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nossa profissão carrega uma série de mitos através da história e, a busca histórica dos mitos, pode nos revelar uma série de origens de nossas depressões e autodesprezo.
Inegavelmente nós somos o resultado de três grandes culturas: a grega, a judaica e a cristã medieval. Da cultura grega herdamos o pessimismo e o sentido do retorno. Ulisses sai para suas conquistas e, depois, com saudades, volta; da cultura judaica herdamos a culpa. Sempre deverá haver alguém culpado de alguma coisa.
Ou seja: alguém ou algum antepassado pecou para que, hoje, um ser humano portasse uma deficiência; da cultura cristã medieval herdamos os costumes e a moralidade, as distorções da visão da sexualidade que celibatariza desde os apóstolos até os consagrados por livre vontade.
Junte-se a tudo isso uma outra visão, aquela da oposição entre o soldado que conquista, que luta e vence e o professor que não guerreia, não conquista e não vence.
Não foi sem sentido que velhos soldados, incapacitados de guerrear foram transformados em professores, para aumentar as fileiras dos primeiros professores que eram escravos.
Somos oriundos da escravidão nas civilizações antigas! Carregamos até hoje, mesmo sem refletir e sem discutir, todos esses mitos.
Theodor Adorno, da escola de Frankfurt, junto com Hockenheimer e outros neomarxistas como Jacob Benjamin traçam um perfil do professor como aquela pessoa que imita o poder sem ter poder.
O general tem poder e até o soldado, o advogado e o médico têm poder. O produtor rural tem poder porque cuida do campo e vê a planta crescer, o marceneiro tem o poder de transformar a madeira em móveis de uma casa.
Como a sociedade antiga dava mais valor à força física que a força mental, cabia ao professor ficar com a força mental e sem poder.
Nossas escolas, então, criaram uma série de atribuições e se enclausuraram para defender pequenos poderes que justificassem a ação dos professores. Daí a resultante de alguns se tornarem terrivelmente causadores de repulsa por parte dos alunos. Irritantes para os alunos que os rejeitavam. Isso é histórico e está alojado em outro patamar que não a competência técnica ou de conhecimento, mas no patamar de ser portador de algum poder e ser obedecido pelo exercício desse poder.
Mas, a realidade das escolas e da sociedade faz o professor cair na realidade. Ele, de fato, não tem o poder que desejaria ter. Ela inventa um poder desnecessário e não é acreditado pelos alunos, a não ser que lecione em cursos superiores ou nas “bocas” dos cursinhos que preparam para algumas universidades de renome, assim mesmo não são considerados os que preparam alunos para os cursos de educação, ou seja, para serem professores, sobretudo das séries iniciais.
A sociedade, em contrapartida, não preza o professor e cria nos filhos uma imagem de uma pessoa que pode ser substituída facilmente, que não consegue “vencer na vida” e que sempre depende de um mísero salário pago pelo poder público ou instituição particular.
Não se conhece professor como profissional liberal. Psicólogo sim, psicopedagogo sim, mas professor só é imaginado como assalariado e em sala de aula, preferencialmente ditando aulas porque é assim que a sociedade tradicional o imagina. Os alunos, então, desejam aulas expositivas, dando aos professores a oportunidade de exercer um poder que, eles mesmos não acreditam que exista.
Nesse contexto de contradições e situações dialéticas bem complexas, até mesmo na nossa pós-modernidade, encontramos uma visão negativa do professor por parte da sociedade o que significa um peso para quem leciona e um atraso para quem não considera esta profissão como mola propulsora do maior conhecimento, da maior cultura e do progresso humano.
PROF. HAMILTON WERNECK É DOUTOR EM EDUCAÇÃO.
CONTATO ZAPP: 027.999896286
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