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Associação dos Ex-combatentes celebra 80 anos mantendo viva a história dos 25 mil brasileiros que lutaram na Itália
A memória dos veteranos brasileiros da Segunda Guerra Mundial ganha novo fôlego com as ações da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil - Sessão Rio de Janeiro, que completou 80 anos de fundação no último dia primeiro de outubro. Em entrevista exclusiva durante evento no Centro Cultural da Justiça Federal do Rio de Janeiro, o presidente da entidade, Sylvio Cocchiarella, revelou dados impressionantes sobre a participação brasileira no conflito mundial e a atual situação dos sobreviventes.
Dos 25.334 militares brasileiros que embarcaram para a Itália entre 1944 e 1945, apenas 31 permanecem vivos hoje, com idades entre 98 e 112 anos. A Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi responsável por uma das mais heroicas participações militares do país, sendo o único exército latino-americano a combater efetivamente no teatro europeu da Segunda Guerra Mundial.
"Os brasileiros foram verdadeiros heróis porque lutaram e venceram num cenário que tinha tudo para dar errado", destacou Cocchiarella, que está há 14 anos à frente da associação e será reeleito para seu sétimo mandato. O presidente, militar reformado do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, enfatizou que os veteranos o escolheram justamente para representá-los em todo o território nacional, mudando inclusive o estatuto da entidade para essa finalidade.
A participação brasileira na guerra foi marcada por nove operações militares distintas, sendo Monte Castelo a mais conhecida, mas incluindo também batalhas em Montese, For Novo e Coléquio. O que tornou a FEB única no cenário mundial foi sua composição multirracial, com afrodescendentes, italianos e alemães comandando tropas - algo inédito nos exércitos da época. "Nenhum exército do mundo tinha negros afrodescendentes comandando tropa, e o Brasil tinha sargentos, tenentes e capitães", ressaltou o presidente.
O espírito solidário brasileiro também se destacou durante o conflito. Enquanto outros exércitos não compartilhavam suas rações, os brasileiros dividiam toda a alimentação excedente com a população italiana civil, conquistando o respeito e carinho duradouros do povo local. Essa atitude humanitária, combinada com a coragem demonstrada nos Alpes Apeninos - região que outros exércitos aliados evitaram devido às condições extremas de frio, falta de alimentos e equipamentos inadequados - fez da FEB a força mais amada que lutou no cenário europeu.
O preço da vitória foi alto: 467 militares brasileiros perderam a vida em solo italiano, um sacrifício que a Associação dos Ex-Combatentes do Brasil trabalha incansavelmente para manter na memória nacional. Fundada em 1º de outubro de 1945, logo após o retorno dos primeiros veteranos, a entidade nasceu da necessidade dos ex-combatentes de manterem os laços criados durante a guerra e preservarem suas histórias para as futuras gerações.
A associação, com sede na Rua Riachuelo, 373, sala 506, no Rio de Janeiro, não se limita apenas aos veteranos da Segunda Guerra. Sua atuação abrange também os participantes da Guerra do Paraguai, Guerra Cisplatina e Primeira Guerra Mundial, mantendo viva a tradição militar brasileira através de homenagens e eventos como o realizado no Centro Cultural da Justiça Federal.

Com os veteranos da FEB já centenários, a corrida contra o tempo para preservar seus depoimentos e histórias se intensifica. O mais jovem dos sobreviventes, Meczedec Afonso Carvalho, tem 98 anos, enquanto o mais idoso chegou aos 112 anos. "A maioria foi para o Oriente eterno, para a constelação da FEB", como poeticamente se refere Cocchiarella aos companheiros que já partiram.
A reeleição de Sylvio Cocchiarella, marcada para o final de outubro, representa a continuidade de um trabalho voluntário que ele desenvolve há três décadas, sendo 14 anos como presidente. Sua dedicação reflete o compromisso em manter acesa a chama da memória daqueles que, nas palavras do próprio presidente, "deram aula de cidadania, patriotismo e de como deve ser um povo formado por várias raças".

O legado da FEB transcende as fronteiras militares, representando valores fundamentais da identidade brasileira: a diversidade racial como força, a solidariedade como princípio e a coragem como característica nacional. Em tempos de polarização, a história desses veteranos serve como lembrete poderoso de que o Brasil já demonstrou ao mundo sua capacidade de unir diferenças em prol de causas maiores.
A Associação dos Ex-Combatentes do Brasil - Sessão Rio de Janeiro continua sua missão de honrar a memória dos heróis da FEB, garantindo que as futuras gerações conheçam e valorizem o sacrifício daqueles que lutaram pela liberdade e democracia em solo europeu. Com apenas 31 sobreviventes, cada dia se torna mais precioso para registrar e preservar os últimos testemunhos diretos de uma das páginas mais gloriosas da história militar brasileira.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
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Por Robson Talber
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