O EQUILÍBRIO DOS GÊNEROS E A EDUCAÇÃO IV

O EQUILÍBRIO DOS GÊNEROS E A EDUCAÇÃO IV

     A análise dessas estruturas sociais nos leva, por fim, às considerações sobre a sexualidade humana no tocante à manifestação  mais autopoiética entre humanos, qual seja a da troca do amor. 

    Amor não se troca por obrigação, nem se troca por dinheiro, não se avilta, nem se rebaixa; amor é, na verdade, a manifestação mais profunda e interna e, por isso mesmo autopoiética, na visão de Maturana. 

    O amor não reserva espaços, não admite propriedade nem eliminação, exatamente por não haver posse, mas simplesmente, doação livre e consentida onde as partes envolvidas se aceitam plenamente. 

    A expressão típica da sociedade patriarcal “os homens e as mulheres são iguais, porém, com posições diferentes” que muito se houve, tem referência à questão da sexualidade e até das posições de realização do próprio ato sexual quando se considera a posição incuba ou súcuba (Hanke-Heinemann, 1973).

    O amor não é obrigação, nem algo que surja de alguma coisa que se tornou obrigatória, aleatória ou monótona. Ele, sendo livre e fruto da espontaneidade, sempre será novo e independente da idade dos que o vivem. O amor humano será sempre  amplo e complexo, será reflexo, rejeitando as determinações de tempo e lugar. 

    Quanto mais matrística, a sociedade, mais o amor será fruto do carinho, da consideração e da ética do cuidado, a ponto do toque em determinado ponto do corpo humano ter um significado ampliado para um toque em toda a história da pessoa (Dalai Lama, 1998). 

    Todas as considerações poéticas e autopoiéticas aqui feitas levam em conta homem e mulher livres em suas ações e manifestações. 

    A sociedade patriarcal exerce uma influência muito forte na sexualidade porquanto se  inspira na necessidade constante de procriar, desenvolvendo e justificando uma moral que visa, no ato sexual, unicamente a procriação. Assim agindo para poder manter rebanhos, casas, campos agricultados e sobreviver na nova fase  da humanidade, muito se retirou do saber e do sabor da sexualidade. Perdeu-se a doação carinhosa entre homem e mulher e perdeu-se o linguajear fora do ato procriador. Esse linguajear poético e autopoiético passaram a ter  uma desconsideração a ponto dos homens poetas terem alguma vergonha de expressar seu amor em prosa ou verso. O amor fixou-se no feminino e, a agressão, no masculino. As escolhas masculinas e, as submissões, femininas, na sociedade patriarcal. 

    Estas são justificativas após sínteses elaboradas na consideração do equilíbrio necessário. 

    Nossa sociedade, hoje, não precisa mais de tanta gente e pode, em conseqüência, dedicar-se muito ao carinho tipicamente matrístico e realizador dos humanos, sem se preocupar unicamente com o ato de procriar, sobretudo aquele irresponsável que coloca no mundo seres humanos que não conseguirão passar do estágio de órfãos de pais vivos. 

    A escola recebe, então, uma leva sem precedentes de seres desumanizados que descarregam no consumismo a busca incessante do preenchimento de suas lacunas afetivas. 

    A educação para o amor, para o cuidado, para o respeito em relação às diferenças, ao desenvolvimento e incentivo às parcerias e solidariedade, se não fizerem parte intrínseca do currículo e práticas pedagógicas, só servirão para reforçar o uso das pessoas e, não, a troca da carícia como sinal de respeito e amor. 

    Por fim, a ação de planejar a prole vai se tornando responsável e desligando-se de um fundamento de egoísmo que viaja para a Europa com o dinheiro da filha que não nasceu e troca o carro com o empréstimo feito para o filho que foi, por essa razão, evitado.

    Planejar é diferente de controlar. Se há controle, alguém controla. A sociedade patriarcal que antes controlava para aumentar, agora deseja controlar para diminuir. 

    Uma relação de equilíbrio será matrística ou neomatrística e desenvolve além da ética do cuidado, a ética da contenção. Tais decisões, porém, são da intimidade das pessoas e, as intervenções de quem não é chamado, costumam ser bastante desagradáveis.  

 

PROF. HAMILTON WERNECK É PEDAGOGO E DOUTOR EM EDUCAÇÃO. ZAPP: 27. 99989.6286

 

    

Por Ultima Hora em 08/07/2026
Aguarde..