Dra. Cristiane Boneta, a esteticista que levou o saber brasileiro sobre pele negra para Angola e provou que hidratação e filtro solar são só o começo

Com 14 anos de trajetória e um convite para profissionalizar terapeutas em Luanda, Cristiane Boneta é a prova de que a estética nacional virou referência internacional, sobretudo no cuidado com fototipos altos e peles melanizadas, um mercado que cresce enquanto o Brasil movimenta R$ 48 bilhões por ano no setor

Rio de Janeiro — No meio da festa de aniversário da pré-candidata Daiane Luna, uma das convidadas carregava na bagagem de mão um convite que atravessou o Atlântico.

Cristiane Boneta, esteticista, biomédica e referência nacional no cuidado com a pele negra, estava prestes a embarcar para Luanda, em Angola.

Não como turista. Como formadora de profissionais que querem aprender o que o Brasil faz de melhor: tratar peles melanizadas com conhecimento técnico, respeito à fisiologia e olhar para a diversidade.

"Angola consome muito a estética brasileira. Vou para um congresso onde profissionalizo terapeutas que querem trabalhar com fototipo alto e peles miscigenadas, algo muito latente aqui no Brasil. "Por que não ir para lá e abraçar esse mercado?", afirmou em entrevista exclusiva ao Jornal da República e Última Hora.

A pele que mancha mais é o mito da resistência.

O senso comum insiste em dizer que pele negra "não precisa de cuidados" porque é mais resistente. É o oposto. A melanina protege contra radiação UV, mas é justamente essa proteção que torna a pele preta mais propensa a hiperpigmentações — manchas escuras que surgem após inflamações, espinhas ou procedimentos mal feitos.

A melanina protege por meio do pigmento. Só que ela acaba manchando muito. "É importante difundir no mercado a importância do negro, mulher ou homem, poder se cuidar", explicou Cristiane.

A hiperpigmentação é a queixa dermatológica mais comum entre pacientes negros, segundo a L'Oréal Dermatological Beauty.

O melasma e a hiperpigmentação pós-inflamatória (PIH) afetam desproporcionalmente fototipos III a V — justamente os mais comuns no Brasil, onde 56% da população se autodeclara preta ou parda, segundo o IBGE.

O congresso Estetika, especializado em estética, já alerta: "não há espaço para tratamentos padronizados" quando o assunto é pele negra. Cada fototipo exige protocolo específico.

Brasil, o país que ensina o mundo a cuidar da pele.

A estética brasileira vive um momento de reconhecimento global. Com R$ 48 bilhões movimentados por ano no setor, segundo a ABIHPEC, o Brasil é o terceiro maior mercado de beleza do mundo. O país também é líder em procedimentos estéticos na América Latina.

Angola reflete essa influência. A Beauty Fair Angola 2026, que acontece em Luanda, posicionou-se como a maior feira de beleza, saúde e bem-estar do mercado angolano. A programação inclui estética, moda, inovação industrial e internacionalização.

Cristiane Boneta integra exatamente essa ponte. Seu trabalho de consultoria e mentoria já alcança profissionais em Luanda, e a viagem agora presencial ao país africano consolida um fluxo que tem se intensificado: o Brasil exportando conhecimento técnico em estética para países de língua portuguesa.

Hidratação e filtro solar: o básico que ninguém deve pular.

Cristiane foi direta ao ser questionada sobre o essencial para manter a pele saudável, independentemente do tom. "Beber água e usar filtro solar. São dois parâmetros simples, super baratos, e que fazem toda a diferença."

A recomendação parece óbvia, mas os números mostram que ainda é negligenciada. Pesquisa da Sociedade Brasileira de Dermatologia indica que apenas 36% dos brasileiros usam protetor solar diariamente.

Entre a população negra, o índice é ainda menor, reforçado pelo mito de que a melanina substitui a proteção solar.

Não substitui. A melanina oferece proteção equivalente a um FPS 13, insuficiente para prevenir envelhecimento precoce e câncer de pele.

Uma pioneira que constrói pontes.

Cristiane Boneta acumula 14 anos de atuação na estética facial e corporal e é reconhecida como pioneira no atendimento à pele negra no Brasil. Desde 2018, também atua como consultora e mentora de profissionais que desejam se especializar no segmento.

Em julho de 2026, participou do evento "Julho das Pretas" na OAB Barra da Tijuca, com o tema "DNA Ancestral: Identidade, Memória, Reparação Histórica e Justiça Social". A palestra conectou estética, autoestima e cidadania — três frentes que Cristiane trata como indissociáveis.

"Sou defensora de que a gente precisa difundir a importância do negro poder se cuidar, ter cuidados mínimos, um tratamento de skincare em casa e um produto adequado para utilizar na pele", afirmou.

Bio: Dra. Cristiane Boneta.

Cristiane Boneta é esteticista, biomédica, palestrante e consultora especializada em saúde da população negra. Há 14 anos no mercado, é reconhecida como pioneira no atendimento a peles melanizadas no Brasil, atuando nas áreas facial e corporal.

Desde 2018, oferece consultoria e mentoria para profissionais que desejam se especializar em fototipos altos e peles miscigenadas, com atuação no Brasil e em Angola.

Foi confirmada no Congresso de Estética da Beauty Fair e participa regularmente de eventos que conectam estética, identidade e justiça social, como o Julho das Pretas na OAB Barra da Tijuca.

Defende que o autocuidado é um direito universal e que a pele negra exige conhecimento técnico específico — não tratamento padronizado. No Instagram, pode ser encontrada como @cristianeboneta.

Por Robson Talber, @robsontalber, repórter Henrique Pianta, @piantahp.

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Por Ultima Hora em 24/07/2026
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