Projeto de deputado bolsonarista quer permitir uso do FGTS para compra de armas

Medida avança em comissão, mas gera críticas sobre desvio de finalidade do FGTS

Projeto de deputado bolsonarista quer permitir uso do FGTS para compra de armas

Considerado uma espécie de poupança do trabalhador, há um Projeto de Lei (PL 3824/2025) em tramitação na Câmara dos Deputados, de autoria do bolsonarista Marcos Pollon (PL-MS), que pretende autorizar o uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a compra de armas de fogo, além de munições e acessórios considerados essenciais para o armazenamento seguro. A proposta será analisada nesta quarta-feira (12) pela Comissão de Segurança Pública.

O texto descabido, que representa um explícito desvio de finalidade do FGTS, tem relatoria do deputado e delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), um exibidor sem a menor parcimônia de seu apreço pelas armas em suas redes sociais. Para zero surpresa, ele apresentou parecer favorável à medida.

De acordo com o projeto, o saque do FGTS poderia ser realizado uma vez por ano, no mês de aniversário do trabalhador — ou no dia útil seguinte. Para ter acesso ao recurso, seria necessário apresentar autorização válida para compra da arma e comprovar regularidade nos sistemas de controle da Polícia Federal ou do Exército.

A proposta não altera as regras do saque-aniversário já existentes, mas cria uma nova possibilidade de retirada vinculada à data de nascimento do trabalhador.

Além da arma de fogo, o valor poderia ser usado na compra de munições e itens relacionados à guarda segura do armamento.

Regras de controle e exigências legais

O texto mantém a exigência de cumprimento das normas já previstas na legislação atual sobre acesso a armas no país. Entre elas estão a comprovação de capacidade técnica e aptidão psicológica, além da ausência de antecedentes criminais.

O autor da proposta argumenta que o alto custo para aquisição de armas legalizadas hoje dificulta o acesso da população de baixa renda, e que o uso do FGTS poderia ampliar essa possibilidade dentro da legalidade.

Debate sobre a finalidade do FGTS

O FGTS é tradicionalmente destinado à proteção do trabalhador em situações como demissão sem justa causa, aposentadoria, doenças graves e aquisição da casa própria.

Críticos da proposta questionam a ampliação do uso do fundo para compra de armamentos, afirmando que isso pode desviar sua finalidade original de proteção social e comprometer sua função de poupança trabalhista.

Se aprovado na Comissão de Segurança Pública, o projeto ainda precisará passar por outras comissões temáticas da Câmara dos Deputados e pelo plenário da Casa. Em seguida, seguirá para análise do Senado Federal antes de eventual sanção presidencial.

O que é o FGTS e como funciona

O FGTS é um direito dos trabalhadores com carteira assinada, formado por depósitos mensais feitos pelos empregadores em contas vinculadas na Caixa Econômica Federal.

O fundo pode ser sacado em situações específicas previstas em lei, como demissão sem justa causa, aposentadoria, compra da casa própria e casos de doenças graves, entre outros.

Enquanto não é sacado, o dinheiro permanece aplicado e é utilizado pelo governo em áreas como habitação, infraestrutura e saneamento básico.

Contexto e regras atuais do fundo

O FGTS recebe depósitos equivalentes a 8% do salário do trabalhador — percentual que varia em casos específicos, como contratos de aprendizagem e trabalho doméstico. O fundo é corrigido monetariamente e pode receber parte dos lucros anuais distribuídos aos trabalhadores.

Em caso de demissão sem justa causa, o trabalhador pode sacar o saldo acumulado e recebe multa de 40% sobre os depósitos realizados pelo empregador.

Além disso, desde 2019, o saque-aniversário permite retiradas anuais de parte do saldo, mas reduz o acesso ao valor total em caso de demissão.

Por Ultima Hora em 12/05/2026
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