Em pleno pique de Carnaval: Talita Galhardo expõe que avisou dos entraves que atrasam o Armamento da Guarda Municipal

Parlamentar denuncia obstáculos da Polícia Federal para implementação da Força Municipal durante entrevista no Carnaval 2026

Vereadora Talita Galhardo Critica Burocracia que Impede Armamento da Guarda Municipal no Rio

A vereadora Talita Galhardo (partido não informado) fez duras críticas à burocracia que tem impedido a efetivação do armamento da Guarda Municipal do Rio de Janeiro, durante entrevista concedida no Camarote Favela, na Marquês de Sapucaí, durante o Carnaval de 2026. A parlamentar, que integra a Comissão de Segurança da Câmara Municipal, alertou que a Polícia Federal está criando obstáculos para a implementação da medida, especialmente em relação à contratação de agentes temporários.

Segurança no Carnaval: Prioridade Máxima

Durante a entrevista, Galhardo enfatizou que a segurança se tornou a principal demanda dos foliões, superando até mesmo o samba e a alegria tradicionalmente associados ao Carnaval. "É o tema número um quando você pergunta o que você quer no carnaval. Além do samba, além da alegria, as pessoas falam segurança", declarou a vereadora, que percorreu a estrutura de segurança do evento acompanhada do Coronel Menezes.

A parlamentar fez uma distinção clara entre a segurança dentro do Sambódromo e no entorno da Sapucaí. Segundo ela, enquanto o interior do complexo carnavalesco é um "lugar controlado e mais tranquilo", as áreas circundantes enfrentam desafios significativos devido ao efetivo policial insuficiente diante da criminalidade. "O efetivo, lógico, perto da quantidade de vagabundo que a gente tem, é uma coisa absurda", afirmou, defendendo uma postura mais rigorosa no combate ao crime.

Obstáculos Burocráticos Impedem Armamento

O principal foco da crítica de Galhardo foi direcionado aos entraves burocráticos que têm impedido a implementação do armamento da Guarda Municipal. A vereadora revelou que, apesar de ter votado a favor das mudanças na Lei Orgânica do Município que autorizaram o armamento, a Polícia Federal está criando resistência, especialmente quanto à questão dos contratos temporários.

"A Polícia Federal bateu de frente justamente com a questão dos temporários, que eu fui completamente contra desde lá de trás", explicou Galhardo. A parlamentar argumenta que o município já possui uma guarda municipal concursada e que a contratação de temporários cria problemas práticos e jurídicos. "O cara vai ser armado por um ano, depois prorrogável por mais cinco e aí depois ele vai fazer o quê? Vai arrumar um salário de R$ 10.000 aonde para usar uma arma", questionou.

Histórico Legislativo da Medida

A vereadora detalhou seu posicionamento durante o processo legislativo que culminou na autorização do armamento. Ela votou a favor das duas votações necessárias para alterar a Lei Orgânica do Município, mas se posicionou contra o Projeto de Lei Complementar (PLC) do prefeito devido a questões constitucionais que identificou durante seus estudos sobre o tema.

Segundo Galhardo, sua oposição aos contratos temporários se baseia na existência de uma estrutura já consolidada de guardas municipais concursados, que poderiam ser aproveitados através de novos concursos específicos para a função armada, eliminando a necessidade de contratações temporárias que geram insegurança jurídica.

Cronograma em Risco

Embora o prefeito Eduardo Paes tenha anunciado que a Guarda Municipal armada estaria operacional em março de 2026, Galhardo demonstrou ceticismo quanto ao cumprimento deste prazo. "Não sei se a burocracia vai conseguir ser suficiente até lá. Eu acredito que essa questão da Polícia Federal vai frear um pouco", previu a parlamentar.

A preocupação da vereadora reflete os complexos trâmites burocráticos necessários para a implementação de uma força municipal armada, que envolvem não apenas questões legais locais, mas também autorizações federais para o porte e uso de armas de fogo por agentes municipais.

Contexto da Força Municipal

A criação da Força Municipal, divisão armada da Guarda Municipal do Rio, foi sancionada pelo prefeito Eduardo Paes em junho de 2025, após aprovação na Câmara Municipal. O projeto prevê a contratação de 4.200 agentes em quatro anos, com início das operações programado para 2026. Os agentes serão equipados com pistolas calibre .40 e câmeras corporais, atuando de forma ostensiva e comunitária em áreas com altos índices de furto e roubo.

Críticas e Apoio Popular

Durante a entrevista, Galhardo reconheceu que sua postura rigorosa em relação à segurança pública gera críticas, mas defendeu que "entre a crítica e o povo pedindo, o povo prevalece". A vereadora se posicionou como "pró polícia, pró guarda, pró segurança pública", argumentando que o momento exige medidas radicais para enfrentar a criminalidade.

A parlamentar concluiu sua fala com um apelo direto: "Por favor, pelo amor de Deus, acabar com essa vagabundagem e ter muita alegria", sintetizando o desejo de um Carnaval seguro e alegre para todos os cidadãos cariocas.

Por Ralph Lichotti e Robson Talber, @robsontalber 

Repórter Antonio Lemos @djportugues

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Por Ultima Hora em 16/02/2026
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