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Padre Kelmon defende diálogo entre religião e política como instrumento de transformação social

O padre Kelmon, durante o 68º Congresso Estadual da Associação Paulista de Municípios (APM), defendeu que a religião e a política não apenas coexistem, mas devem dialogar como expressões do mesmo chamado cristão de servir à comunidade.
Segundo o religioso, a separação entre fé e ação política representa um equívoco conceitual que ignora a vocação comum de ambas as esferas em atender às necessidades humanas. Para Kelmon, políticos que se declaram cristãos têm responsabilidade de refletir os ensinamentos de Cristo em suas ações públicas.
A fala do padre ocorreu em contexto de crescente mobilização religiosa em torno de posicionamentos políticos. Kelmon afirmou que padres e pastores vêm se envolvendo com práticas políticas não por "carreirismo", mas por convidar cristãos a reorientarem suas vidas pelo cristocentrismo, fazendo com que suas ações políticas reflitam os atos de Cristo na sociedade. Essa argumentação representa linha teológica que busca legitimar a participação direta de religiosos em campanhas e mobilizações eleitorais.
Ao ser questionado sobre expectativas para as eleições de 2026, Kelmon fez crítica incisiva ao governo Lula. Descreveu a atual gestão como um "desgoverno" que teria recebido um país em superávit, com economia pujante e população esperançosa, mas que teria conduzido a juventude brasileira ao desânimo e ao desemprego. Segundo o padre, a criação constante de novas taxas desestimula empresários e cidadãos, motivando saídas do país em busca de segurança econômica.
O religioso endossou explicitamente a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência, afirmando que ela representa esperança de continuidade das políticas do governo anterior.
Na avaliação de Kelmon, o governo Bolsonaro havia proporcionado estabilidade econômica que teria sido "totalmente danificada" pela administração atual. Flávio Bolsonaro, nesta narrativa, emerge como promessa de restituição dessa estabilidade que o padre considera fundamental ao país.
Em conclusão de seu discurso, Kelmon dirigiu-se especificamente aos 645 municípios do estado de São Paulo representados no congresso. Utilizou a metáfora de São Paulo como "locomotiva do Brasil" para argumentar que prefeitos e munícipes devem trabalhar colaborativamente visando cidades acolhedoras, empreendedoras, com desenvolvimento turístico e atenção à juventude. O padre enfatizou a necessidade de combater drogas, narcotráfico e corrupção como condições para que São Paulo mantenha seu papel de modelo econômico e referência de desenvolvimento para demais estados.
A presença de Kelmon no congresso da APM evidencia o papel crescente de lideranças religiosas em eventos que reúnem gestores públicos municipais.
O discurso combina argumentação teológica com crítica político-partidária, estabelecendo ponte entre valores religiosos e posicionamentos sobre a conjuntura eleitoral brasileira. Essa prática reflete tendência mais ampla de aproximação entre setores evangélicos e católicos com determinadas candidaturas no espectro político conservador.
A narrativa do padre sobre a situação econômica diverge de análises que apontam para continuidades entre governos anteriores em determinadas políticas econômicas. Enquanto Kelmon descreve ruptura abrupta entre estabilidade e desgoverno, economistas identificam transições gradativas, legados institucionais compartilhados e limitações estruturais do modelo econômico brasileiro que transcendem mudanças administrativas.
Quem é Padre Kelmon
Padre Kelmon é religioso que atua no cenário político brasileiro com presença significativa em mobilizações e eventos que reúnem gestores públicos e lideranças municipais. Sua trajetória revela aproximação progressiva com setores conservadores da política nacional, particularmente com correntes que apoiavam a gestão anterior.
O padre se apresenta como crítico social que utiliza argumentação baseada em princípios cristãos para justificar envolvimento em campanhas políticas. Sua retórica combina referências teológicas sobre o chamado cristão de servir com posicionamentos concretos sobre candidaturas e avaliações de governos.
Durante o 68º Congresso Estadual da APM, Kelmon destacou-se por crítica severa ao governo Lula enquanto endossava abertamente Flávio Bolsonaro como candidato presidencial para 2026.
Seu discurso refletiu alinhamento com narrativas que enfatizam crises econômicas, desemprego e insegurança como caracterizadores do cenário atual, oferecendo esperança como proposta alternativa.
A atuação de Kelmon exemplifica fenômeno de crescente participação de religiosos em arena política formal, transitando de espaços religiosos para congressos municipais, eventos governamentais e mobilizações eleitorais diretas.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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Fontes: 68º Congresso Estadual da Associação Paulista de Municípios (APM); Registros de discursos públicos; Análises sobre participação religiosa em política brasileira.
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