'Gol no final, time que não se mexe e o Senado na mira': a entrevista de Léo Rodrigues no Campo Olímpico de Golfe que uniu futebol, política e segurança pública

Enquanto a Seleção Brasileira suava para vencer o Japão na Copa do Mundo, o suplente de Flávio Bolsonaro usou a metáfora do jogo para falar de eleição, facções criminosas e a antena da Starlink encontrada dentro de presídio em Bangu

Foi nesse clima de alívio esportivo que o Jornal da República e Última Hora encontrou Léo Rodrigues, empresário, segundo suplente do senador Flávio Bolsonaro (PL) e recém-anunciado pré-candidato ao Senado pelo Partido Novo. A conversa começou no futebol e terminou na segurança pública, no sistema prisional e no racha político que marca a eleição de 2026.

A metáfora do jogo é o sinal dos tempos.

"O resultado do jogo hoje já deu um sinalzinho do que pode acontecer. Gol lá no finalzinho, camisa 22. "Isso pode ser um bom sinal", disse Léo, conectando a vitória nos acréscimos ao que acredita ser o cenário das urnas em outubro.

A fala não é apenas retórica. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em junho de 2026 mostra Lula com 44% das intenções de voto contra 38% de Flávio Bolsonaro no segundo turno — diferença de 6 pontos percentuais, dentro da margem de erro.

O tabuleiro político está tão apertado quanto a partida contra o Japão.

Quatro mandatos, oito anos de Senado e um plano de sucessão.

Léo Rodrigues não poupou elogios ao padrinho político. "Flávio Bolsonaro está muito preparado. Quatro mandatos de deputado estadual no Rio de Janeiro, quase oito anos no Senado defendendo o estado contra os abusos cometidos no campo do Judiciário", afirmou.

O plano é claro: "Time que está ganhando não se mexe. Flávio sai do Senado, vai para a Presidência da República e eu subo para o Senado."

A declaração revela a estratégia de sucessão costurada nos bastidores: se eleito presidente, Flávio abre a vaga no Senado para o primeiro suplente — cargo que Léo ocupa desde a eleição de 2018.

Aos 43 anos, Léo Rodrigues foi nomeado por Wilson Witzel para a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro em 2019. A pasta era responsável por administrar projetos estratégicos do estado.

O Globo noticiou à época que sua indicação foi uma das primeiras do então governador eleito. Em 2020, com o rompimento entre Witzel e a família Bolsonaro, Rodrigues se afastou e foi exonerado por Cláudio Castro quando este assumiu o governo.

Da Secretaria ao Senado: a filiação ao Novo

Em 4 de junho de 2026, Léo Rodrigues oficializou sua filiação ao Partido Novo e anunciou a pré-candidatura ao Senado, compondo a chapa de André Marinho, pré-candidato do Novo ao governo do Rio.

O presidente estadual da legenda, Thiago Esteves, celebrou a chegada: "Ele, que já é suplente de senador, tem convicção e condições de ser eleito e dar continuidade a esse trabalho em Brasília pelo Novo."

A movimentação ocorre em um momento de reorganização do partido no estado, que sofreu debandadas no final de 2025. Léo soma experiência administrativa (gestão de ciência e tecnologia), capital político (suplência de Flávio) e agora uma legenda com estrutura nacional.

Facções criminosas classificadas como terroristas e a Starlink no presídio.

Léo dedicou parte significativa da entrevista ao que considera o centro do debate eleitoral: a segurança pública.

O PCC, o Comando Vermelho, em breve as milícias já são consideradas grupos terroristas. "E a turma da esquerda gosta de passar a mão na cabeça de bandido", afirmou.

A declaração encontra respaldo em um fato concreto: em maio de 2026, o governo dos Estados Unidos classificou formalmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, equiparando-as a grupos como Al-Qaeda e Estado Islâmico.

A decisão, assinada pelo Departamento de Estado, permite o bloqueio de ativos e o uso de ferramentas antiterrorismo contra as facções.

O tema é particularmente sensível no Rio de Janeiro, onde o CV controla territórios inteiros na Zona Oeste e disputa áreas com milícias. A classificação americana coloca o Brasil diante de uma nova realidade geopolítica no combate ao crime organizado.

Léo também mencionou a apreensão de uma antena da Starlink dentro do Presídio Gabriel Ferreira Castilho, no Complexo de Gericinó, em Bangu.

A operação, realizada em 23 de junho de 2026 pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seapen), encontrou ainda um roteador, quatro celulares e drogas.

A antena de internet via satélite, tecnologia de ponta da empresa de Elon Musk, era usada para burlar o bloqueio de sinal na unidade onde estão presos chefes do Comando Vermelho.

"Tem bandido indo para o presídio achando que aquilo é um resort. Tem sinal de celular, água quente, TV e ar-condicionado. "Essa semana mesmo descobriram uma antena da Starlink no telhado do presídio", disse.

O diagnóstico do sistema prisional brasileiro

O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, com mais de 850 mil presos, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça. O déficit de vagas ultrapassa 200 mil unidades.

O sistema é reiteradamente criticado por entidades como a Human Rights Watch, que em seu relatório de 2026 apontou superlotação, tortura e condições desumanas como problemas estruturais.

O Le Monde Diplomatique Brasil, em análise do relatório da HRW, destacou que a violência nos presídios brasileiros é alimentada pelo controle de facções e pela ineficiência do Estado em garantir direitos básicos.

Léo defende endurecimento: Nós precisamos de uma reforma na questão dos presídios. É inadmissível um bandido pegar 30 anos de cadeia e sair com dois.

"A política de direitos humanos que favorece os bandidos e não a vítima precisa mudar."

O que dizem os números da segurança no Rio?

O estado do Rio de Janeiro encerrou 2025 com 1.568 homicídios dolosos, segundo o Instituto de Segurança Pública. O roubo de carga, crime típico de facções organizadas, cresceu 12% no último ano.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 aponta que o Rio concentra a maior taxa de letalidade policial do país, com 6,3 mortes por 100 mil habitantes — mais que o dobro da média nacional.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o Brasil gastou R$ 13,7 bilhões com o sistema prisional em 2025, mas apenas 18% desse valor foi destinado a programas de ressocialização.

O perfil de quem fala

Léo Rodrigues não é um nome novo na política fluminense. Empresário do setor de tecnologia, construiu sua carreira na interseção entre inovação e gestão pública.

Foi Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro, nomeado por Wilson Witzel, pasta que administrava projetos estratégicos.

É segundo suplente do senador Flávio Bolsonaro desde 2018 — condição que o coloca na linha sucessória direta caso o titular deixe o cargo.

Em junho de 2026, filiou-se ao Partido Novo e anunciou pré-candidatura ao Senado, compondo chapa com André Marinho. Acumula mais de 77 mil seguidores no Instagram, onde se identifica como "senador suplente", sem menção ao titular da vaga.

Por Robson Talber @robsontalber 

Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade

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Por Ultima Hora em 29/06/2026
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