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Em entrevista exclusiva ao CNN Esportes S/A, Rodolfo Landim, ex-presidente do Flamengo, revelou sua preocupação com o futuro do projeto do estádio próprio do clube e não descartou um retorno à presidência caso perceba que a atual gestão não esteja dando a devida atenção à iniciativa que ele considera fundamental para o crescimento financeiro do rubro-negro.
Link da entrevista:
https://www.youtube.com/live/nhXT1n4wQlM
"Eu tenho dúvidas se essa administração atual é comprometida com a construção do estádio. Tudo que eu venho ouvindo são coisas pequenas passadas para a imprensa, já tentando mudar a narrativa para arrumar uma desculpa para não fazer", afirmou Landim, que completou: "Esse é um dos motivos que poderia me fazer pensar em um dia voltar para o Flamengo. Se esse projeto não for levado adiante, isso é uma coisa que pode me motivar no futuro."
Durante a entrevista conduzida por João Vittor Xavier, o ex-presidente detalhou o extenso trabalho realizado para viabilizar o projeto do estádio, incluindo a aquisição do terreno após quatro anos de negociações com a Prefeitura do Rio de Janeiro. Segundo Landim, estudos preliminares indicam que o estádio próprio poderia gerar uma receita adicional de pelo menos R$ 200 milhões anuais para o clube.
"A gente contratou uma empresa de engenharia especialista em estádios, associada com discussões da parte de marketing esportivo. Queríamos fazer um grande mix, com espaço para o torcedor raiz do Flamengo, que assiste em pé, com ingresso mais popular, e também áreas com mais conforto e valor agregado de serviço", explicou.
O engenheiro destacou que o projeto foi cuidadosamente planejado, considerando aspectos como transporte público de massa, já que cerca de dois terços dos torcedores que vão ao Maracanã utilizam esse meio de locomoção. "Você não vai ganhar mais dinheiro só no ingresso do torcedor comum, mas no ingresso que você vai vender para empresas, para networking", ressaltou.
Landim revelou ainda que, no final de sua gestão, encaminhou um orçamento para o clube com duas partes totalmente segmentadas: uma para a administração regular e outra específica para o estádio. No entanto, segundo ele, "pela primeira vez desde 1992, o Conselho de Administração deixou de analisar uma proposta de orçamento do clube", sendo que o presidente do conselho na época é o atual presidente do Flamengo.
Durante a entrevista, o ex-presidente também abordou outros temas relevantes, como a transformação financeira do clube durante sua gestão de seis anos, quando a dívida passou de mais de três vezes o faturamento para menos de um quarto da receita atual. "A dívida hoje é administrada tranquilamente. É uma dívida que a gente nem tem interesse de pagar no curto prazo porque ela roda CDI, é o dinheiro mais barato que tem no mercado", explicou.
Sobre a possibilidade de o Flamengo se tornar uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol), Landim foi categórico: "Enquanto não houver uma necessidade imperiosa, não vejo isso acontecendo. Para os grandes clubes, essa necessidade não existe." Segundo ele, o clube vale aproximadamente 1 bilhão de dólares (cerca de R$ 6 bilhões) caso fosse transformado em empresa.
Outro ponto importante abordado na entrevista foi a crescente distância competitiva entre o futebol sul-americano e o europeu. Landim fez uma análise histórica, lembrando que até os anos 90 havia um equilíbrio entre campeões mundiais dos dois continentes, mas que nas últimas décadas os europeus dominaram completamente.
"Quando eu ligo a TV, a atratividade do jogo do Campeonato Brasileiro é disputada com o jogo da Premier League, da La Liga. E pior, a meninada hoje está assistindo mais os campeonatos europeus", alertou o ex-presidente, que complementou: "Quando desço na quadra de futebol de salão do meu condomínio, enxergo uma garotada com a camisa do Barcelona, do Real Madrid, do PSG. Quando eu era garoto, isso não existia."
Para Landim, a solução passa necessariamente pela melhoria do produto futebol brasileiro como um todo, não apenas por um ou dois clubes isolados. "Não dá para fazer isso tendo apenas um clube, uma grande estrela, imaginando que os outros clubes não são importantes, porque esse produto não vai ficar interessante", explicou.
O ex-presidente mencionou seu trabalho na tentativa de criação de uma liga nacional e elogiou diversos dirigentes atuais que, segundo ele, estão preparados para trabalhar na evolução do futebol brasileiro. "Se nós somos tão importantes na formação de talentos para o mundo, precisamos também nos organizar para ter uma liga ou um campeonato com qualidade que possa competir com estes que estamos vendo pela TV", defendeu.
Legado de títulos e gestão financeira
Durante os seis anos de gestão de Landim, o Flamengo conquistou 13 títulos, incluindo duas Libertadores e dois Brasileiros. Quando questionado se faltou algo em sua gestão, o ex-presidente apontou apenas o Mundial de Clubes.
"Fomos para três finais de Libertadores e ganhamos duas, fomos para três finais de Copa do Brasil e ganhamos duas, ganhamos dois Brasileiros, Recopa, Supercopa... O que faltou foi o Mundial", lamentou Landim, que analisou as duas participações do clube na competição durante sua gestão.
Sobre a primeira final, contra o Liverpool em 2019, ele acredita que o Flamengo poderia ter tido um resultado diferente se tivesse um elenco mais equilibrado entre titulares e reservas. Já na segunda participação, Landim considera que o time foi "muito prejudicado" no primeiro jogo e acabou ficando em terceiro lugar.
O ex-presidente destacou ainda o crescimento da torcida do Flamengo durante sua gestão, especialmente entre os jovens. "A gente saiu de uma torcida geralmente inferior a 20% e cresceu nesses seis anos para algo como 24 e pouco por cento, muito focado na turma jovem. Isso é um legado que a gente deixa, que garante o torcedor do futuro", comemorou.

Visão sobre as SAFs no futebol brasileiro
Ao analisar o movimento de clubes brasileiros se transformando em Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), Landim foi claro ao afirmar que "o fato de você ser SAF, de você ter investidores e se tornar uma sociedade anônima, isso não garante boa gestão de forma alguma".
O ex-presidente citou exemplos de clubes que viraram SAFs, foram mal administrados e se deram mal, enquanto outros tiveram aportes de recursos e se deram bem. No entanto, ele alertou para casos de clubes que receberam investimentos muito além de sua capacidade normal de geração de receita: "A gente que entende alguma coisa de administração financeira olhava e dizia: 'Isso aí não se sustenta, o dinheiro não vai voltar'."
Apesar das ressalvas, Landim vê o movimento das SAFs como "extremamente positivo" para o futebol brasileiro. "Ele entra na linha daquilo que falei, da melhoria da qualidade do futebol como um todo, melhora o ecossistema. Você tem investimento para o futebol, é importante para a gente poder fazer um produto bom", concluiu.
A entrevista de Rodolfo Landim ao CNN Esportes S/A oferece um panorama completo sobre os desafios e oportunidades do futebol brasileiro, especialmente para clubes de grande porte como o Flamengo, além de deixar no ar a possibilidade de seu retorno à presidência do clube caso o projeto do estádio próprio não avance como planejado durante sua gestão.
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