Grass terá nova chance no DF com aval de Lula; PSB de Cappelli pode repetir fracasso de 2022

Grass terá nova chance no DF com aval de Lula; PSB de Cappelli pode repetir fracasso de 2022

Com a porta fechada pelo PT, o PSB enfrenta um cenário que evoca memórias dolorosas do ciclo eleitoral anterior. Em 2022, o partido testou o nome de Rafael Parente*, ex-secretário de Educação do Distrito Federal, para a disputa ao Palácio do Buriti. O projeto não chegou ao fim: Parente desistiu da candidatura antes mesmo do início oficial da campanha, em um recuo que expôs a fragilidade eleitoral do PSB no DF fora de uma composição mais ampla com o campo progressista. A ausência de estrutura partidária robusta e de tempo de televisão competitivo foram apontados como fatores determinantes para o abandono da empreitada.

O risco de repetir esse enredo em 2026 é concreto. Sem o apoio do PT e com Grass consolidado como candidato da frente progressista, o PSB terá de decidir entre avançar sozinho com Cappelli — em um cenário de votação potencialmente limitada — ou buscar uma terceira via de composição com siglas de centro. A janela partidária e o calendário eleitoral pressionam por uma definição rápida, e a indecisão prolongada tende a esvaziar a candidatura antes mesmo de ela ganhar tração junto ao eleitorado.

- O cenário eleitoral no Distrito Federal

O Distrito Federal apresenta um dos eleitorados mais escolarizados e politicamente engajados do Brasil, com forte presença de servidores públicos federais, profissionais liberais e uma classe média que historicamente oscila entre o centro e a direita. O governador **Ibaneis Rocha** (MDB), que derrotou Grass em 2022 ainda no primeiro turno, é o principal favorito à reeleição segundo as análises iniciais do cenário político local. Ibaneis chega a 2026 com alta taxa de aprovação popular, estrutura administrativa consolidada e o apoio tácito de setores do empresariado brasiliense.

Do lado da direita e do centro-direita, o campo bolsonarista ainda não definiu um nome competitivo para o Buriti, o que pode abrir espaço para uma disputa mais acirrada no segundo turno caso a candidatura progressista ganhe fôlego. A fragmentação da direita em Brasília — onde coexistem grupos ligados ao PL, ao Republicanos e a dissidências do próprio MDB — é uma variável que o PT observa com atenção ao montar sua estratégia para o estado. Para Grass, crescer no primeiro turno e chegar ao segundo com viabilidade dependerá da capacidade da chapa progressista de unificar o voto de esquerda sem sangramento para candidaturas concorrentes.

O peso simbólico do 8 de Janeiro

A eleição no Distrito Federal em 2026 carrega um peso simbólico que extrapola o cálculo eleitoral ordinário. Foi em Brasília que, em 8 de janeiro de 2023, grupos bolsonaristas atacaram e depredaram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal em um episódio que chocou o Brasil e o mundo. A resposta institucional do governo Lula, coordenada em parte pelo então interventor Ricardo Cappelli, tornou-se marco político do início do terceiro mandato petista.

Reconquistar o Palácio do Buriti em 2026 seria, para o PT, uma resposta simbólica definitiva ao bolsonarismo no território onde o golpismo mais se manifestou. Esse peso narrativo explica parte do interesse de Lula em controlar diretamente a definição da chapa progressista no DF — e também parte da frustração de Cappelli, que se via como protagonista natural dessa narrativa de reconstrução democrática. A disputa interna pela candidatura revela, no fundo, uma briga por quem carregará esse símbolo nas urnas.

- O que está em jogo para Lula

A decisão de Lula sobre o DF revela uma característica central de sua lógica política: **o controle dos palanques estaduais como moeda de poder**. Ao fechar questão em torno de Grass e excluir Cappelli da composição, o presidente envia um recado a todo o campo progressista nacional — ninguém entra na chapa do PT sem passar pelo rito partidário, independentemente do capital político acumulado. A mensagem tem destinatários além do PSB: ela vale para todo o campo aliado que eventualmente ensaie candidaturas autônomas sem combinar com o Planalto.

Ao mesmo tempo, a aposta em Grass é um risco calculado. Em 2022, o petista não conseguiu passar do primeiro turno em Brasília — um resultado que, em um estado tão estratégico, representa um patamar aquém das aspirações do partido. Para 2026, o PT espera que a combinação entre a força do nome de Lula, a unidade da chapa progressista e o desgaste natural de um governador em segundo mandato seja suficiente para levar Grass ao segundo turno com chances reais de vitória. Se o cenário se confirmar, Brasília pode ser um dos capítulos mais emblemáticos das eleições de outubro.

Fontes: Agência Brasil, G1 Política, UOL Notícias, Poder360, Folha de S.Paulo, Portal da Câmara dos Deputados, Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.

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Por Ultima Hora em 18/03/2026
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