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As orlas paradisíacas saem do protagonismo quando as temperaturas do Rio de Janeiro ficam abaixo dos 20ºC, enquanto ganham espaço as montanhas e paisagens invernais que também fazem parte do mapa fluminense. Com o início do inverno, neste domingo (21/06), as pousadas, vinícolas, festivais e trilhas de Serra são a pedida de turistas que querem aproveitar as temperaturas baixas no estado mais tropical do país. A ocupação hoteleira da região supera 60% durante esse período e, só em Petrópolis, a expectativa é movimentar mais de R$ 180 milhões em 2026.
Um dos grandes atrativos da cidade nesta época é a Bauernfest, tradicional Festa do Colono Alemão, realizada entre junho e julho e considerada uma das maiores celebrações da cultura germânica. O evento recebeu reconhecimento da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) por meio da Lei 6.251/12, que o incluiu no Calendário Oficial do Estado, e da Lei 9.229/21, que declarou a festa Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Rio de Janeiro.
O programa está na agenda do empresário Gabriel Araújo, de 34 anos. Morador da Zona Oeste da Capital, ele sobe a Serra fluminense para pequenas viagens de fim de semana há anos, especialmente no inverno. No mês dos namorados, Gabriel vai a Petrópolis com a esposa para descansar, curtir um tempo a dois e aproveitar as opções de lazer da cidade.
“Gostamos muito do clima, do friozinho e das opções de eventos que rolam na região. Embora alguns sejam bem cheios, têm uma diferença enorme dos que acontecem na Capital. As opções gastronômicas e o turismo ecológico também nos agradam. Este ano, em especial, nossa ida será bem no fim de semana da Bauernfest”, contou o empresário.
O setor turístico de Petrópolis projeta ocupação média de 85% nos fins de semana durante o inverno, com picos próximos de 100% em datas de grandes eventos, como a Bauernfest. O frio antecipado registrado neste ano já impulsionou as reservas da rede hoteleira. A expectativa da prefeitura é de aumento na geração de empregos temporários, fortalecimento do comércio e aquecimento da gastronomia local durante a temporada.
Sabores locais
Com temperaturas mais baixas, cresce a procura por vinhos, fondues e queijos artesanais que transformam a viagem em uma experiência de degustação. Em Areal, espaços que recriam o charme de um vilarejo medieval, com arquitetura de pedras, praça, capela e uma vista espetacular para as montanhas, caíram no gosto popular. Apelidado pelo público como "Toscana Fluminense", o local se popularizou nas redes sociais pela inspiração nas paisagens e experiências oferecidas pela tradicional região italiana.
Junto com outras cidades da Serra, como Nova Friburgo, a área tem se consolidado como um dos principais destinos do enoturismo fluminense. O potencial do setor levou a Alerj a criar a Lei 11.150/25, que reconheceu a Região Serrana como Capital Estadual do Vinho. A expectativa é que a iniciativa fortaleça ainda mais o turismo de vinhos, apontado como um importante gerador de renda para hotéis, restaurantes, produtores rurais e o comércio local.
Atualmente, a Serra fluminense reúne cerca de 30 vinícolas e mais de 80 hectares de vinhedos. O crescimento da atividade também recebeu reconhecimento da Alerj, que concedeu a Areal o título de Cidade da Uva através da Lei 9.388/21.
A gastronomia é outro atrativo que ajuda a explicar o sucesso da temporada de inverno na Serra. Em Teresópolis, boa parte dos pratos servidos em restaurantes, pousadas e cafés tem origem na produção rural do próprio município, reconhecido pela Alerj como Capital Estadual da Agricultura Familiar pela Lei 9.396/21.
Segundo a Emater-Rio, a cidade possui mais de dois mil produtores rurais e cerca de 90% deles atuam na agricultura familiar. A força do campo reflete diretamente no turismo, que encontra na região ingredientes frescos, produção artesanal e experiências cada vez mais procuradas pelos visitantes.
Aventura também ganha força no inverno
E não é só para descanso que os turistas vão à Serra. Para quem prefere trocar as comidas e vinhos por uma dose de adrenalina, a região também se destaca como um dos principais polos de turismo de aventura do país. Teresópolis, reconhecida pela Lei 7.639/17 como Capital Estadual do Montanhismo, concentra algumas das formações rochosas mais famosas do Brasil, como o Dedo de Deus, a Pedra do Sino e a Agulha do Diabo.
O município abriga ainda três importantes unidades de conservação, incluindo o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, considerado um dos melhores locais do país para a prática de escalada, trekking, rapel e caminhadas em montanha. No ano passado, o parque registrou cerca de 331 mil visitantes, sendo um dos principais destinos de natureza do estado. A temporada de montanhismo, tradicionalmente realizada no inverno, movimenta guias e empresas especializadas em atividades ao ar livre.
Atraído pela aventura, o artista plástico Wagner Carneiro, de 44 anos, fará a Travessia Petrópolis–Teresópolis, considerada uma das caminhadas de longo curso mais bonitas do Brasil, em um percurso que atravessa a parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos.
“Eu quero sentir a experiência de ser levado ao extremo, principalmente pela dificuldade da trilha e pelo frio. Já quero fazer há anos, mas sempre acabo perdendo o período do inverno. Quando vi que, neste ano, as temperaturas estarão mais baixas, resolvi parar de adiar”, contou.
A atividade se tornou um dos principais produtos de ecoturismo da região, ampliando a procura por hospedagem, alimentação e serviços especializados ligados ao turismo de natureza. Em um estado conhecido mundialmente pelo sol e pelas praias, a Serra prova que o frio também pode ser um poderoso motor para o turismo e a economia regional.
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