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A Banda da Rua do Mercado, um dos blocos mais tradicionais do Carnaval carioca, escolheu Sérgio Almeida Firmino como homenageado de 2026.
A decisão reflete o reconhecimento de décadas de trabalho do Assessor Especial de Economia Criativa do Carnaval na Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (SECEC-RJ), que transformou a maior festa popular brasileira em um verdadeiro motor de desenvolvimento econômico e social.
Fundado em 1999 por jornalistas econômicos e funcionários da Bolsa de Valores, o bloco tradicionalmente homenageia personalidades que contribuíram significativamente para a cultura brasileira.
Após celebrar Darcy Maravilha em 2025, a escolha de Firmino para 2026 marca o reconhecimento de sua visão revolucionária sobre o Carnaval como política pública de geração de emprego e renda.
A revolução econômica do Carnaval carioca.
Em entrevista recente no histórico bar e restaurante Capitu, no centro do Rio, Firmino foi categórico: "O carnaval para nós não é festa. Carnaval para nós é uma possibilidade daquela pessoa que quer aprender uma profissão".
Suas palavras ecoam décadas de trabalho árduo para posicionar o Carnaval como vetor de desenvolvimento econômico e social, transformando uma festa centenária em uma indústria criativa sustentável.
A movimentação econômica do Carnaval no Rio de Janeiro representa um terço de todo o Brasil durante as festividades de Momo. Segundo Firmino, mais de 50 profissões estão envolvidas em uma escola de samba, desde instrumentistas e costureiras bordadeiras até cenógrafos e escultores.
"Em seis meses, uma pessoa pode ter uma profissão", explica o homenageado da Banda da Rua do Mercado.
O legado de Mestre Candonga e a chave da cidade.
A história de Sérgio Firmino no Carnaval é também uma história familiar que se confunde com a própria tradição carnavalesca carioca. Ele é filho de José Geraldo de Jesus, conhecido como Mestre Candonga, criador de uma das tradições mais simbólicas da festa: a entrega da chave da cidade ao Rei Momo.
Durante a ditadura militar, Candonga percebeu que o Carnaval "abria", mas não tinha uma chave oficial. Decidiu então confeccionar um artefato de madeira no formato de uma chave, decorado com lantejoulas e paetês, que se tornou a chave oficial da cidade.
"O prefeito Eduardo Paes, muito sabiamente, recebe a chave da cidade, entrega ao Rei Momo e diz: 'Olha, a partir de hoje você é o prefeito'", conta Firmino com orgulho.

Sérgio Firmino, Rainha da Banda Fran Sollis e Renan Ferreira.
A Banda da Rua do Mercado e sua tradição de homenagens.
O desfile da Banda da Rua do Mercado está programado para 12 de fevereiro de 2026, quinta-feira, com concentração às 17h na Rua do Mercado, no Centro do Rio.
O trajeto tradicional inclui a Praça XV de Novembro, Boulevard Olímpico e Rua do Ouvidor, locais emblemáticos do centro histórico da cidade onde Firmino desenvolve seu trabalho de valorização da economia criativa.
Ao longo de seus 27 anos de existência, a banda já homenageou grandes nomes como Martinho da Vila, Tia Surica, Garrincha e Ruy Castro.
A escolha de Firmino representa uma mudança de perspectiva, reconhecendo não apenas artistas, mas também aqueles que trabalham nos bastidores para que o Carnaval continue sendo uma fonte de sustento para milhares de famílias.
Atuação institucional e impacto social.
Além de sua função na SECEC-RJ, Firmino é presidente da Federação da Indústria Criativa Cultural do Carnaval do Estado do Rio de Janeiro (FICCCERJ) e diretor conselheiro do Instituto Cultural Cravo Albin.
Sua atuação transcende a capital: o governo estadual contempla 92 municípios com editais do Carnaval, reconhecendo que a festa é "uma possibilidade de investir na coisa certa".
O trabalho de Firmino conta com parcerias estratégicas, como a do subsecretário de desenvolvimento econômico do município, Marcel Balaciano, que criou o "carnaval de dados" para quantificar o impacto econômico da festa. Essa iniciativa é fundamental para dar base científica às políticas públicas voltadas para o setor.
O Carnaval como política pública transformadora.
Para Firmino, o reconhecimento do Carnaval como motor econômico representa uma mudança de paradigma fundamental.
"Nós estamos trabalhando para trazer o carnaval no viés econômico, não no viés de festa", explica. "Festa é maravilhosa, eu adoro festa, mas de fato nós estamos falando de trabalho e renda." Nós estamos falando de famílias inteiras que vivem do carnaval."
A homenagem da Banda da Rua do Mercado a Firmino simboliza o reconhecimento de que o Carnaval vai muito além da diversão.
É uma indústria criativa que movimenta bilhões de reais, gera empregos diretos e indiretos, preserva tradições culturais e promove inclusão social através da profissionalização de comunidades inteiras.
A celebração de 2026 no centro histórico.
O desfile de 12 de fevereiro de 2026 promete ser especial, não apenas pela homenagem a Firmino, mas pelo simbolismo do local.
A Rua do Mercado, berço do bloco, representa o coração econômico do Rio antigo, onde a Bolsa de Valores funcionou por décadas.
É o cenário perfeito para celebrar alguém que soube unir tradição e inovação, transformando o Carnaval em uma política pública efetiva de desenvolvimento econômico e social.

Por Robson Talber, @robsontalber
Repórter Antonio Lemos @djportugues
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