Trump revela documentos e expõe o elo da Venezuela nas máquinas de votação

Trump revela documentos e expõe o elo da Venezuela nas máquinas de votação

Por Carlos Arouck

Depois de ouvir o pronunciamento de Trump na noite de 16 de julho, quem acompanha de perto as investigações sobre a CIA e as manobras do Deep State não se surpreendeu com quase nada. O presidente não trouxe revelações bombásticas para quem já vinha rastreando esses temas. O que ele fez foi mais direto: liberou documentos oficiais que agora podem servir como prova nos tribunais e acelerar processos que andavam emperrados.

Os papéis desclassificados devem dar um impulso forte aos grandes júris que tramitam em Ft. Pierce. Enquanto o material continuava secreto, o andamento ficava lento demais. Agora, com tudo à vista, o ritmo tende a mudar.
Trump também falou de algo que vem sendo discutido há anos. Segundo ele, já em 2018 havia uma articulação envolvendo agências de inteligência americanas, jornalistas, grandes empresas e até sindicatos que atuavam junto com o governo chinês. O objetivo era interferir nas eleições, espalhar narrativas negativas e enfraquecer sua administração. Para o presidente, isso passa de simples política e chega perto da traição.

Ele mencionou ainda o papel de Obama nesse contexto, especialmente na destruição de documentos por meio de sacos de queima durante seu governo. Outro ponto que chamou atenção foi a defesa clara de quem esteve em Washington no 6 de janeiro. Trump deixou claro que, na visão dele, essas pessoas estavam certas ao questionar o resultado de 2020.

As agências também receberam críticas duras. FBI, DHS e CIA teriam atuado de forma coordenada para enfraquecer o governo eleito, escondendo informações importantes do próprio presidente. Essa ocultação deliberada, segundo Trump, configura traição. Ele citou casos em que o FBI teria destruído provas colocando documentos sensíveis em sacos de queima. A CIA, por sua vez, teria ficado com relatórios que confirmavam falhas nos sistemas eleitorais e preferido guardar silêncio.

A mídia também entrou na mira. Trump observou que canais como NBC e ABC optaram por não transmitir o discurso, o que ele interpreta como parte de um esforço maior para proteger uma narrativa construída ao longo dos anos.

Outro ponto prático foi a decisão de notificar os estados sobre a possibilidade de dados eleitorais comprometidos. A medida coloca governadores e responsáveis pelas urnas numa posição delicada: ou agem, ou assumem o risco de serem acusados de conduzir eleições com falhas conhecidas.

Trump ainda trouxe à tona a descoberta, segundo ele feita pelo FBI, de que a China teria fabricado cédulas para beneficiar Biden. A informação teria sido abafada. A CIA, por sua vez, não teria cumprido sua obrigação de informar o Congresso e, em vez disso, endossou a versão de que aquela foi a eleição mais segura da história americana. Além disso, o Departamento de Segurança Interna identificou centenas de milhares de não cidadãos registrados para votar.

Mas um dos trechos mais marcantes do discurso girou em torno da Venezuela e da tecnologia usada nas urnas. Trump apresentou documentos da CIA que mostram que o regime de Maduro desenvolveu métodos para alterar resultados eleitorais de forma praticamente indetectável. Ele foi direto ao dizer que isso de fato aconteceu nas eleições venezuelanas de 2020.

A ligação não é casual. A Venezuela é o país de origem da Smartmatic, empresa que forneceu sistemas de votação em várias partes do mundo. Os relatórios desclassificados reforçam a ideia de que existia conhecimento técnico sobre como manipular esses equipamentos sem deixar rastros claros. Ao trazer isso à público agora, Trump conecta a vulnerabilidade dos sistemas americanos com uma tecnologia que tem raízes diretas na experiência eleitoral venezuelana.

Quem acompanha o tema há tempo sabe que essa conexão já era discutida em círculos mais restritos. O que muda é que agora existe material oficial liberado pela própria Casa Branca.

Ainda assim, fica uma dúvida prática. As mesmas agências acusadas de ocultar informações e proteger interesses estranhos ao eleitorado americano são as que agora deveriam investigar a si mesmas. A experiência mostra que isso quase nunca dá certo.

O pronunciamento de ontem marca uma mudança de ritmo. Os documentos estão fora. As notificações aos estados já começaram. E o Congresso terá dificuldade para ficar parado diante do que foi apresentado. O que vem pela frente deve andar mais rápido.

Por Ultima Hora em 17/07/2026
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