupla musical Fred & Márcio, formada com o irmão gêmeo com quem divide não apenas o rosto, a voz e o sangue, mas também a trajetória política no estado do Rio de Janeiro. Foram juntos que os dois gêmeos de Sorocaba construíram, tijolo por tijolo, uma das mais sólidas redes de relacionamento da política fluminense.

Na vida partidária, Fred passou pelo PMDB entre 2011 e 2013, migrou para o PSB de 2013 a 2022 e chegou ao atual Mobiliza (PMN), legenda pela qual foi eleito deputado estadual em outubro de 2022, assumindo o mandato em 1º de fevereiro de 2023. Na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro — a Alerj —, construiu reputação como voz consistente na defesa dos direitos das pessoas com deficiência e nas pautas de inclusão social, acumulando articulações que lhe rendem hoje o que os corredores da política fluminense chamam, sem ironia, de densidade.

Seus próprios colegas o descrevem com palavras que soam modestas mas valem ouro em eleição indireta: bom trânsito com o corpo dos deputados, ausência de radicalismo ideológico e proximidade genuína com o governador Cláudio Castro. Em disputa onde não são as ruas que decidem, mas os 70 assentos da Alerj, essas qualidades pesam mais que marquise, palanque e pesquisa de opinião.

A conexão Castro — A cumplicidade que o corredor confirma

A relação entre Fred Pacheco e Cláudio Castro não está em letras garrafais nos jornais, mas tampouco é segredo entre as paredes da Alerj. O próprio deputado, ao circular entre colegas defendendo sua pré-candidatura, menciona sem cerimônia ser muito próximo ao governador como um dos trunfos de sua pretensão — e os fatos corroboram o que as palavras anunciam.

Castro cogita renunciar ao cargo para disputar uma vaga no Senado Federal — decisão que se tornou mais complexa com o placar de 2 a 0 contra ele no TSE, processo atualmente suspenso por pedido de vista. Com a cadeira de vice-governador vaga desde 2025, quando o ex-vice assumiu assento no Tribunal de Contas, a dupla vacância tornaria inevitável a eleição indireta pela Alerj para governador tampão.

Para esse cenário, Castro havia articulado a Lei Complementar Estadual nº 229/2026, aprovada pela Alerj e por ele sancionada: ela reduzia o prazo de desincompatibilização para 24 horas e estabelecia voto aberto na eleição. Eram dois mecanismos que favoreciam candidatos já instalados na máquina do governo — André Ceciliano (PT), secretário federal, e Douglas Ruas (PL), secretário das Cidades.

Fred Pacheco era o único pré-candidato que não dependia desses mecanismos para entrar no páreo. Não ocupa cargo no Executivo estadual ou federal. Não precisa se desincompatibilizar. Estava, silenciosamente, fora da armadilha — e quando o STF a demoliu, ele continuou de pé.

"Nemo iudex in causa sua" — ninguém pode ser juiz em causa própria. A Corte Suprema disse não à lei. E quem sobrou foi o deputado que já era livre antes mesmo da decisão.

Os gêmeos pacheco — uma história de vocação pública compartilhada

Não se compreende Fred Pacheco sem compreender Márcio Pacheco — e não se compreende Márcio Pacheco sem a história que os dois construíram juntos desde Sorocaba.

Os dois nasceram no mesmo dia, em 9 de janeiro de 1975. Cresceram juntos, fizeram música juntos, entraram na política juntos. Márcio Henrique Cruz Pacheco iniciou sua trajetória pública como vereador do Rio de Janeiro em 2004, pelo PSC, figurando entre os parlamentares mais jovens do país à época. Migrou para a Alerj, onde cumpriu três mandatos como deputado estadual, passando pela presidência da Comissão de Constituição e Justiça e pela Comissão de Orçamento, construindo sólida reputação como legislador criterioso e como figura de confiança do governador Cláudio Castro — de quem foi considerado, na imprensa, um dos principais interlocutores políticos e intelectuais.

Bacharel em Direito pela PUC-Rio e pós-graduado em Políticas Públicas pela Universidade Cândido Mendes, Márcio cursa o mestrado em Ciências Jurídicas. Em junho de 2022, foi eleito conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro pela Alerj, com 47 votos. Em janeiro de 2025, assumiu a presidência do TCE-RJ para o biênio 2025–2026 — o que fez de Fred um dos poucos pré-candidatos a governador cujo irmão gêmeo preside o órgão de fiscalização das contas do próprio estado que pretende governar.

O próprio Fred celebrou o momento publicamente: "Hoje é dia de celebrar a posse do meu irmão, Márcio Pacheco, como presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio. Tenho certeza de que ele vai conduzir esse novo desafio com a mesma dedicação, competência e honestidade de sempre."

A geometria institucional desse arranjo é notável — e revela uma família que, ao longo de duas décadas, construiu presença em instâncias complementares do poder fluminense: o legislativo, a fiscalização e, agora, potencialmente, o executivo.

"Ubi ius, ibi remedium" — onde há direito, há remédio. E os irmãos Pacheco, cada qual em seu posto, demonstram que o poder duradouro se constrói por dentro das instituições, não à margem delas.

A liminar de Fux — Quando a constituição fala mais alto

Na decisão proferida em 18 de março de 2026, o ministro Luiz Fux suspendeu os dois pilares da lei estadual ao deferir medida cautelar na ADI 7.942, ajuizada pelo PSD do prefeito Eduardo Paes.

O primeiro vício identificado é o voto aberto. A Constituição Federal, em seu artigo 14 e no artigo 60, §4º, consagra o voto secreto como cláusula pétrea — e o próprio STF já havia firmado nas ADIs 2.461 e 3.208 que a votação nominal em processos parlamentares afeta a liberdade dos legisladores, expostos a retaliações e constrangimentos externos. Fux foi explícito: "Não é possível conceber um cenário de plena liberdade de escolha pelos membros do Parlamento local nas eleições indiretas com escrutínio aberto."

O segundo vício é o prazo de 24 horas. A Lei Complementar Federal nº 64/1990 fixa em 180 dias o prazo de desincompatibilização, e a competência para legislar sobre Direito Eleitoral é privativa da União, nos termos do artigo 22, inciso I, da Constituição. Nenhum estado da federação pode criar prazo diverso — entendimento já assentado pelo TSE na Consulta nº 459-71.2015.6.00.0000 e pelo Plenário do STF na ADPF 969, relatada pelo ministro Gilmar Mendes, fixada no precedente da eleição indireta de Alagoas: a autonomia dos entes federativos não afasta a observância das condições constitucionais de elegibilidade e das hipóteses de inelegibilidade previstas no artigo 14 da Constituição Federal.

A decisão é monocrática — proferida por um único ministro — e ainda cabe recurso ao Plenário do STF. O jogo não está encerrado. Mas os efeitos políticos são imediatos: Ceciliano, Douglas Ruas e Nicola Miccione estão fora do alcance jurídico da candidatura enquanto a liminar vigorar.

Como já ensinava Cícero: "Salus populi suprema lex esto" — a segurança do povo é a suprema lei.

O azarão que apostou certo

Fred Pacheco já circulou com sua candidatura até nos corredores do Palácio, chegando a comunicar a pretensão ao próprio chefe da Casa Civil, Nicola Miccione. Sinalizou, semanas antes da decisão de Fux, que o candidato ideal para a eleição indireta deveria ser um parlamentar em exercício de mandato — alguém sem cargo no Executivo, alheio à armadilha do prazo de desincompatibilização.

A estratégia, que soou como argumento de parte interessada quando anunciada, revelou-se, à luz da liminar, uma antevisão juridicamente precisa do que a Corte Suprema viria a decidir.

Há quem diga que Fred Pacheco apostou certo antes de saber que estava certo. Há quem diga que simplesmente estava bem posicionado. A diferença, na política, é irrelevante. O que importa é que, quando o pó da decisão do STF baixou, ele era o único pré-candidato do campo governista que continuava de pé — sem cargo a deixar, sem prazo a cumprir, sem impedimento a superar.

"Dum spiro, spero" — enquanto respiro, tenho esperança. Fred Pacheco respira. E, neste momento, respira mais fundo que todos os outros.

Fontes: Tempo Real RJ — 16/02/2026   Monitor Mercantil — 19/02/2026   Última Hora Online — 17/02/2026   Alerj — Perfil Oficial do Deputado Fred Pacheco   TCE-RJ — Portal Oficial, Conselheiro Márcio Pacheco   Wikipedia (Fred Pacheco e Márcio Pacheco)   O Globo — 28/06/2022   STF — ADI 7.942, Ministro Luiz Fux — 18/03/2026   UOL Eleições 2022   X (Twitter) — @fredpachecorj, 08/01/2025

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Por Ultima Hora em 19/03/2026
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