Delegado Carlos Augusto defende maior participação feminina na política no lançamento do Instituto Mulheres de Direita

'Não é só um direito, é uma necessidade': Delegado Carlos Augusto sobre a participação feminina na política

Em cerimônia realizada no histórico Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado estadual e delegado de polícia Carlos Augusto presidiu o evento "Mulheres de Direita", iniciativa que busca incentivar a participação feminina na política brasileira. Em entrevista exclusiva, o parlamentar destacou a importância simbólica do local escolhido e defendeu uma renovação política com maior presença de mulheres.

Um local histórico para uma nova história

O deputado explicou que foi escolhido pelas organizadoras para viabilizar o espaço para o evento, destacando o simbolismo do Palácio Tiradentes. "Aqui funcionou a Câmara dos Deputados de 1926 até 60 e só tinha homens. Então, trazer para cá mulheres que querem entrar na política, querem se engajar, que querem fazer a diferença, é um simbolismo muito grande", afirmou Carlos Augusto.

Para ele, o local carregado de história serve como palco ideal para uma transformação necessária na política brasileira. "Eu pedi esse palácio histórico para que a gente pudesse mostrar para todas as pessoas que as mulheres têm que entrar na política, porque em tudo que elas entram, elas fazem melhor", defendeu o parlamentar.

Barreiras para a participação feminina

Questionado sobre os motivos da baixa representatividade feminina na política, o delegado Carlos Augusto foi enfático ao apontar o ambiente político como principal obstáculo. "Porque são mais sérias e, normalmente, na política, com todo respeito, o ambiente é muito espúrio. É um ambiente de muita mentira, de muita falsidade, de muita maldade", declarou.

Segundo ele, esse cenário acaba afastando as mulheres, que seriam "naturalmente mais sérias, mais verdadeiras". O deputado alertou que essa situação faz parte de uma estratégia para manter determinados grupos afastados da política. "Quanto mais nojento for a política, mais as pessoas vão se afastar. Então, fazem de tudo para você falar assim: 'Ah, eu não gosto de política, não. Só tem isso, só tem aquilo'. Quanto pior for a política, os bons jamais vão se chegar. Isso é uma tática que eles têm", explicou.

O desafio dos municípios sem representação feminina

Ao comentar sobre a existência de mil municípios brasileiros sem nenhuma vereadora mulher, Carlos Augusto classificou a situação como "uma vergonha" e defendeu uma mudança urgente nesse quadro. "Eu não estou falando isso para ficar bem com fulano ou com beltrano. Tenho duas filhas, minha esposa é delegada, eu sei o que ela passa na instituição", compartilhou.

O parlamentar incentivou as mulheres a não se afastarem da política por causa dos problemas existentes. "Não pode pensar que só porque é ruim não vai entrar. Se é ruim, entrar e mudar. É isso que eu acho", aconselhou.

Críticas à segurança pública

Aproveitando sua experiência como delegado de polícia, Carlos Augusto também abordou os problemas da segurança pública brasileira, que segundo ele, deveria ser chamada de "insegurança pública". O parlamentar apontou diversas barreiras que dificultam o trabalho policial: "Nós temos hoje uma polícia de mãos atadas, uma polícia que não consegue enfrentar a criminalidade como deve ser enfrentada, por barreiras jurídicas, por barreiras operacionais, barreiras de pessoal e barreiras de recursos".

Para ele, o principal problema está na legislação brasileira, que considera muito branda. "Hoje você prende uma pessoa por estupro de uma criança, por exemplo. Daqui a pouco, daqui a quatro anos, ela está na rua de novo. As leis são muito brandas. Hoje, a pessoa que faz o mal tem a certeza que ela vai ter segundas chances, porque a nossa lei é ridícula", criticou.

O delegado também mencionou o que chamou de "retrabalho" da polícia, com a prisão repetida dos mesmos criminosos: "Prendemos 20, às vezes 25, 30 vezes a mesma pessoa. Gente, que isso? Então, assim, é um enfrentamento de tudo, principalmente dessa base legal que é ridícula, rústica, ultrapassada".

O evento "Mulheres de Direita" no Palácio Tiradentes representa um esforço para aumentar a participação feminina na política brasileira, especialmente no campo conservador, buscando superar as barreiras históricas que têm mantido as mulheres sub-representadas nos espaços de poder e decisão.

Por Robson Talber @robsontalber 

Repórter Débora Barbosa @chefdeborabarbosa 

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Por Ultima Hora em 06/05/2025
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