O futuro das agências de influência é construir negócios

Com a profissionalização da creator economy, agências ampliam atuação e passam a atuar como consultorias de carreira, reputação e desenvolvimento de marca para criadores de conteúdo

O futuro das agências de influência é construir negócios

 

 

Durante anos, o trabalho das agências de influência foi associado principalmente à intermediação de campanhas publicitárias entre marcas e criadores de conteúdo. No entanto, à medida que a creator economy amadurece e movimenta bilhões de reais globalmente, esse modelo começa a dar lugar a uma atuação mais estratégica, focada na construção de carreiras sustentáveis.

Para Dai Rocha, CEO da Ragatanga, agência especializada em gestão de talentos digitais, o mercado passa por uma transformação que exige uma nova visão sobre o papel das agências. Segundo ela, o futuro do setor está mais ligado à construção de reputação, posicionamento e geração de valor para os criadores.

“Durante muito tempo, o sucesso de um influenciador foi medido pela quantidade de campanhas que ele fechava. Hoje, entendemos que isso é apenas uma parte da equação. O criador que constrói uma carreira sólida precisa desenvolver autoridade, reputação, relacionamento com diferentes públicos e uma estratégia de negócios que vá muito além das redes sociais”, afirma Dai Rocha.

A mudança acompanha a evolução do próprio mercado. Com o aumento da concorrência e a crescente profissionalização dos criadores, torna-se cada vez mais importante diversificar fontes de receita, fortalecer a imagem pública e criar conexões genuínas com as comunidades que acompanham esses profissionais.

Nesse cenário, as agências passam a desempenhar funções que anteriormente não faziam parte de sua atuação principal, como planejamento de carreira, gestão de crise, posicionamento de marca pessoal, relacionamento com a imprensa, desenvolvimento de produtos e identificação de novas oportunidades comerciais.

“Hoje, uma agência precisa pensar como uma consultoria estratégica. Não basta conectar um creator a uma marca. É necessário entender onde ele quer chegar daqui a cinco ou dez anos, quais causas deseja representar, como deseja ser percebido pelo mercado e quais oportunidades fazem sentido para sua trajetória”, explica.

Para Dai, essa mudança exige que as agências acompanhem uma visão mais ampla sobre o papel da influência na sociedade contemporânea.

“Os criadores deixaram de ser apenas canais de mídia. Eles são empresas, marcas e lideranças com impacto real na cultura. O papel das agências será cada vez mais ajudá-los a transformar audiência em legado, reputação e crescimento sustentável”, conclui.

Com a consolidação da creator economy, a tendência é que as agências deixem de ser vistas apenas como intermediadoras comerciais para se tornarem parceiras estratégicas na construção das próximas grandes marcas pessoais do mercado digital.

Por Peterson Baestero em 22/06/2026
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