Quando Canella chama, a cúpula responde: os bastidores de uma movimentação que antecipa o jogo eleitoral e transforma Belford Roxo em vitrine e campo de teste para 2026

Com presença de nomes de peso da política fluminense e nacional, a base de Canella deixa de lado a discrição e avisa: a Baixada Fluminense está no centro da disputa que já começou.

Quando Canella chama, a cúpula responde: os bastidores de uma movimentação que antecipa o jogo eleitoral e transforma Belford Roxo em vitrine e campo de teste para 2026

A largada nem foi dada oficialmente, mas em Belford Roxo o ritmo já é de bateria de escola de samba em dia de desfile. Nesta segunda (9), a cidade virou vitrine para uma espécie de ensaio geral da eleição de 2026. Quem passou por lá viu mais que inaugurações: testemunhou alianças sendo alinhadas, promessas sendo costuradas e muita pose pra foto de palanque.

O palco principal foi Heliópolis, onde foi inaugurada a nova base do Proeis com direito a 60 policiais e dez viaturas. A obra é importante, mas o que realmente chamou atenção foi o elenco reunido. De um lado, o prefeito Márcio Canella. Do outro, o governador Cláudio Castro. No meio, uma penca de nomes graúdos da política nacional: o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (cotado como herdeiro político de Castro), o senador Ciro Nogueira (Progressistas) e o presidente do União Brasil, Antonio de Rueda.

A cerimônia foi recheada de falas exaltando parcerias, segurança e obras — com direito a muitas palmas e frases ensaiadas. Mas o subtexto era claro: a base de Canella está se armando cedo e sabe que Belford Roxo virou peça-chave no tabuleiro fluminense.

Depois da base policial, a comitiva ainda rodou pela ampliação do Hospital Geral de Emergência, passou pelo canal Maxambomba — que vai ganhar obras de canalização e um mercado produtor para os feirantes — e anunciou um viaduto ligando a cidade ao BNH, em Mesquita. Obras com utilidade? Sim. Mas também com forte valor simbólico em tempos de costura política.

Enquanto falavam de segurança, todos sabiam que o que está mesmo sendo protegido é o capital político. Rodrigo Bacellar puxou o discurso técnico, citando o “Barricada Zero” e sinalizando que o Governo do Estado vai abrir os cofres. Ciro Nogueira, de Brasília, fez coro e cobrou o governo federal. Já Antonio de Rueda soltou que Belford Roxo virou exemplo. Mas, convenhamos: elogios em público servem muito mais pra firmar pacto do que pra informar a população.

E o prefeito? Canella não perdeu a deixa e lembrou que, como ex-deputado, já vinha brigando por segurança — e que agora entrega, sim, com reforço policial e obras na rua. O detalhe é que tudo isso está acontecendo num momento em que os olhos da política fluminense voltam com força para a Baixada.

Belford Roxo não é mais coadjuvante. A cidade, com seu eleitorado robusto e populoso, já está na mira das grandes forças partidárias. E quando a movimentação começa com esse nível de articulação, é porque o termômetro eleitoral já ferveu. A pré-campanha está na rua — e Canella acendeu o pavio.

Olho na Baixada. Porque o jogo mal começou… e já tem gente armando até o apito final.

Por: Arinos Monge.

Por Coluna Arinos Monge em 09/06/2025
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