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Ex-subcomandante do Bope e sniper da PM, o coronel João Jacques Busnello teve a candidatura oficializada em convenção virtual no dia 23 de julho de 2026. A chapa tem o bombeiro Rafael Luz como vice e Hélio Secco na disputa pelo Senado. Em entrevista ao podcast "No Ritmo com Você", o candidato detalhou propostas que mesclam mão dura no crime com políticas sociais de regularização fundiária e educação.

Gravado nos Studios @barraworld World
A candidatura e o contexto político
O partido Missão, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), oficializou na última quinta-feira (23) a candidatura do coronel João Jacques Busnello ao governo do estado do Rio de Janeiro. A decisão representa uma inversão na chapa: inicialmente cotado como vice na pré-campanha, Busnello assumiu a cabeça após articulações internas da legenda. O bombeiro militar Rafael Luz, pedagogo, passou a ocupar a vice-governadoria na chapa. Para o Senado, o partido lançou Hélio Secco, especialista em direito ambiental.
O anúncio foi feito pelo pré-candidato à Presidência pelo Missão, Renan Santos, e marca a primeira vez que a legenda, fundada em 2022, disputa o executivo fluminense. O partido aposta em um discurso de renovação e ruptura com o que classifica como "pactuação política espúria" dos governos anteriores.
Carreira militar e o mito do sniper do Bope
Busnello é coronel da reserva da Polícia Militar do Rio de Janeiro e construiu uma trajetória de 33 anos na corporação. Foi subcomandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a tropa de elite da PM fluminense, onde atuou como franco-atirador (sniper). Ao longo da carreira, comandou o 6º BPM (Tijuca) e o 15º BPM (Duque de Caxias).
Ganhou notoriedade pública em 2009, durante uma operação em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, quando neutralizou um sequestrador que mantinha uma comerciante refém. A ação foi amplamente divulgada na imprensa à época. O candidato carrega no corpo quatro marcas de tiros recebidos em confrontos ao longo da carreira — fato que ele próprio usa como credencial de autoridade no discurso de segurança pública.
Plano de segurança: gabinete no Alemão e "tiro, porrada e bomba" qualificado
O plano de segurança pública apresentado por Busnello tem três eixos principais. O primeiro é simbólico e operacional: transferir o gabinete do governador para dentro das comunidades dominadas pelo crime. "O primeiro ato do nosso governo vai ser fazer com que o nosso gabinete venha a ser no coração da besta, lá no Alemão. Nós não vamos trabalhar no Palácio Guanabara", afirmou na entrevista. A ideia é que todos os secretários despachem in loco nas regiões mais afetadas pela violência.
O segundo eixo é a repressão qualificada por inteligência policial. Busnello defende que a ação repressiva continuará existindo — "o tiro, a porrada e a bomba já tem, vai continuar tendo e vai ser mais forte ainda" — mas combinada com investigação aprofundada e produção robusta de provas, para evitar que os processos caiam em descrédito no Judiciário.
O terceiro eixo, e o mais enfatizado pelo candidato, é a regularização fundiária e a inclusão social dos territórios hoje controlados por facções e milícias. "Não adianta dar só tiro e porrada de bomba. Isso todo mundo já ganha a qualquer momento", disse. A proposta é titular as propriedades em comunidades como Rocinha, Alemão e Maré, levando saneamento, luz elétrica regularizada e direitos de cidadania plena.
Milícia e facções: "O mesmo pau que bate no Francisco vai bater no Chico"
Questionado sobre a atuação de milícias, Busnello rejeita a distinção entre grupos paramilitares e facções do tráfico. "A milícia, o Comando Vermelho, o Terceiro Comando, as outras facções, elas todas são iguais. Elas exploram o mesmo business da mesma forma", afirmou. Para ele, a exploração imobiliária dentro das comunidades — venda de lajes, construção de imóveis — é hoje uma das principais fontes de receita do crime organizado, superando o tráfico de drogas.
O candidato citou que uma laje na Rocinha pode valer entre R$ 150 mil e R$ 200 mil, valor equivalente a um apartamento na Zona Norte. A estratégia proposta é quebrar esse mercado informal com titulação de propriedade e presença do Estado, enquanto a repressão atinge igualmente todos os grupos criminosos, sem distinção. "Se resistir, vai morrer. Se não resistir, vai ser preso. O mesmo pau que bate no Francisco vai ter que bater no Chico."
Educação e saúde: a ponta do lápis mais importante que a ponta do fuzil
Um dos pontos mais enfatizados por Busnello é a educação como pilar de transformação social. O candidato a vice-governador, Rafael Luz, é pedagogo e será o secretário de Educação em um eventual governo. A proposta inclui expansão da escola integral, escolas cívico-militares e valorização do professor — categoria que, segundo Busnello, é a pior paga do Brasil no estado do Rio de Janeiro, o segundo mais rico da federação. "O professor ganha R$ 10 de alimentação. Onde você compra uma alimentação por R$ 10?", questionou.
Na saúde, o candidato afirma ter um plano estruturado dentro dos 14 eixos da plataforma de governo. Criticou programas assistenciais que considera cosméticos, como a distribuição de "canetas Ozempic", em detrimento de serviços básicos como exames, cirurgias e atendimento domiciliar pelo SUS.
Economia e gestão: cortar secretarias, acabar com fantasmas e renegociar dívidas
Busnello propõe reduzir o número de secretarias estaduais de 32 para 15 ou 16, eliminar cargos comissionados sem concurso e priorizar servidores técnicos concursados. "Não roubar, não contratar funcionário fantasma e fazer um recálculo da dívida pública", resumiu. O candidato também defende o corte de incentivos fiscais que classifica como indevidos e a renegociação constante da dívida do estado com a União.
No campo do desenvolvimento econômico, aposta no agronegócio, na reindustrialização do estado e no aproveitamento do potencial turístico e vitivinícola fluminense. "O Rio de Janeiro é um estado em que você sai da praia e vai para a montanha em uma hora. Isso tem que ser explorado."
Direitos humanos e relação com o Judiciário
Busnello surpreende ao revelar que é formado em direitos humanos pela Cruz Vermelha Internacional, na Colômbia. "Entender direitos humanos não vai ser problema nenhum", afirmou. Para ele, o Judiciário é o poder mais interessado na solução do problema da segurança, mas defende mudanças legislativas profundas — no Código Penal, no Código de Processo Penal, na Lei de Execuções Penais e no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Sobre a superlotação carcerária, o candidato defende a construção de novos presídios utilizando mão de obra dos próprios detentos. "Se tá faltando presídio, construímos. Aproveitamos aquela mão de obra mesmo que está lá para construir presídios", disse, acrescentando que o estado precisaria de 80 a 90 mil vagas para a população carcerária atual.
História pessoal: filho de mãe solteira que ficou quatro anos sem registro
O candidato emocionou-se ao contar sua trajetória pessoal. Filho de mãe solteira — a mãe merendeira, o pai porteiro — Busnello só foi registrado aos quatro anos de idade, em 1974, ano em que a legislação brasileira passou a permitir que mulheres solteiras registrassem os próprios filhos. "Eu fiquei quatro anos sem existir para o Estado", disse.
A história que mais marcou sua carreira, segundo ele, foi o encontro com uma menina de 12 anos durante uma operação na Maré. Mãe presa, pai morto, padrasto preso. "A polícia bateu na porta dela, mas o Estado não bateu com outros serviços", refletiu. A experiência moldou sua visão de que segurança pública não se faz apenas com repressão, mas com assistência social, educação e presença do Estado.
Governabilidade e relação com a Alerj
Sobre a governabilidade em uma Assembleia Legislativa historicamente fragmentada, Busnello aposta no discurso de "ideias, ideais e propósitos" como moeda de negociação. "O Rio de Janeiro não aceita mais pactuação para o crime. O meu pacto é pelo estado do Rio de Janeiro", afirmou. O candidato critica abertamente os governos de Cláudio Castro e Eduardo Paes, classificando suas gestões como marcadas por "pactuação política espúria" e inchaço da máquina pública.
Sobre o Coronel João Jacques Busnello
O Coronel João Jacques Busnello é um oficial da reserva da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro com 33 anos de carreira. Natural do Rio de Janeiro, nasceu em 1970 e é filho de mãe solteira, tendo sido registrado apenas aos quatro anos de idade. Formou-se em direitos humanos pela Cruz Vermelha Internacional na Colômbia. Foi subcomandante do Bope e atuou como sniper (franco-atirador) em operações de alta complexidade. Comandou o 6º BPM (Tijuca) e o 15º BPM (Duque de Caxias). Tornou-se conhecido nacionalmente em 2009 ao neutralizar um sequestrador em Vila Isabel.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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