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Toffoli se declarou suspeito por razões de foro íntimo e não participará; votam Gilmar Mendes e Kassio Nunes
13/03/2026 | 11h3
Por Ana Pompeu e Luísa Martins
(Folhapress) – Com votos dos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, o STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria para manter a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Ainda falta se manifestar o ministro Gilmar Mendes.
O julgamento ocorre em plenário virtual —ambiente remoto por meio do qual os ministros incluem votos e não há espaço para debate. A sessão foi aberta nesta sexta-feira (13) e segue até a próxima sexta (20).
O ex-banqueiro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, quando tentava embarcar para o exterior, no Aeroporto de Guarulhos. A Polícia Federal desconfia que ele tentava fugir do país, mas ele argumenta que viajaria para encontrar investidores interessados em comprar o Banco Master.
Ele foi solto dez dias depois e voltou a ser preso em 4 de março em nova fase da operação policial Compliance Zero que também atingiu dois servidores do Banco Central, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, um policial aposentado, entre outros.
A decisão foi tomada porque a Polícia Federal encontrou no celular do ex-banqueiro mensagens que citam intenção de forjar um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, como forma de intimidação. Segundo as investigações, o ex-banqueiro mantinha uma milícia privada chamada “A Turma” com o objetivo de coagir e ameaçar seus desafetos.

Ministro André Mendonça votou pela manutenção da prisão preventiva de Daniel Vorcaro (Foto: Carlos Moura / SCO / STF)
A Segunda Turma, colegiado no qual o caso tramitará, é formada por Mendonça, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e presidida por Gilmar Mendes. Toffoli não participa da decisão.
Toffoli vinha afirmando a interlocutores que iria participar do julgamento. Na quarta (11), no entanto, informou a Segunda Turma que ficará de fora. Ele apresentou razão de foro íntimo.
O ministro encaminhou a decisão a Gilmar Mendes e André Mendonça. Na mesma data, mais cedo, ele se declarou suspeito para relatar o pedido para que o Congresso instale uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar as suspeitas de fraudes financeiras na relação entre o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília).
Diante da relação dos casos, o magistrado estendeu a decisão para o processo no qual tramita a investigação, a partir desta data. Dessa forma, as etapas anteriores das quais ele atuou como relator ficam mantidas. A medida tenta evitar pedidos de nulidades de atos ocorridos no período em que o caso foi presididos por ele.
Toffoli deixou a relatoria do caso após uma reunião fechada de mais de duas horas com os demais colegas do STF. A pressão para ele se afastar aumentou principalmente depois que a Folha revelou conexões entre o ministro, o resort Tayayá e o banco de Daniel Vorcaro.
A decisão ocorreu após a Polícia Federal entregar ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório mostrando uma troca de mensagens entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, em que ambos discutem pagamentos para a empresa Maridt, que tem o ministro entre seus sócios.
Mendonça foi escolhido relator por sorteio, que deixou de fora apenas o próprio Toffoli e o presidente do tribunal, Edson Fachin.
Desde então, discutiu-se a continuidade do ministro à frente do caso e a participação dele nos atos seguintes da tramitação dos processos ligados ao caso.
Uma possibilidade era a de Toffoli se abster de votar, o que perdeu força com a indicação do próprio ministro de que pretende registrar sua posição.
Relembre os envolvidos
Daniel Vorcaro
Dono do Master, teria ordenado ações de intimidação e monitoramento de ex-empregados e jornalistas que acompanhavam denúncias sobre o banco
Fabiano Campos Zettel
Cunhado de Vorcaro e ex-pastor da igreja Lagoinha, teria participado da administração de pagamentos que sustentavam a estrutura de vigilância
Ana Claudia Queiroz de Paiva
Teria atuado na operacionalização de movimentações financeiras do grupo
Paulo Sérgio Neves de Souza
Ex-diretor de fiscalização do Banco Central, teria atuado informalmente em favor de Daniel Vorcaro
Belline Santana
Ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central (Desup), teria mantido interlocução frequente com Vorcaro e prestava consultoria estratégica sobre processos administrativos e temas regulatórios
Leonardo Augusto Furtado Palhares
Apontado pela PF como o responsável por formalizar o contrato usado para justificar pagamentos a Belline Santana
Marilson Roseno da Silva
Policial federal aposentado, é apontado como integrante da estrutura de coerção do grupo. Teria usado sua experiência e seus contatos para acessar dados sensíveis
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão
Identificado nas mensagens como Felipe Mourão e apelidado de Sicário, foi identificado pela PF como responsável por coordenar a vigilância. Cometeu suicídio após ser preso
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