Embraer se agiganta: defesa cresce 42% e carteira bate recorde de US$ 34,5 bilhões no 2º trimestre de 2026

Contrato do C-390 com os Emirados e novo acordo de suporte à FAB puxam o segmento militar.

Embraer se agiganta: defesa cresce 42% e carteira bate recorde de US$ 34,5 bilhões no 2º trimestre de 2026

A Embraer encerrou o segundo trimestre de 2026 com carteira de pedidos de US$ 34,5 bilhões, o sétimo recorde consecutivo da companhia. O avanço foi de 7% sobre o 1T26 e de 16% na comparação com o mesmo período do ano passado. Entre as quatro unidades de negócios, a de Defesa & Segurança foi a que mais cresceu: subiu 42% em um ano, puxada pelo maior contrato internacional já fechado para o cargueiro C-390 Millennium e reforçada por um novo acordo de suporte à frota de KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB).

Defesa lidera o ritmo da carteira

A unidade de Defesa & Segurança somou US$ 6,1 bilhões em pedidos, alta de 42% sobre o 2ª trimestre de 2025 e de 39% em relação ao 1º trimestre de 2026, o maior crescimento entre as divisões da Embraer no trimestre. E esse avanço veio inteiramente de novos pedidos: o release informa que não houve nenhuma entrega de aeronave militar no período. Ou seja, a carteira cresceu sem ser reduzida por baixas de faturamento.

O segmento também registrou o índice de vendas por receita mais alto da companhia, de 2,6x nos últimos 12 meses. O indicador mede a relação entre novos pedidos entrados e a receita reconhecida no período. Acima de 1x, aponta que a empresa vende mais do que entrega, o que sustenta a carteira nos trimestres seguintes.

O maior pedido internacional do C-390

O motor desse resultado foi um acordo com os Emirados Árabes Unidos. Em 4 de maio de 2026, em Abu Dhabi, o Tawazun Council for Defence Enablement, órgão que regula o setor de defesa do país — assinou contrato com a Embraer para 10 aeronaves C-390 Millennium em pedido firme e mais 10 em opção de compra. É o maior pedido internacional já feito por um único país para o modelo e marca a entrada do cargueiro no mercado do Oriente Médio.

O valor do negócio é estimado em cerca de US$ 1 bilhão, incluindo suporte e serviços. A assinatura ocorreu durante o evento “Make It in the Emirates 2026“, com a presença do vice-presidente dos Emirados, o xeique Mansour bin Zayed Al Nahyan, e de Bosco da Costa Junior, presidente da Embraer Defesa & Segurança. O acordo prevê o desenvolvimento local de capacidades de manutenção, reparo e revisão (MRO), em colaboração com uma empresa de defesa dos Emirados.

O C-390 é um cargueiro multimissão com capacidade para transportar até 26 toneladas e executar transporte logístico, evacuação aeromédica, busca e salvamento, reabastecimento em voo, lançamento de cargas e combate a incêndios, além de operar em pistas não preparadas.

KC-390: o que já está firme na carteira

Segundo a documentação da Embraer, o programa KC-390 Millennium acumula 42 pedidos firmes ainda a entregar. A Força Aérea Brasileira permanece como maior cliente, com 18 aeronaves firmes — 8 já entregues e 10 pendentes, seguida pelos Emirados (10) e por Holanda, Áustria, Suécia, Coreia do Sul, República Tcheca e Uzbequistão. No A-29 Super Tucano, a companhia contabiliza 27 pedidos firmes a entregar.

Cabe uma ressalva técnica que muitos balanços da imprensa omitem: as seleções recentes do KC-390 pela Eslováquia (3) e pela Lituânia (3) ainda não entram nesse total. A própria Embraer explica que os contratos não estão em vigor ou seguem em negociação. É a distinção entre “seleção” anunciada e “pedido firme contabilizado”, relevante para dimensionar o tamanho real do backlog militar.

Suporte de longo prazo à frota da FAB

Ainda no segundo trimestre, a Embraer firmou com a Força Aérea Brasileira um contrato de suporte logístico (CLS) de longa duração para a frota de KC-390 Millennium. Segundo a FAB, a assinatura foi oficializada em 12 de junho, em cerimônia realizada em São José dos Campos (SP), coordenada pelas áreas de Serviços & Suporte e de Defesa & Segurança da fabricante.

O acordo cobre tanto as aeronaves já em operação quanto as que ainda serão entregues, e inclui reparo e manutenção de componentes, fornecimento de peças, serviços de engenharia, publicações técnicas e atendimento a demandas emergenciais. O foco declarado é elevar a disponibilidade da frota — a fração de aeronaves prontas para voar a qualquer momento.

Para o comandante-geral de Apoio da FAB, tenente-brigadeiro do Ar Valter Malta, o contrato garante a sustentação logística necessária para manter o cargueiro pronto para missões de mobilidade, defesa e resposta rápida do país. O KC-390 é hoje a principal aeronave de transporte da Força Aérea, empregada em operações militares e humanitárias dentro e fora do território nacional.

Comercial, executiva e serviços completam o recorde

Na Aviação Comercial, a carteira alcançou US$ 15,1 bilhões, 15% acima de um ano antes. O programa E2 ultrapassou 500 pedidos firmes, com clientes em todos os continentes, impulsionado por uma encomenda de 15 jatos E195-E2 da arrendadora Azorra. No Farnborough Airshow, a Embraer revelou a japonesa Fuji Dream Airlines como cliente por trás de duas aeronaves E175 antes contabilizadas como pedido não divulgado. O book-to-bill do segmento ficou em 1,8x.

Na Aviação Executiva, os pedidos somaram US$ 7,8 bilhões, alta de 5% em um ano, com book-to-bill de 1,1x. O trimestre trouxe a tripla certificação dos jatos Praetor 600E e Praetor 500E, agora homologados pela ANAC, no Brasil, pela FAA, nos Estados Unidos, e pela EASA, na Europa.

Em Serviços & Suporte, a carteira atingiu US$ 5,5 bilhões, recorde e 12% acima do 2º trimestre de 2025, com índice de 1,3x. Além do contrato da FAB, a unidade fechou acordo de suporte de longo prazo com a canadense Jazz Aviation, operadora de 25 jatos E175 e primeira cliente do programa Embraer Collaborative Inventory Planning no Canadá.

O que o resultado consolida

Os dois negócios do trimestre se encaixam. A venda do C-390 para os Emirados coloca o avião brasileiro numa região onde ele nunca tinha voado, o Oriente Médio, e funciona como vitrine para atrair novos compradores. Já o contrato com a FAB garante que os KC-390 usados pelo Brasil fiquem com peças, manutenção e apoio em dia, ou seja, prontos para decolar quando forem chamados. Um movimento olha para fora; o outro cuida de casa.

O próximo termômetro será ver se os Emirados transformam em compra firme as 10 aeronaves que hoje ainda são só opção, e se encomendas que seguem no papel, como as da Eslováquia e da Lituânia, viram contrato de verdade nos próximos meses.

Por Ultima Hora em 25/07/2026
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