Vascaínos - Cadê seu orgulho?

Crédito da foto: Vasco está pronto para mais uma rodada da Série B (Crédito: Daniel Ramalho / CRVG / Flickr)

Vascaínos - Cadê seu orgulho?

O Gigante da Colina nos últimos meses acabou se envolvendo em brigas judiciais, e não foram os costumeiros processos trabalhistas que afundam os clubes de futebol. Um juiz forçou o Flamengo a ceder o Maracanã ao Vasco, a torcida do clube comprou a briga e contra o Sport Recife, o estádio Mário Filho foi o palco da festa vascaína. Será que era necessário?

Nessa coluna não vamos adentrar no mérito, pois ambos clubes tem seus motivos e no fim todos são bem justos. O cruz-maltino entende que o Maracanã é um aparelho público e tem direito de usá-lo quando for possível e conveniente, já o Flamengo administra o estádio e vê o desgaste da grama como prejudicial. A pergunta correta é: Usar pode ser  justo, mas é realmente necessário? 

O Vasco sob o olhar de mais de 60 mil vascaínos empatou sem gols com o Sport. A festa foi legal, mas não teve aquela alma, faltou algo e não foram os três pontos. A comparação é você fazer uma linda festa, com muito luxo, mas na casa daquele parente rico. Você pode até se divertir, mas não é o seu lugar.

O jogo contra o CRB foi completamente o oposto, teve de tudo: festa, goleada, jogador debutando nas redes e muita energia. A vitória contra o galo alagoano é aquele aniversário na laje, sem luxo nenhum, com os amigos, aquelas músicas de raiz e o mais importante dentro da sua casa.

O futebol não é quantidade, mas sim energia. A Libertadores é craque em mostrar isso, onde clubes desconhecidos e com poucos recursos dificultam jogos contra gigantes milionários. Não é nada além da energia da torcida, tanto que muitos são goleados fora de casa. Para o Vasco refletir não precisa ir muito longe. O Botafogo de 2016 jogando para 15 mil espectadores na Arena da Ilha se tornou quase imbatível, diferentemente do time sem alma do naquele período "Estádio João Havelange", mas hoje o Nilton Santos é a casa do botafoguense.

Os vascaínos diferentemente dos alvinegros, não precisam se adaptar, pois eles mais do que ninguém conhecem cada canto de seu lar. Cada canto daquele monumento histórico conta uma parte da história de seu amor pelo clube, que provavelmente foi amor de seus pais, avós e será de seus filhos e netos, pois " enquanto houver um coração infantil, o Vasco será imortal".

O Maracanã realmente é do povo do Rio, mas São Januário é do povo vascaino. Não podemos escrever a história do futebol brasileiro sem falar do Vasco.

O estádio foi um momento de combate aos aristocratas do futebol, foi um ato de resistência de sua tão apaixonada torcida, cada muro foi levantado com sangue, suor e lágrimas de seus torcedores. O estádio foi palco de glórias, a torcida canta o jogo contra o River Plate no Monumental de Nuñez, mas o gol do Donizete em São Januário também foi sensacional!!!

O Vasco, assim como seu estádio, sofreram com péssimas gestões de pessoas que odeiam o futebol e tentaram a todo custo destruir o clube, mas o Vasco é tão grande que resistiu. Hoje a SAF é uma esperança de um futuro melhor e mais equilibrado, a 777 pode até administrar o clube, porém ele sempre será de seus torcedores, que não deixaram o clube acabar.

O dirigente do clube lutar na Justiça para jogar fora de casa, não é só burrice, mas também é um ataque a história do clube. Ao invés de buscar jogar fora de casa, eles deveriam valorizar seus domínios.

Aos vascaínos seu estádio é incrível e cheio de história, não comprem narrativas e brigas de dirigentes que não conseguem mensurar o tamanho do clube, pelo contrário vocês devem se orgulhar. 

Orgulhem-se de seu estádio, orgulhem-se de sua história, orgulhem-se de sua casa.

árabe.

Por André Courel - Locutor e Jornalista Esportivo, Pós Graduando em Direito Público.

 

Por Futebol e Sociedade se discutem em 01/08/2022
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