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A segurança como porta de entrada para transformação
O café da manhã na João Padeiro & Co., na Barra da Tijuca, foi cenário para um encontro que revelou a conexão profunda entre segurança pública e desenvolvimento econômico.
Jeanine Domenech, advogada, doutora em Direito, vice-presidente do Instituto Mulheres de Direita e recém-descompatibilizada do cargo de subsecretária de Projetos Especiais do governo do estado, conversou com o Jornal da República e Última Hora sobre sua trajetória e seus planos para o Rio de Janeiro.
"Quando a gente veio aqui tomar esse café da manhã, eu observei uma coisa: a gente não tem novos empreendimentos, novos investimentos, se a gente não tiver segurança. A segurança atrai investimento novo, que é geração de trabalho, geração de renda", afirmou Jeanine, conectando dois temas que frequentemente são tratados isoladamente na agenda pública.
A observação não é retórica vazia. Ela reflete 20 anos de experiência em serviço público, durante os quais Jeanine trabalhou em operações de segurança que transformaram realidades locais.
"Eu tive a honra de ter atuado numa operação de segurança pública e ver como a segurança é tão necessária para toda a população fluminense e como a segurança desencadeia tantas outras ações para qualidade de vida da população", completou.
O desafio da segurança cotidiana
A realidade que Jeanine descreve é vivida por milhões de cariocas. "Hoje a gente vive uma questão de roubo de celular, assaltos, roubo de carro, uma violência que a gente precisa ter políticas públicas efetivas que possam dar, além da sensação numérica de dados estatísticos, a sensação para a população", afirmou.
A distinção que ela faz é crucial: não basta reduzir números em relatórios.
É necessário que a população sinta segurança no seu dia a dia. "Eu tenho uma filha pequena e o ir e vir deixou de ser uma coisa segura, normal. Agora você tem preocupações que antes você poderia não ter", revelou, humanizando um problema que frequentemente é tratado apenas em termos estatísticos.
Segurança Presente: dados que falam por si.
A operação Segurança Presente, que Jeanine ajudou a estruturar, oferece evidência concreta de que políticas públicas bem executadas funcionam.
"A gente conseguiu mudar os locais onde hoje estão implantadas 64 bases, são 29 municípios e, de fato, você tem uma política pública com segurança de proximidade que deixa esse cidadão que anda nesses locais mais seguro para poder ter uma qualidade de vida para sua família melhor", explicou.
A estratégia de segurança de proximidade — presença constante de agentes em áreas comerciais e de circulação, provou-se eficaz em reduzir crimes contra o patrimônio e aumentar a sensação de segurança.
O modelo, que começou como operação piloto, expandiu-se para 29 municípios, demonstrando viabilidade e replicabilidade.
Mulher Presente: acolhimento multidimensional
Se Segurança Presente foi o ponto de partida, Mulher Presente é a evolução natural dessa filosofia. Jeanine idealizou e implantou o programa, que vai muito além do combate à violência doméstica.

"Esse projeto é um filho que eu tive a oportunidade de idealizar e implantar. Hoje a gente tem uma base piloto que é ali na Praça Sete. É uma base que, no mês de março, fez mais de 400 atendimentos", revelou.
O programa funciona como hub de acolhimento multidisciplinar. "A gente tem dentro da operação Mulher Presente segmentos, eixos que eles atendem desde a área de saúde, educação, empregabilidade, capacitação, área da família e, claro, reforçando toda essa rede em combate à violência contra a mulher", detalhou.
A estrutura inclui assistentes sociais, psicólogos, policiais militares e civis, agentes penitenciários, todos trabalhando em conjunto para oferecer acolhimento inicial e encaminhamento para a rede de proteção.
"A gente faz uma triagem no primeiro momento, acolhe aquela mulher e encaminha, direciona a mulher para toda a rede, não só pública, mas também privada dentro da área da necessidade dela", explicou.
Além da violência: empoderamento econômico
Um aspecto frequentemente negligenciado em programas de proteção à mulher é o empoderamento econômico.
Jeanine expandiu Mulher Presente para incluir isso. "Não é só para mulheres em estado de vulnerabilidade. São para mulheres que hoje, por exemplo, buscam uma melhoria na sua capacitação, buscam crescer no mercado de trabalho, buscam outras oportunidades, buscam um atendimento de saúde especializado", afirmou.
A parceria com instituições privadas, universidades, hospitais, empresas amplia o alcance do programa.
A gente convencia não só com a rede pública, mas também com parceiros privados.
Ali na Tijuca tem um nicho muito grande de várias áreas. Então tem grandes parceiros ali, desde universidades, hospitais, que fazem esse trabalho em parceria com a rede pública, revelou.
A complexidade da violência doméstica
Jeanine abordou um aspecto que frequentemente fica invisível nas estatísticas: o impacto da violência doméstica na família como um todo.
"A família que sofre não é só a mulher que sofre a violência. Isso vai para os filhos, vai para a mãe, para o pai. Então é uma conjuntura que precisa ser acolhida, precisa ser tratada, precisa ser cuidada", afirmou.
A observação reflete compreensão profunda de que violência doméstica não é problema isolado — é fenômeno sistêmico que afeta gerações.
"A gente vive hoje num estado em que a violência doméstica é uma realidade que a gente precisa combater.
A gente tem que orientar essa mulher, a gente tem que acolher, a gente tem que cuidar, a gente precisa sim conscientizar toda a sociedade e os homens, chamar os homens na proteção dessas mulheres", completou.
Do serviço público para a política: a hora de candidatar-se
Jeanine recentemente se descompatibilizou do cargo de subsecretária para lançar sua pré-candidatura a deputada estadual.
"Eu me descompatibilizei do cargo do secretário recentemente para poder vir me candidatar. Eu hoje estou pré-candidata a deputado estadual pelo Rio de Janeiro", anunciou.
A decisão reflete convicção de que sua experiência pode ser melhor aproveitada na legislatura.
"Eu acho que chegou o momento de mais mulheres colocarem o seu nome para a sociedade ter opções. Então, acho que a gente precisa reformular a política; a gente precisa de pessoas capacitadas tecnicamente", afirmou.
Uma trajetória multifacetada.
Jeanine traz para a campanha uma trajetória que transcende segurança pública. "Eu tenho 20 anos de serviço público, eu tenho algumas políticas públicas com as quais trabalhei com resultados eficientes, efetivos, com resultados práticos.
Eu trabalho não só na área de segurança pública, mas eu tenho trabalho de esporte, de ações sociais", revelou.
Sua história pessoal também molda sua agenda política. "Eu fui atleta, meu pai foi jogador de futebol profissional.
Então eu tenho questões que eu carrego ao longo da minha vida que eu acho que podem fazer muito sentido para a gente de fato mudar o comportamento da nossa sociedade hoje", afirmou.
Causas que definem uma candidatura
Para Jeanine, a candidatura não é sobre poder, é sobre causas. "Eu tenho essa causa que eu carrego ao longo da minha vida, que é a proteção dos direitos da mulher.
Então é uma situação, hoje em dia, que a gente precisa se unir; a sociedade precisa combater essa violência toda que a mulher sofre, a gente precisa mudar essa realidade", afirmou com convicção.
Sua plataforma é ampla: "A gente precisa de fato ter uma sociedade mais justa, uma sociedade mais digna, e não só mais segura, mas com uma qualidade de vida para nossos filhos, para nossa sociedade.
Então, estou me colocando agora à disposição para, de fato, a gente poder trabalhar nessas causas que eu acho que de fato a gente tem condição de mudar a realidade do estado do Rio de Janeiro".
Sobre Jeanine Domenech
Jeanine Domenech é advogada, doutora em Direito, vice-presidente do Instituto Mulheres de Direita e pré-candidata a deputada estadual pelo Rio de Janeiro.
Com 20 anos de experiência em serviço público, atuou como subsecretária de Projetos Especiais do governo do estado, onde idealizou e implantou programas inovadores como Mulher Presente.
Anteriormente, foi vice-presidente do Tribunal de Justiça Desportivo. Sua trajetória profissional combina expertise jurídica com atuação prática em segurança pública, direitos da mulher, esporte e ações sociais.
Atleta de formação, seu pai foi jogador de futebol profissional. Jeanine carrega consigo a convicção de que esporte é ferramenta de inclusão e resgate social.
Sua candidatura reflete compromisso com reformulação da política por meio de profissionais capacitados e com resultados comprovados.
Defende políticas públicas integradas que combinem segurança, empoderamento feminino, educação e qualidade de vida.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade e Antonio Lemos @djportugues
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