Pente-fino no Palácio: Ricardo Couto já exonerou mais de 2,5 mil servidores e promete novo enxugamento na máquina pública do Rio

Couto manda projeto à Alerj para limitar comissionados a 10%

Pente-fino no Palácio: Ricardo Couto já exonerou mais de 2,5 mil servidores e promete novo enxugamento na máquina pública do Rio

O governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, ultrapassou a marca de 2.509 exonerações de servidores comissionados desde que assumiu o Palácio Guanabara, no fim de março. O número, que já supera em mais de 50% a meta inicial de 1.600 cortes, foi atualizado após nova leva de demissões publicada no Diário Oficial em 18 de maio.

O presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) assumiu interinamente o governo estadual em 24 de março, após o afastamento do titular, e desde então promove uma reestruturação administrativa sem precedentes na história recente do estado. As exonerações em massa atingiram com mais força a Casa Civil, a Secretaria de Governo e a Secretaria de Agricultura, que concentram o maior número de cargos de confiança — muitos deles apontados como "fantasmas" ou ocupados por indicações políticas da gestão anterior.

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Uma economia que chega a R$ 30 milhões por ano

Os cortes já representam uma economia estimada em R$ 13 milhões anuais apenas nas primeiras levas de exonerações, mas a projeção do governo, segundo cálculos da própria administração, pode chegar a R$ 30 milhões por ano com o aprofundamento do pente-fino. Levantamento do jornal O Globo, publicado em 30 de abril, confirmou que o número de exonerados contabiliza não apenas as secretarias, mas também entidades da administração indireta, incluindo empresas estatais.

De acordo com reportagem do G1, cada mês sem esses cargos comissionados representa uma economia de pelo menos R$ 8 milhões para os cofres públicos. O valor, no entanto, pode ser ainda maior à medida que novas levas de demissões são publicadas semanalmente.

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Alvo preferencial: os "apadrinhados" do antigo governo

O pente-fino promovido por Ricardo Couto atingiu diretamente aliados políticos do ex-governador Cláudio Castro. Parentes de deputados estaduais, ex-candidatos a vereador do interior e servidores alocados em cargos distantes de suas cidades de origem estão entre os exonerados.

Um dos casos de maior repercussão foi o de Gabriel Augusto Leite de Abreu, filho do deputado estadual Giovani Ratinho, que ocupava um cargo na Casa Civil com salário de R$ 16,4 mil. Nomes como esse revelam a dimensão do que foi classificado pela revista Veja como "pente-fino" nas contas do estado. A reportagem da Veja, publicada em 4 de maio, já registrava 1.568 exonerações, número que continuou crescendo nas semanas seguintes.

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Um projeto de lei para evitar a volta do "cabide de empregos"

Ricardo Couto não se limitou às demissões. Em 22 de abril, após atingir a marca de 638 exonerações, anunciou que enviará à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) um projeto de lei para limitar a 10% o percentual de cargos comissionados não concursados em cada secretaria.

A proposta, se aprovada, representaria uma mudança estrutural na administração pública fluminense, conhecida historicamente pelo inchaço da máquina com indicações políticas. O projeto pretende impedir que futuros governadores repitam o modelo de distribuição de cargos sem critérios técnicos, estabelecendo um teto legal para as nomeações.

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Exonerações em órgãos alvos da Polícia Federal

As demissões também atingiram secretarias que foram alvo de operações da Polícia Federal, como as pastas da Agricultura e da Fazenda. No dia 18 de maio, o UOL noticiou que 101 servidores foram exonerados apenas nessas duas secretarias — incluindo 23 auditores fiscais, um subsecretário adjunto e o presidente da Junta de Revisão Fiscal.

A sobreposição entre as investigações policiais e as exonerações levantou suspeitas de que parte dos cargos comissionados estava sendo usada para desvios de finalidade. O governo, no entanto, afirma que as demissões seguem critérios exclusivamente técnicos e administrativos.

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Vida dupla e temor de retaliação

Em 23 de abril, a Folha de S.Paulo publicou uma reportagem detalhando a rotina de Ricardo Couto, que mantém sua atuação como presidente do TJRJ paralelamente ao governo interino. A reportagem descreveu o que chamou de "vida dupla" do magistrado, que utiliza a estrutura do tribunal para auxiliar a gestão do Palácio Guanabara.

Segundo a Folha, deputados estaduais começam a fazer, sob reserva, as primeiras queixas sobre as exonerações, que já ultrapassam a casa dos milhares. O temor de retaliação política, no entanto, não freou o ritmo dos cortes, que continuaram nas semanas seguintes. A última leva, registrada no dia 18 de maio, somou mais de 200 exonerações em um único dia.

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Os recuos e as contradições de uma reestruturação

Apesar do rigor, a gestão de Ricardo Couto também registrou recuos. Em 2 de maio, o governo cancelou 62 exonerações após a demissão em massa de servidores, em uma medida que surpreendeu até mesmo os aliados do desembargador. As reversões ocorreram na Secretaria de Governo, com oito casos, além de registros pontuais na Secretaria de Habitação, na Secretaria da Mulher, na Controladoria-Geral do Estado, no Gabinete de Segurança Institucional, no IEEA e no Detran-RJ.

Os recuos indicam que a reestruturação administrativa enfrenta resistências internas e que o governador tem buscado equilibrar o rigor fiscal com a necessidade de manter a máquina funcionando. Ainda assim, o saldo geral é de uma redução drástica e inédita no número de cargos comissionados.

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Um novo modelo para o serviço público fluminense

As exonerações promovidas por Ricardo Couto representam um choque de gestão em um estado que, por décadas, conviveu com o aparelhamento político da máquina pública. O governador interino, que já anunciou que pretende devolver o cargo assim que o processo sucessório for definido, deixa como legado a tentativa de instituir regras mais rígidas para a ocupação de cargos comissionados.

A economia gerada pelos cortes — que pode ultrapassar R$ 30 milhões anuais — é significativa para um estado em recuperação fiscal, mas o maior impacto talvez seja simbólico: a sinalização de que o tempo dos "cabides de empregos" no Palácio Guanabara pode estar chegando ao fim.

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Opções de título para a matéria:
Pente-fino no Rio já exonerou 2,5 mil servidores e economia pode chegar a R$ 30 milhões
O "faxinaço" de Ricardo Couto que atingiu aliados, parentes e fantasmas da máquina pública
Mais de 2,5 mil exonerados em dois meses: a reestruturação que mudou o Palácio Guanabara
Corte de comissionados no Rio revela herança de apadrinhados e economia bilionária ao ano
O desembargador que virou governador e demitiu 2,5 mil em nome do ajuste fiscal

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Fontes
O Globo (30.abr.2026): "Chegam a 1.477 os comissionados exonerados do estado, desde 24 de março"
G1 (27.abr.2026): "Demissões chegam a 668 no governo do RJ e plano é ultrapassar 1,6 mil"
Veja (04.mai.2026): "Exonerações no governo do Rio já passam de 1.500, e pente-fino continua"
O Globo (22.abr.2026): "Após 638 exonerações, governador Ricardo Couto quer criar regra limitando a 10% os comissionados"
UOL (18.mai.2026): "Governador interino do RJ exonera 101 servidores em secretarias alvos da PF"
Folha de S.Paulo (23.abr.2026): "Governador interino do RJ completa um mês em 'vida dupla'"
Extra (18.mai.2026): "Governo do Estado chega a 2.509 exonerações na gestão do desembargador Ricardo Couto"
Brasil de Fato (22.abr.2026): "Ricardo Couto exonera 638 servidores comissionados ligados à gestão de Castro"
Diário do Rio (18.mai.2026): "Ricardo Couto exonera mais de 200 servidores em nova rodada de cortes"
SINFRERJ (29.abr.2026): "Governo interino do RJ tem mais de 800 exonerados em 15 dias"

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Por Ultima Hora em 22/05/2026
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