Mais uma profecia de Garotinho vira realidade e Canella segue preso, PF prende ex-prefeito e ex-secretário de Polícia Civil em investigação de lavagem de dinheiro

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Márcio Canella é autuado em flagrante durante investigação de esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 7,6 bilhões

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a sexta fase da Operação Unha e Carne, desarticulando uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro como plataforma para lavagem de dinheiro. A ação resultou na prisão em flagrante do ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado Márcio Canella, que foi encontrado portando um fuzil calibre 5,56 de uso restrito.

A Prisão e as Apreensões

Márcio Correia de Oliveira, conhecido como Márcio Canella, foi conduzido à Superintendência da Polícia Federal no Centro do Rio para prestar depoimento após ser autuado em flagrante por posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. O fuzil foi localizado no interior do veículo do político durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão.

Na residência de Canella, localizada na Barra da Tijuca, agentes federais apreenderam armamento adicional, munições e relógios de luxo. A operação também resultou na apreensão de aproximadamente R$ 800 mil em espécie em uma das empresas investigadas, localizada em Niterói. Mais de dez veículos de luxo foram sequestrados, incluindo uma Mercedes-Benz avaliada em cerca de R$ 1,5 milhão, uma Land Rover Defender, uma BMW e outras unidades de alto valor agregado.

Esquema de Lavagem de Dinheiro

Segundo relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a organização criminosa movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos através da rede de postos de combustíveis. A investigação aponta participação de agentes públicos no esquema, caracterizando um caso de corrupção institucional que compromete a segurança pública e a integridade do Estado.

A operação cumpriu 19 mandados de busca e apreensão distribuídos entre a capital fluminense e os municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. Foram determinados o sequestro de bens e valores dos envolvidos, além da suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.

Outros Alvos da Operação

O delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, também é alvo da investigação. Amim ocupou a pasta entre 2023 e 2024, deixando o cargo por decisão do então governador Cláudio Castro. Durante sua gestão, levou diversos policiais para o Detran-RJ, incluindo o inspetor Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo.

Russo ingressou na Polícia Civil em junho de 2003 e atualmente trabalha como inspetor na 81ª DP (Itaipu). Segundo dados do Portal da Transparência, seu salário líquido mensal é de R$ 9.647,44. Contudo, levantamento da Polícia Federal aponta que ele seria proprietário oculto de uma vasta rede de postos de gasolina, utilizando laranjas e envolvendo mais de 80 empresas registradas em nome de parentes.

O ex-policial militar Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, também está entre os investigados. Condenado a mais de 20 anos de prisão por homicídio e associação criminosa, Jura foi excluído da Polícia Militar em 2011. Após decisão judicial em 2023, deixou o sistema prisional e passou a cumprir pena em regime de livramento condicional. Ele é acusado de chefiar um grupo de milicianos na Baixada Fluminense, com cerca de 70 integrantes, atuando em bairros de Nova Iguaçu.

Trajetória Política de Márcio Canella

Canella iniciou sua carreira política em 2012, quando foi eleito vereador de Belford Roxo. Em 2014, elegeu-se deputado estadual pelo Rio de Janeiro. Dois anos depois, em 2016, foi eleito vice-prefeito de Belford Roxo, reelegendo-se como deputado estadual em 2018. Em 2024, venceu a disputa pela Prefeitura de Belford Roxo, renunciando ao cargo no início de 2026 para concorrer ao Senado com apoio do PL de Flávio Bolsonaro.

Durante a campanha de 2024, Canella foi flagrado portando uma arma de fogo na cintura durante um evento de campanha, em registro que viralizou nas redes sociais. Seu mandato à frente da Prefeitura foi marcado pelo discurso voltado à segurança pública, com iniciativas como a instalação de câmeras de monitoramento em diferentes pontos da cidade.

Contexto Jurídico e Investigativo

Os investigados podem responder pelos crimes de organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, conforme previsto na Lei de Lavagem de Dinheiro (Lei nº 9.613/1998) e no Código Penal. O porte ilegal de arma de fogo de uso restrito é tipificado no artigo 16 da Lei nº 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento), que prevê pena de dois a quatro anos de reclusão.

A ação está inserida no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal que visa desarticular organizações criminosas atuantes no Estado do Rio de Janeiro, conforme diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635, conhecida como a ADPF das Favelas.

Resposta Institucional

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaurou investigação disciplinar para apurar os fatos. Em nota oficial, a instituição reafirmou que "não compactua com eventuais desvios de conduta" e mantém mecanismos de controle interno voltados à apuração de irregularidades, colaborando com demais órgãos quando necessário.

O Coaf, por sua vez, informou que os Relatórios de Inteligência Financeira são elaborados após análise de comunicações de operações consideradas suspeitas ou atípicas, sendo encaminhados às autoridades competentes como a Polícia Federal e o Ministério Público para subsidiar investigações criminais.

Fontes

G1 Rio de Janeiro. "Operação Unha e Carne: PF mira R$ 7,6 bi em postos de combustíveis". Disponível em: g1.globo.com. Acesso em 7 de julho de 2026.

O Globo. "Ex-prefeito Márcio Canella é levado para PF na 6ª fase da Operação Unha e Carne". Disponível em: oglobo.globo.com. Acesso em 7 de julho de 2026.

Extra. "Ex-prefeito Márcio Canella é preso pela PF na Operação Unha e Carne". Disponível em: extra.globo.com. Acesso em 7 de julho de 2026.

CNN Brasil. "Alvos de operação por lavagem de dinheiro com postos movimentaram R$ 7,6 bi". Disponível em: cnnbrasil.com.br. Acesso em 7 de julho de 2026.

Congresso em Foco. "PF investiga lavagem de R$ 7 bilhões; Canella e Marcus Amim são alvos". Disponível em: congressoemfoco.com.br. Acesso em 7 de julho de 2026.

Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Relatório de Inteligência Financeira. 2026.

Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998. Lei de Lavagem de Dinheiro. Diário Oficial da União.

Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003. Estatuto do Desarmamento. Diário Oficial da União.

Supremo Tribunal Federal. ADPF 635 - ADPF das Favelas. Disponível em: stf.jus.br. Acesso em 7 de julho de 2026.

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Por Ultima Hora em 08/07/2026
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