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Tragédia no Ninho do Urubu: MPRJ pede condenação de acusados pela morte de 10 jovens atletas
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) solicitou formalmente a condenação de todos os réus envolvidos no incêndio que devastou o Centro de Treinamento Presidente George Helal, conhecido como Ninho do Urubu, em fevereiro de 2019. A tragédia, considerada a maior da história do Flamengo, resultou na morte de dez adolescentes e deixou outros três feridos graves.
Após uma investigação minuciosa que se estendeu por mais de três anos e incluiu o depoimento de mais de 40 testemunhas, a Promotoria de Justiça vinculada à 36ª Vara Criminal da Capital concluiu que as provas coletadas são contundentes quanto à responsabilidade dos acusados. Entre os denunciados estão gestores com poder decisório no CT, como Antonio Marcio Mongelli Garotti e Marcelo Maia de Sá, além de responsáveis pelos contêineres utilizados como alojamento.
"As evidências demonstram que não se tratou de uma fatalidade inevitável, mas sim de uma tragédia que poderia ter sido evitada se as normas básicas de segurança tivessem sido respeitadas", afirmou o promotor responsável pelo caso. O MPRJ destacou que o clube operava sem alvará de funcionamento e sem o certificado de aprovação do Corpo de Bombeiros, tendo sido alvo de diversas interdições e autuações anteriores ao incêndio.
A perícia técnica identificou que o incêndio teve origem em um dos aparelhos de ar-condicionado instalados nos contêineres, após um fenômeno termoelétrico. A manutenção inadequada desses equipamentos foi apontada como fator determinante para o início das chamas. Edson Colman da Silva, contratado para realizar a manutenção dos aparelhos, também figura entre os acusados.
A estrutura dos alojamentos improvisados em contêineres agravou significativamente a situação. Portas de correr que emperravam, janelas com grades fixas e a ausência de sistemas de combate a incêndio dificultaram a fuga dos jovens e contribuíram para a rápida propagação do fogo. "Os adolescentes ficaram praticamente sem rotas de fuga", ressaltou o documento do MPRJ.
Inicialmente, 11 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público, mas quatro delas acabaram excluídas do processo durante a tramitação. Dois acusados foram dispensados por não estarem mais vinculados ao fato na época do incêndio, um terceiro foi absolvido por não ter contribuído para o crime e um quarto teve a pena prescrita por ter atingido a idade prevista no Código Penal que reduz a responsabilização.
Para o Ministério Público, a condenação dos responsáveis representa uma resposta penal necessária à sociedade e às famílias das vítimas, que aguardam por justiça há mais de seis anos. O caso, que comoveu o país e expôs as condições precárias oferecidas a jovens atletas em formação, pode finalmente chegar a um desfecho judicial nos próximos meses.
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