Reforma administrativa de Pedro Paulo avança só para os pobres e deve poupar militares, judiciário e supersalários

Relator evita pautar aposentadoria de militares brasileiros em texto que promete modernizar o serviço público

Reforma administrativa de Pedro Paulo avança só para os pobres e deve poupar militares, judiciário e supersalários

Deputado do PSD de Paes elabora projeto que digitaliza, mas não toca nos maiores privilégios

A reforma administrativa que tramita na Câmara dos Deputados está tomando uma forma que lembra aqueles remédios amargos que só funcionam para quem tem menos poder de barganha. Enquanto o relator Pedro Paulo, do PSD fluminense, desenha um projeto que promete revolucionar o serviço público brasileiro, uma coisa fica clara como água: alguns são mais iguais que outros nessa história toda.

O deputado carioca tem falado bonito sobre modernização, unificação de tabelas salariais e até mesmo sobre limitar aquelas férias de 60 dias que fazem qualquer trabalhador da iniciativa privada morrer de inveja. Tudo muito moderno, muito digital, com direito a bônus por metas cumpridas - um verdadeiro sonho americano tupiniquim. Mas como diz o ditado popular, "o diabo está nos detalhes", e os detalhes aqui são reveladores.

Segundo fontes do funcionalismo público, a reforma está sendo costurada como um terno sob medida: serve perfeitamente para uns e fica apertado demais para outros. Os militares, por exemplo, continuam intocáveis como relíquia de museu. Nada, absolutamente nada, foi pautado sobre mexer na previdência dos quartéis, mesmo sabendo que essa seria uma das maiores fontes de economia para os cofres públicos.

"tanto eles quanto os supersalários estão fora dessa reforma. O relator, até onde sabemos, não falou uma palavra sobre isso", revela um representante da categoria, com aquele tom de quem já viu esse filme antes e sabe como termina.

A situação lembra aquela piada do comediante que diz: "reforma administrativa no Brasil é como dieta de rico - só corta o que não faz diferença". Enquanto o servidor comum vai ter que se adaptar às novas regras, digitalizar processos e cumprir metas para ganhar uns trocados extras, os militares continuam com seus privilégios blindados como carro de político em dia de protesto.

Na base governista, existe quem sonhe em quebrar esse tabu histórico e incluir os militares na dança da reforma. Mas é aquele tipo de sonho que a gente tem acordado - bonito, mas pouco realista. Como admite um parlamentar aliado do Planalto, com a sinceridade de quem não tem mais paciência para enrolação: "militares sempre meteram medo. Depois da redemocratização, ninguém teve coragem de tocar no assunto".

O histórico é revelador como raio-x de político em época de eleição. Lula, em seus mandatos anteriores, preferiu conviver bem com os fardados. Dilma Rousseff também optou pela paz armada. Jair Bolsonaro, então, transformou os militares em verdadeiros intocáveis, blindando-os como se fossem patrimônio histórico nacional. Agora, teoricamente enfraquecidos após os eventos de 8 de janeiro e as investigações sobre tentativa de golpe, poderia ser o momento ideal para incluí-los na reforma.

"agora, enfraquecidos, poderia ser o momento. Mas não vejo esforço do governo para incluí-los", confessa o mesmo parlamentar, com aquela resignação de quem já entendeu o jogo.

A reforma que está sendo desenhada parece seguir a lógica do "mexe com quem não pode revidar". Os supersalários do Judiciário, que fazem qualquer CEO chorar de inveja, continuam intocados. Os penduricalhos que transformam salários em verdadeiras fortunas mensais permanecem sagrados. Mas o servidor da base, esse sim vai ter que se modernizar, digitalizar e ainda por cima bater meta para ganhar um bônus.

É como aquela história do sujeito que vai ao médico reclamando de dor nas costas, e o doutor receita exercício para os pés. Funciona? Talvez. Resolve o problema principal? Aí já é outra conversa.

O deputado Pedro Paulo, que carrega nas costas a responsabilidade de fazer essa reforma andar, está navegando em águas turbulentas. De um lado, a pressão por modernização e economia real nos gastos públicos. Do outro, a realidade política brasileira, onde mexer com certos grupos é como cutucar onça com vara curta - pode dar muito errado.

A digitalização dos processos e a criação de bônus por produtividade são medidas louváveis, sem dúvida. Mas quando se olha o conjunto da obra, fica a impressão de que estamos assistindo a mais um capítulo da série "reformas que reformam só quem não tem lobby forte".

Como diria qualquer brasileiro experiente em promessas políticas: "quando a esmola é demais, o santo desconfia". Uma reforma administrativa que poupa exatamente os grupos que mais pesam no orçamento público levanta questões sobre suas reais intenções e efetividade.

O tempo dirá se Pedro Paulo conseguirá surpreender e incluir os militares e supersalários na reforma, ou se seguirá o roteiro já conhecido de mexer apenas com quem não tem força política para reagir. Por enquanto, os sinais apontam para mais do mesmo: reforma para inglês ver, economia para boi dormir.

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Por Ultima Hora em 13/09/2025
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