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Moraes revoga cautelares, retira tornozeleira e libera Márcio Canella para campanha ao Senado
Decisão do STF derruba recolhimento domiciliar, comparecimento à Justiça e retenção de passaportes após comprovação de que fuzil encontrado em carro era legal e pertencia a policial da escolta
Reviravolta no STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, revogou nesta quinta-feira (23) todas as medidas cautelares impostas ao ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella (União Brasil). Com a decisão, Canella deixará de usar tornozeleira eletrônica, não precisará mais cumprir recolhimento domiciliar durante a noite e fins de semana, nem comparecer semanalmente à Justiça. Os passaportes do político também serão devolvidos.
A reviravolta judicial ocorre 16 dias após a prisão de Canella, no dia 7 de julho, durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. Na ocasião, agentes encontraram um fuzil no porta-malas do veículo utilizado pelo ex-prefeito, o que levou à prisão em flagrante por porte ilegal de arma. Canella foi solto três dias depois, no dia 11 de julho, mas passou a cumprir as restrições que agora foram integralmente suspensas.
A comprovação da legalidade da arma
O elemento central que mudou o curso do processo foi a comprovação documental apresentada pela defesa. As investigações confirmaram que o fuzil calibre 556 encontrado no carro de Canella estava legalmente registrado em nome do sargento Alexandre Paixão da Silva Júnior, policial militar integrante da escolta de segurança do ex-prefeito.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro informou que o armamento havia sido retirado oficialmente do arsenal da corporação e acautelado ao policial, com autorização formal para utilização no serviço de segurança. O sargento havia sido cedido ao Detran e, segundo apuração da TV Globo, fazia parte da equipe de segurança que acompanhava o ex-prefeito. A documentação apresentada afastou a suspeita inicial de que a arma pertencesse irregularmente a Canella.
Com base nesses novos elementos, Moraes concluiu que não permaneciam motivos concretos para manter as restrições. Na decisão, o ministro determinou a revogação imediata de todas as cautelares e a devolução dos passaportes.
O peso político da decisão
A retirada das medidas cautelares chega em momento estratégico. Canella é pré-candidato ao Senado Federal pela aliança entre o União Brasil e o PL, com apoio declarado do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República. Rogéria Bolsonaro, mãe do senador, é a primeira suplente da chapa de Canella.
A aproximação com a família Bolsonaro não é recente. Canella preside o União Brasil no Rio de Janeiro e foi anunciado por Flávio Bolsonaro ainda em fevereiro de 2026 como um dos nomes que apoiaria para o Senado, ao lado do governador Cláudio Castro. A aliança entre as siglas no estado é considerada estratégica para as eleições de outubro.
Com a suspensão das cautelares, Canella poderá retomar a agenda política nas ruas, participar de reuniões, percorrer municípios e cumprir compromissos de campanha. Aliados avaliam que a comprovação da legalidade da arma e a retirada das restrições encerram uma etapa de incerteza e permitem que o ex-prefeito concentre novamente seus esforços na corrida eleitoral.
A trajetória do ex-prefeito
Márcio Correia de Oliveira, mais conhecido como Márcio Canella, nasceu em Duque de Caxias em 25 de junho de 1977, e construiu uma das carreiras políticas mais vertiginosas da Baixada Fluminense. Começou como vereador mais votado de Belford Roxo em 2012, com 5.683 votos. Dois anos depois, elegeu-se deputado estadual pelo PSL com 34.495 votos, e foi reeleito em 2018 pelo MDB com 110.167 votos, o segundo mais votado para o cargo.
Em 2022, alcançou a maior votação entre todos os deputados estaduais do Rio de Janeiro, com 181.274 votos, já pelo União Brasil. No ano seguinte, elegeu-se prefeito de Belford Roxo com 62,88% dos votos válidos, derrotando o grupo político do ex-prefeito Waguinho, de quem foi vice-prefeito entre 2017 e 2020. Renunciou ao cargo em abril de 2026 para disputar o Senado.
Canella é investigado na Operação Unha e Carne, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 7,6 bilhões por meio de uma rede de postos de combustíveis, com suposta anuência de agentes públicos. O ex-prefeito nega as acusações.
O cenário eleitoral no Rio
A liberação de Canella ocorre em meio a um tabuleiro político cada vez mais movimentado no Rio de Janeiro. O pré-candidato ao Senado enfrentará uma disputa que envolve desde nomes ligados ao bolsonarismo até candidaturas da base do governo estadual. A aliança União Brasil-PL é considerada uma das chapas mais fortes na disputa pela vaga ao Senado.
Aliados de Canella já articulam uma série de compromissos públicos para os próximos dias, incluindo visitas a municípios da Baixada Fluminense e da região metropolitana. O ex-prefeito deve concentrar sua campanha no eleitorado da Baixada, onde construiu sua base política ao longo de mais de uma década. A expectativa é que ele volte a circular livremente já nos próximos dias.
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Perfil
Márcio Canella tem 49 anos, nasceu em Duque de Caxias e iniciou a carreira política em 2012 como vereador mais votado de Belford Roxo. Foi deputado estadual por três mandatos consecutivos (2015-2024), tendo sido o parlamentar mais votado do estado em 2022, com mais de 181 mil votos. Eleito prefeito de Belford Roxo em 2024 com 62,88% dos votos válidos, renunciou ao cargo em abril de 2026 para concorrer ao Senado. Preside o União Brasil no Rio de Janeiro e é pré-candidato ao Senado na aliança com o PL, tendo Flávio Bolsonaro como um de seus principais apoiadores. Rogéria Bolsonaro é sua primeira suplente.
Fontes: G1, CNN Brasil, O Globo, UOL, Valor Econômico, Revista Fórum, Veja, Wikipedia, STF, Polícia Federal, Polícia Militar do RJ, ALERJ, Tribunal Superior Eleitoral.
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