Fabio Guasti CEO da Zeepo Motors anuncia carro elétrico de R$ 79 mil, que promete virar o jogo no Brasil

Zeepo Motors anuncia carro elétrico a partir de R$ 79 mil

Brasília — No jantar de celebração da criação do CIM Brasil, na noite desta segunda-feira (1º), um nome roubou a cena entre prefeitos, vereadores e empresários: Fabio Guasti, CEO da Zeepo Motors. A empresa brasileira, com fabricação na China, apresentou um plano ambicioso para democratizar o carro elétrico no país. O carro-chefe é o Zeepo San, um veículo 100% elétrico com preço sugerido de R$ 79 mil e autonomia de 200 quilômetros — suficiente, segundo Guasti, para o uso semanal de um motorista comum com gasto de apenas R$ 15.

“Nosso objetivo é levar o carro elétrico para quem nunca teve acesso. Cidades pequenas, de 30 a 50 mil habitantes, são o nosso foco”, disse o executivo em entrevista exclusiva ao Jornal da República.

A promessa é ousada. O modelo San, que será lançado em até dois meses, chega num momento em que o mercado brasileiro de veículos elétricos ainda engatinha. Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), os elétricos representaram menos de 3% das vendas totais em 2025, com preço médio superior a R$ 200 mil. A Zeepo quer furar essa bolha — mas o caminho é cheio de obstáculos.

Carro popular elétrico: realidade ou promessa?

Guasti detalhou que a Zeepo nasceu de uma ideia brasileira, com produção terceirizada na China. A empresa firmou parcerias com montadoras como Renault, Ford e JMC no mercado chinês. O sedã que a Zeepo venderá no Brasil, por exemplo, é o mesmo modelo que a Renault comercializa na Europa — com outra marca.

“Nós não reinventamos a roda. Usamos engenharia já testada e aprovada internacionalmente, mas adaptamos para a realidade brasileira. Isso nos permite oferecer um preço competitivo”, explicou.

O Zeepo San, com autonomia de 200 quilômetros, é pensado para o uso urbano. Para a maioria dos brasileiros que rodam menos de 40 km por dia, a carga semanal custaria o equivalente a uma pizza. Mas a pergunta que fica é: onde carregar? A infraestrutura de recarga no Brasil ainda é precária, especialmente em cidades pequenas — justamente o público-alvo da empresa.

Modelo de franquia: contêiner como loja

Outro ponto central do anúncio foi o modelo de negócio. A Zeepo aposta em franquias para expandir sua rede. Cada franqueado pode montar uma loja em um contêiner adaptado por R$ 150 mil — valor que inclui estoque inicial, treinamento e suporte.

A empresa negocia atualmente com 50 potenciais revendedores e projeta chegar a 150 até o próximo ano. A matriz, em Guarulhos (SP), já é própria: são 5 mil metros quadrados de área construída. Além disso, a Zeepo mantém um centro de distribuição próprio de 20 mil metros quadrados, também na Grande São Paulo.

“A franquia é o modelo mais democrático para levar o carro elétrico ao interior. O investimento é baixo, o retorno é rápido e o franqueado não precisa ser um especialista em automóveis. Nós damos todo o suporte”, afirmou Guasti.

Mas o modelo de negócio levanta questionamentos. O valor de R$ 150 mil por contêiner é acessível para pequenos empreendedores? Em cidades com 30 mil habitantes, o mercado consumidor é restrito. Especialistas consultados pelo Jornal da República apontam que a viabilidade depende do volume de vendas e da aceitação do público.

Fábrica própria no Brasil: promessa para 2026

Guasti também confirmou que a Zeepo pretende instalar uma fábrica no Brasil ainda em 2026. O local não foi revelado, mas a empresa já estuda terrenos em estados do Sudeste e Nordeste. A fábrica própria reduziria custos logísticos e evitaria a dependência da importação, sujeita a variações cambiais e tributárias.

Atualmente, os veículos são montados na China e importados prontos. A empresa afirma que já tem todos os certificados necessários para comercialização no Brasil, incluindo aprovação do Inmetro e do Contran.

Sorteio de motos e clima político

No evento do CIM Brasil, a Zeepo fez algo inusitado: sorteou motos elétricas entre prefeitos e vereadores presentes. A ação foi vista como uma estratégia de marketing agressiva para conquistar autoridades municipais — justamente quem pode influenciar a adoção de frotas elétricas em suas cidades.

“A ideia é mostrar na prática que a mobilidade elétrica funciona. Quem ganhar uma moto vai testar e ver que é viável. Depois, naturalmente, vai querer o carro também”, disse Guasti, sorrindo.

A estratégia gerou críticas nas redes sociais, com acusações de que a empresa estaria “comprando” influência política. A Zeepo nega e afirma que a ação é apenas promocional, sem qualquer contrapartida.

O mercado de elétricos no Brasil: oportunidades e riscos

O Brasil vive um momento de transição no setor automotivo. A frota de veículos elétricos cresceu 80% em 2025, segundo a ABVE, mas ainda é insignificante diante dos 50 milhões de veículos a combustão. A infraestrutura de recarga pública não passa de 5 mil pontos, a maioria concentrada em capitais e grandes centros.

A Zeepo aposta exatamente no oposto: cidades médias e pequenas, onde o deslocamento é curto e a recarga pode ser feita em casa. Mas falta rede elétrica preparada em muitas localidades. A empresa afirma que seus carros podem ser carregados em tomadas comuns de 220V, o que reduz a necessidade de estações especializadas.

Bio do entrevistado

Fabio Guasti é CEO e um dos fundadores da Zeepo Motors. Empresário com mais de 20 anos de experiência no setor automotivo e de logística, ele liderou a criação da marca com a visão de tornar o carro elétrico acessível ao brasileiro. Antes da Zeepo, atuou em empresas de tecnologia e mobilidade, sempre com foco em inovação e redução de custos. Sob sua gestão, a empresa conquistou parcerias internacionais e hoje projeta uma expansão agressiva no mercado nacional.

Por Ralph Lichotti e Robson Talber @robsontalber 

Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial

Sigam e compartilhem o nosso Instagram: @jornalultimahoraonline

Por Ultima Hora em 02/06/2026
Aguarde..