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Tem coisa estranha rolando lá em Brasília. O Senado resolveu mexer nas regras das pesquisas eleitorais — e, olha, não é pra ajudar o eleitor a entender melhor, não. É pra colocar rédea nos institutos de pesquisa. Isso mesmo. Agora, querem que toda pesquisa venha com uma “nota de confiança”, tipo etiqueta de validade.
A ideia é: se o instituto errou no resultado da eleição passada, vai ter que mostrar que errou. Se acertou, ótimo, pode seguir. Mas se não bateu direitinho com o resultado final, já vão olhar torto. O problema é que eleição não é receita de bolo, né? A gente muda de ideia, tem virada de última hora, gente que decide o voto no domingo de manhã… e aí, a culpa vai ser da pesquisa?
Querem também que os institutos mostrem quanto o candidato vencedor teve nas últimas três pesquisas antes da eleição. Querem colocar lupa em tudo, como se isso resolvesse alguma coisa.
E olha o detalhe: isso tudo tá sendo aprovado meio na surdina, com pouca discussão, quase nada de debate público. Aquele jeitinho clássico de fazer política por cima, e o povo só descobre depois.
No fundo, o que parece é que tão querendo é desmoralizar as pesquisas de verdade, aquelas feitas com método, com responsabilidade. E sabe quem vai ganhar espaço? As pesquisas de zap, os números que aparecem do nada, sem fonte, sem critério. Aquela velha bagunça de eleição que a gente já conhece.
O resultado disso? A gente fica cada vez mais perdido. Não sabe em quem confiar, não sabe se o número que vê é real ou só mais uma jogada pra confundir. E os políticos, claro, adoram isso. Quanto mais desconfiança, mais espaço pra fazer o que querem.
Mais uma vez, quem leva o prejuízo somos nós. E a democracia? Vai ficando pra depois.
Por: Arinos Monge.
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