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O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (25 de fevereiro) o Projeto de Lei 2.950/2019, que estabelece a Política de Acolhimento e Manejo de Animais Resgatados (Amar). A nova legislação cria normas específicas de proteção para animais domésticos e silvestres em situações de desastres naturais e emergências, como enchentes, desabamentos, incêndios e outras catástrofes que possam colocar em risco a vida animal.
A aprovação representa marco histórico na proteção animal brasileira, estabelecendo pela primeira vez um arcabouço legal abrangente para situações de emergência que frequentemente deixam milhares de animais em situação de vulnerabilidade. O projeto agora segue para sanção presidencial, última etapa antes de se tornar lei federal.
Articulação política e defesa da causa animal
O deputado Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), relator do projeto na Câmara dos Deputados, celebrou a aprovação como vitória significativa da pauta animal no Congresso Nacional. "Essa é mais uma vitória do nosso trabalho duro na defesa da pauta animal no Congresso, que também contou com forte apoio da sociedade civil", declarou o parlamentar paulista, destacando a mobilização social que impulsionou a tramitação da proposta.
A iniciativa contou com amplo apoio de organizações não governamentais de proteção animal, veterinários, ambientalistas e movimentos da sociedade civil organizada. O engajamento popular foi fundamental para sensibilizar parlamentares sobre a urgência de regulamentação específica para proteção animal em situações de emergência.
Responsabilidades compartilhadas entre entes federativos
A nova legislação estabelece responsabilidades claras e compartilhadas entre União, estados e municípios na proteção animal durante emergências. A Política Amar será implementada de forma articulada entre os diferentes níveis de governo, integrando-se aos planos de contingência existentes da Defesa Civil brasileira.
A integração com os sistemas de Defesa Civil representa avanço estratégico, garantindo que a proteção animal seja considerada componente essencial dos planos de resposta a desastres. Esta articulação permitirá resposta mais coordenada e eficiente em situações de emergência, evitando improvisações que frequentemente resultam em sofrimento animal desnecessário.
Obrigações para empreendedores com licenciamento ambiental
O projeto também estabelece obrigações específicas para empreendedores sujeitos a licenciamento ambiental, que deverão adotar medidas preventivas e reparadoras para proteger animais em suas áreas de influência durante situações de emergência. Esta disposição representa inovação importante, estendendo a responsabilidade de proteção animal ao setor privado.
As empresas com atividades potencialmente impactantes ao meio ambiente deverão desenvolver protocolos específicos para proteção da fauna local em seus planos de contingência. A medida visa garantir que empreendimentos industriais, mineradores e de infraestrutura assumam responsabilidade pela proteção dos animais que possam ser afetados por suas atividades.
Contexto histórico e necessidade da legislação
A aprovação da Política Amar responde a demanda histórica evidenciada em diversos desastres naturais que atingiram o Brasil nas últimas décadas. Enchentes no Rio Grande do Sul, deslizamentos na Região Serrana do Rio de Janeiro, incêndios no Pantanal e outros eventos climáticos extremos frequentemente deixaram milhares de animais abandonados, feridos ou mortos.
A ausência de protocolos específicos para proteção animal em emergências resultava em respostas improvisadas e frequentemente inadequadas, com animais sendo deixados para trás durante evacuações ou recebendo assistência insuficiente após desastres. A nova legislação visa preencher esta lacuna legal e operacional.
Implementação da política nacional
A Política de Acolhimento e Manejo de Animais Resgatados estabelecerá diretrizes nacionais para capacitação de equipes de resgate, criação de abrigos temporários, protocolos veterinários de emergência e sistemas de identificação e reunificação de animais com seus tutores.
A implementação envolverá criação de centros especializados de acolhimento temporário, treinamento de equipes multidisciplinares incluindo veterinários e técnicos especializados, e desenvolvimento de protocolos específicos para diferentes tipos de animais e situações de emergência.
Impacto social e ambiental
A proteção animal em desastres possui dimensões que transcendem o bem-estar animal, incluindo aspectos de saúde pública, segurança alimentar e preservação da biodiversidade. Animais abandonados durante emergências podem se tornar vetores de doenças, causar acidentes ou sofrer morte lenta por falta de cuidados adequados.
A nova legislação também reconhece a importância dos animais de companhia para o bem-estar psicológico das famílias afetadas por desastres. Estudos demonstram que a separação forçada de animais de estimação durante evacuações pode causar trauma adicional às vítimas de desastres, dificultando processos de recuperação emocional.
Próximos passos e expectativas
Com a aprovação no Senado, o projeto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que terá prazo de 15 dias úteis para decidir sobre a promulgação da lei. A expectativa é de sanção integral do texto, considerando o amplo apoio político e social que a proposta recebeu durante sua tramitação.
Após a sanção presidencial, será necessário período de regulamentação para definição de detalhes operacionais, recursos orçamentários e cronograma de implementação da política nacional. Estados e municípios terão prazo determinado para adequação de seus planos de contingência às novas diretrizes federais.
Reconhecimento internacional
A aprovação da Política Amar coloca o Brasil em posição de destaque internacional na proteção animal durante emergências, alinhando-se às melhores práticas adotadas por países desenvolvidos. A legislação brasileira incorpora experiências internacionais bem-sucedidas, adaptando-as à realidade nacional.
O reconhecimento da proteção animal como componente essencial da gestão de desastres representa evolução significativa na compreensão sobre responsabilidades governamentais em situações de emergência, estabelecendo novo paradigma para políticas públicas de proteção animal no país.
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