O jogo é duro em Brasília: O cachimbo é de ouro, o fumo é do povo

O jogo é duro em Brasília: O cachimbo é de ouro, o fumo é do povo

BRASÍLIA – O presidente Lula já percebeu que Brasília entrou no “modo eleição”. Sim, 2026 ainda parece longe no calendário, mas no Congresso, o clima já é de campanha. E a pauta? Cargos, emendas, espaço político e chantagem travestida de articulação. Enquanto o Centrão se lambuza no poder, o governo tenta manter o equilíbrio — mas quem acaba no prejuízo é o de sempre: o povo, claro.

Todo mundo de olho na próxima eleição — menos na conta de luz

Foi só Lula tentar mexer na regra do IOF — aquele imposto que você paga sem nem perceber — que a turma do parlamento mostrou os dentes. O presidente achou que era hora de “quem tem mais, pagar mais”, mas o Congresso, sensível como um rinoceronte em loja de cristais, vetou rapidinho. Resultado: mais um plano do governo cortado pela tesoura dos interesses eleitorais.

Como resposta, a ala econômica sugeriu acionar o STF, mas a Casa Civil preferiu evitar guerra. Afinal, em Brasília, ninguém briga de verdade... desde que tenha cargo e verba no caminho.

Centrão joga no ataque e exige: verba, cargo e silêncio

Enquanto Lula canta pela governabilidade, o Centrão rege o coro da cobrança: quer mais ministérios, mais influência e muito mais dinheiro. A lógica é simples: “sem emenda, sem apoio”. E o governo, para não perder de vez a orquestra, já liberou R$?625 milhões em emendas — mais da metade para partidos do próprio Centrão. Uma espécie de "vale-palanco" antecipado.

É a política do toma-lá-dá-cá com novo nome, mas velha essência: o toma é deles, o dá é nosso.

Jabutis elétricos e a mágica da conta que sempre sobra pro povo

Em outro capítulo dessa novela cínica, os nobres deputados enfiaram jabutis num projeto de energia eólica que vai custar R$?197 bilhões até 2050. Sabe o que isso significa? Que sua conta de luz pode subir até 3,5%. Tudo em nome de uma "transição energética" que começa pelo bolso de quem mais sofre com o fim do mês.

É o Brasil da criatividade parlamentar: transformam vento em energia e energia em tarifa. Uma aula de mágica legislativa.

Briga de foice por cargos em agências reguladoras

E não para por aí: Centrão quer postos estratégicos em agências como Aneel e ANP. Porque, convenhamos, quem controla as agências, controla os bilhões. E em Brasília, ninguém briga por ideia — só por espaço.

Na prática, é como se o governo alugasse o poder para evitar rebelião. E, claro, quem banca o aluguel? Exato: você.

“Modo 2026” ativado e o povo que lute

Nos bastidores, parlamentares já estão exigindo garantias para o futuro: querem regras para liberação de emendas no ano eleitoral, controle de obras e toda a engrenagem girando a favor das suas reeleições. O discurso da moral? Só entra em cena quando as urnas estão por perto.

Enquanto isso, Lula tenta atravessar esse campo minado com um olho no orçamento e outro nos aliados famintos. Mas, como sempre, Brasília briga, negocia, finge que governa — e a conta vai direto pro CPF do povo.

 

Personagem

O que quer

Quem paga

Lula

Governar sem perder o Congresso

Compromissos, concessões e popularidade

Centrão

Emendas, cargos e o poder de 2026

Recursos públicos e chantagem disfarçada

O povo

Um governo funcional e menos imposto

Leva tarifa, leva corte, leva fumo

 

E assim segue a política brasileira: uma mistura de samba desafinado com teatro repetido. Brasília troca promessas por emendas, favores por cargos e planos por chantagens. E o cidadão brasileiro? Esse segue no mesmo papel: espectador pagante, sem direito a reembolso.

Afinal, o cachimbo pode ser de ouro, mas o fumo continua caindo no lombo do povo.

Por: Arinos Monge.

Por Ultima Hora em 28/06/2025
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