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O Rio decidiu fechar a torneira da bagunça, mas o estrago já está feito em muitas ruas. Além dos furtos de hidrômetros, o que salta aos olhos são calçadas quebradas, buracos abertos e reparos que nunca chegam. Com a sanção da Lei nº 9.207/2025, o prefeito Eduardo Paes determina que os hidrômetros passem a ser instalados preferencialmente dentro dos imóveis, tirando das calçadas um equipamento que virou isca para criminosos — e desculpa para abandono urbano.
A lei, de autoria da vereadora Vera Lins, atinge concessionárias como Águas do Rio e Iguá e nasce de um cotidiano conhecido por quem anda a pé: hidrômetro some, o piso fica destruído, a água falta e o conserto vira promessa vazia. Enquanto isso, o morador convive com risco de queda, lama, poeira e conta alta.
A revolta está nas ruas e nas redes. “Eles agem como se fossem donos dos imóveis e das calçadas. Abrem, quebram, somem e tratam o consumidor como bandido”, dispara Maria do Carmo da Penha, moradora da Zona Norte, em um dos muitos relatos que circulam online.
Segundo ela, pedidos de reparo se acumulam e respostas não chegam. “É um desrespeito diário.”
O que muda — e o que escancara
A nova regra é direta:
– Chega de hidrômetro na calçada sem consentimento do morador.
– Menos furto, menos vandalismo: dentro do imóvel, o risco cai drasticamente.
– Responsabilidade clara: quem optar por manter o medidor fora assume o risco.
– Punição prevista: concessionárias podem receber advertências e multas de até R$ 10 mil.
Mas a lei também joga luz sobre outro problema: o rastro de abandono. Nas redes sociais, multiplicam-se fotos e vídeos de calçadas abertas há semanas, protocolos sem solução e reclamações ignoradas. O sentimento é de que as empresas operam como se a cidade não tivesse dono — e o cidadão, nenhum direito.
A legislação já está em vigor e promete proteger o consumidor contra interrupções no abastecimento e cobranças indevidas após vazamentos. Falta agora o básico: cumprir, reparar e respeitar. Porque saneamento não é favor. E calçada não é terra de ninguém.
Por: Arinos Monge.
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