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Paes privilegia filho de Otoni com 64 milhões e penaliza aliado do PT com corte de R$ 104 milhões


Secretaria evangélica cresce 2.700% no orçamento em seis meses, contrastando com cortes na Habitação
O prefeito Eduardo Paes (PSD) promove um movimento político que expõe as prioridades de seu governo: enquanto corta drasticamente o orçamento da Secretaria de Habitação, comandada pelo grupo de Washington Quaquá (PT), amplia exponencialmente os recursos destinados à pasta comandada por Otoni de Paula Filho, filho do deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ). A disparidade no tratamento orçamentário revela as tensões políticas que marcam a atual gestão municipal e levanta questionamentos sobre os critérios utilizados na distribuição de recursos públicos.
Crescimento meteórico da Secretaria de Cidadania e Família
A Secretaria especial de Cidadania e Família, comandada por Otoni de Paula Filho, experimentou um crescimento orçamentário sem precedentes na administração municipal. Em apenas seis meses, o orçamento da pasta saltou de R$ 2,3 milhões para R$ 62,3 milhões, representando um aumento de aproximadamente 2.700%. Paralelamente, o quadro de funcionários expandiu de sete para 47 servidores no mesmo período, consolidando a secretaria como uma das principais apostas políticas do governo Paes.
O fortalecimento da pasta ocorre em um contexto estratégico para o prefeito, que busca consolidar sua base de apoio junto ao segmento evangélico. Otoni de Paula Filho, neto do ex-deputado estadual Otoni de Paula Pai, tornou-se o principal articulador desse grupo no governo municipal, responsável por mobilizar o eleitorado religioso durante a campanha de reeleição de Paes em 2024.
Transferência estratégica de competências
A expansão da Secretaria de Cidadania e Família não se limitou aos recursos financeiros. Por meio de decreto publicado em 25 de fevereiro, a gestão municipal transferiu a responsabilidade sobre os centros de acolhimento terapêutico da Secretaria de Assistência Social (Smas) para a pasta de Otoni de Paula Filho. A mudança atendeu a uma antiga demanda do campo evangélico, que passa a gerenciar os termos de colaboração com comunidades terapêuticas, majoritariamente ligadas a igrejas.
A transferência gerou controvérsias entre especialistas, que criticam a falta de critérios técnicos e a fiscalização precária dessas instituições, além da adoção de práticas religiosas no acolhimento de dependentes químicos. A decisão consolida a influência do grupo evangélico sobre políticas públicas sensíveis, tradicionalmente gerenciadas por critérios técnicos e científicos.
Novos programas milionários sem transparência
A secretaria recebeu ainda dois novos programas robustos: os "Armazéns da Cidadania" e o projeto "Atitude Cidadã". O primeiro prevê a instalação de unidades para emissão de documentos, mediação de conflitos e regularização fundiária de templos religiosos, com página oficial própria no site da secretaria denominada "Título Sagrado". A autorização para implantação de três centros foi publicada no Diário Oficial em 2 de junho, com valor estimado de R$ 30 milhões.
O programa "Atitude Cidadã", com escopo ainda pouco detalhado, também será implantado em três polos, conforme autorização publicada no Diário Oficial. O valor estimado é de R$ 52 milhões, totalizando R$ 82 milhões em novos investimentos. Adicionalmente, a secretaria recebeu autorização para licitação de locação de veículos no valor de R$ 2,5 milhões.
Falta de transparência preocupa oposição
O vereador Pedro Duarte (Novo), presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara Municipal, expressa preocupação com a ausência de transparência nos processos relacionados aos novos programas. Todos os processos citados permanecem inacessíveis no sistema Processo.Rio, impedindo o acompanhamento público dos critérios técnicos e operacionais dos projetos milionários.
"O aumento abrupto do orçamento, sem debate prévio com a Câmara, e a ausência de transparência nos processos contrariam princípios básicos da boa gestão pública", afirmou Duarte. "Nosso papel é garantir que o dinheiro do contribuinte seja usado com critério, e não em projetos milionários sem informações acessíveis à sociedade."
Contraste com cortes na Habitação
O crescimento exponencial da Secretaria de Cidadania e Família contrasta drasticamente com os cortes impostos à Secretaria de Habitação, comandada pelo grupo político de Washington Quaquá. Enquanto a pasta evangélica recebe incremento de R$ 60 milhões em seis meses, a Habitação perde R$ 104 milhões no mesmo período, evidenciando as prioridades políticas da gestão Paes.
A disparidade no tratamento orçamentário reflete as tensões entre o governo municipal e o Partido dos Trabalhadores, especialmente após o episódio envolvendo a votação do armamento da Guarda Municipal. A situação demonstra como as alianças políticas influenciam diretamente a distribuição de recursos públicos, impactando políticas essenciais como habitação popular em favor de projetos com viés eleitoral.
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