Marcos Braz assume mandato na Câmara dos Deputados com 13 títulos, 79 leis e um processo por agressão no currículo

Marcos Braz assume mandato na Câmara dos Deputados com 13 títulos, 79 leis e um processo por agressão no currículo

Ex-vereador com histórico de agressão, 13 títulos rubro-negros assume mandato federal pelo PSDB e já se coloca como pré-candidato nas eleições de 2026

Brasília, 28 de maio de 2026 — A Câmara dos Deputados recebeu nesta quinta-feira um novo parlamentar cujo nome é conhecido muito além dos corredores políticos. Marcos Teixeira Braz, 55 anos, ex-vice-presidente de futebol do Flamengo e ex-vereador do Rio de Janeiro, assumiu o mandato de deputado federal pelo PSDB fluminense, na vaga aberta pelo afastamento do deputado Luciano Vieira. A chegada de Braz ao Congresso Nacional, no entanto, é recebida com um misto de celebração entre rubro-negros e desconfiança entre analistas políticos.

A trajetória de Braz é marcada por contrastes que desafiam a narrativa convencional. De um lado, os números que ostenta como cartão de visitas: 13 títulos conquistados pelo Flamengo durante sua gestão como vice-presidente de futebol — incluindo duas Libertadores, dois Brasileiros e uma Copa do Mundo de Clubes. De outro, um histórico parlamentar que inclui o nada honorável posto de vice-campeão de faltas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e um processo no Conselho de Ética por agressão a um torcedor dentro de um shopping center na Barra da Tijuca.

Da Gávea ao Congresso: a ponte entre o futebol e a política

Nascido em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Marcos Braz iniciou sua carreira política muito antes de se tornar conhecido nacionalmente como dirigente esportivo. Foi secretário municipal de Esportes e Lazer do Rio de Janeiro entre 2015 e 2016, e elegeu-se vereador da capital fluminense em 2020 com uma votação expressiva, impulsionada pela sua atuação à frente do departamento de futebol do Flamengo.

A filiação ao PSDB em março de 2026, conforme noticiou o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, marcou uma virada na estratégia política de Braz. Até então filiado ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, sua migração para a legenda tucana foi interpretada como um movimento calculado para ampliar seu arco de alianças e fugir do desgaste de legendas associadas ao bolsonarismo no Rio de Janeiro.

A vaga na Câmara dos Deputados veio com o afastamento de Luciano Vieira (PSDB-RJ), e Braz não perdeu tempo. Já na posse, tratou de se apresentar como pré-candidato ao cargo nas eleições de outubro, apostando no recall eleitoral proporcionado pelos anos de exposição na mídia esportiva.

79 leis aprovadas versus faltas e um soco na Zona Oeste

Em seus canais digitais, Braz destaca a aprovação de 79 leis durante sua passagem pela Câmara Municipal, número que usa como principal argumento de sua produtividade legislativa. Entre as propostas, projetos voltados ao esporte amador, à assistência social e à mobilidade urbana.

O currículo parlamentar, no entanto, é ofuscado por episódios que ganharam as páginas policiais e os noticiários nacionais. Em setembro de 2023, Braz foi filmado por câmeras de segurança do Shopping Metropolitano, na Barra da Tijuca, agredindo fisicamente um torcedor do Flamengo. As imagens, obtidas pela GloboNews, mostram o então vereador partindo para cima do homem após uma discussão. O caso foi parar no Conselho de Ética da Câmara do Rio.

A vítima e o agressor: a versão que não convenceu o Ministério Público

O caso da agressão ao torcedor teve desdobramentos jurídicos significativos. Inicialmente arquivado pelo Conselho de Ética com base na versão apresentada pelo vereador, o processo foi reaberto em janeiro de 2024 após a divulgação de novas imagens que contradiziam o depoimento de Braz. O Ministério Público contestou formalmente o arquivamento, e o Conselho foi obrigado a reavaliar a conduta do parlamentar.

O episódio gerou uma série de reportagens e análises que questionavam a compatibilidade entre o cargo público e o comportamento pessoal de Braz. "Não compactuo com sacanagem", declarou Braz à piauí na ocasião, em uma tentativa de reposicionar sua imagem pública.

Os 13 títulos e a herança rubro-negra

É impossível entender a trajetória política de Marcos Braz sem passar pelos gramados. Sua gestão como vice-presidente de futebol do Flamengo, entre 2019 e 2024, foi a mais vitoriosa da história centenária do clube. Foram duas Libertadores (2019 e 2022), dois Campeonatos Brasileiros (2019 e 2020), uma Copa do Mundo de Clubes (2019), duas Supercopas do Brasil, três Campeonatos Cariocas e um título da Copa do Brasil.

O desempenho esportivo transformou Braz em uma figura midiática de alcance nacional, condição que ele capitalizou politicamente. Em março de 2021, ao ser questionado se teria usado o Flamengo para se eleger vereador, Braz rebateu: "Outros foram candidatos e jamais tiveram nossos votos".

Após deixar o Flamengo em 2024, Braz assumiu o cargo de diretor executivo do Clube do Remo, em Belém do Pará, ampliando sua projeção para a região Norte. A passagem pelo Remo, no entanto, foi curta e vista como um movimento preparatório para o retorno à política nacional.

A pré-candidatura dos rubro-negros

Com a posse na Câmara dos Deputados, Braz agora disputa as eleições de outubro de 2026 em uma posição privilegiada: como parlamentar em exercício, com direito a mandato, gabinete, verba indenizatória e tempo de televisão. A estratégia é clara — Braz quer capitalizar o enorme eleitorado flamenguista do Estado do Rio de Janeiro, estimado em milhões de torcedores.

"É a caça aos votos dos rubro-negros na eleição de 2026 no Rio", resumiu o colunista Lauro Jardim, do Globo. A filiação ao PSDB, partido com pouca tradição no Estado, sugere que Braz aposta mais em seu nome próprio do que na legenda.

A aposta não é trivial. O Rio de Janeiro tem uma das disputas proporcionais mais acirradas do país, com candidatos de peso como Eduardo Bandeira de Mello, ex-presidente do Flamengo, também na corrida. A divisão do eleitorado rubro-negro pode beneficiar terceiros nomes.

Entre a cadeira e o banco de reservas

Aos 55 anos, Marcos Braz chega ao Congresso Nacional carregando currículo duplo — o de gestor esportivo vitorioso e o de parlamentar com histórico disciplinar questionável. A pergunta que assessores políticos e analistas fazem é: qual dos dois Brasis prevalecerá na Câmara dos Deputados?

Com 79 leis aprovadas como vereador, discurso afinado com a direita moderada do PSDB e uma base eleitoral apaixonada, Braz parte na frente em popularidade. Mas as faltas, o processo no Conselho de Ética e a sombra da agressão ao torcedor são pesos que o novo deputado carregará durante toda a campanha.

Sobre Marcos Braz

Marcos Teixeira Braz nasceu em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, em 21 de abril de 1971. Começou a carreira pública como Secretário Municipal de Esportes e Lazer do Rio de Janeiro entre 2015 e 2016. Eleito vereador em 2020 com forte apoio da torcida do Flamengo, tornou-se conhecido nacionalmente como vice-presidente de futebol do clube durante o período mais vitorioso de sua história. Acumula 13 títulos rubro-negros e 79 leis aprovadas na Câmara Municipal. Em 2026, filiou-se ao PSDB e assumiu mandato de deputado federal. Fora da política, é figura de destaque no esporte brasileiro e mantém uma base de mais de 865 mil seguidores no Instagram.

Fontes: R7 Planalto (Lis Cappi), O Globo (Lauro Jardim), CNN Brasil, G1 GloboNews (Marcelo Bruzzi), revista piauí, Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Câmara dos Deputados, Wikipedia

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Por Ultima Hora em 28/05/2026
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