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De volta a Maricá desde junho, Celso Pansera, atual presidente da Companhia de Desenvolvimento (Codemar), começa a resgatar um velho time de obscuras articulações. Um dos que chegou recentemente à terra do Sheik Quaquá, mais precisamente no dia 4 de julho, foi Elder Lugon.
O nome talvez não soe familiar de imediato, mas o Google refresca a memória: Lugon foi vice-presidente administrativo da Faetec sob o comando de Pansera — é, inclusive, servidor da instituição — e, posteriormente, chegou a presidir a fundação, realizando entregas de escolas ao lado do então governador Sérgio Cabral.

Para recebê-lo com tapete vermelho, o ICTIM — hoje comandado por Claudio Gimenez, nome indicado por Pansera — criou o cargo de diretor de empreendedorismo e inovação, com um salário de R$ 14.541,83. Como se já não bastasse a instituição estar envolvida em esquemas fraudulentos, denúncias de funcionários fantasmas e ser acusada, pelos próprios funcionários (os que trabalham), de instrumento de manobra para interesses particulares de Pansera, a ousadia não para por aí.
Mal conheceu Maricá, em menos de um mês, o novo “super diretor” Elder Lugon já embarcou para Salvador (BA). A justificativa oficial da viagem foi uma reunião com a Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). No entanto, uma publicação nas redes sociais revelou que a comitiva do ICTIM esteve no Terreiro de Candomblé São Jorge Filho da Gomeia, na localidade de Portão, em Lauro de Freitas (BA). Segundo o post, a intenção era firmar uma parceria com o bloco afro Bankoma para mais um projeto de economia criativa voltado ao carnaval.

Ou seja, mais do mesmo! Aparentemente, a Incubadora Cultural e a Universidade do Carnaval, que já existem em Maricá, não estão sendo suficientes, já que é necessário buscar na Bahia quem ofereça, por exemplo, oficinas de percussão e de dança.

Lugon se junta agora a outros seis servidores da Faetec cedidos ao ICTIM: Claudio de Souza Gimenez, Helisa Gomes dos Santos, Emerson Lacerda Alencar, Marcio Francisco Campos, Marcia Cristina Santana de Souza e Raja Oliveira Khalil. Resta saber se a Faetec realmente tem funcionários de sobra a ponto de ceder parte de seus quadros para a rica Maricá — que tudo pode, tudo compra.
Mas aqui entre nós: um passarinho contou que Lugon está no ICTIM para “vigiar Gimenez pro Pansera”. Ao que parece, a “marionete de Celso Pansera” — como o presidente do ICTIM é chamado pelo vereador Ricardinho Netuno (PL) em discursos inflamados na Câmara — tem tentado mostrar alguma independência, deixando o CEO do compadrio público bastante irritadiço.

Mas, visando demonstrar que está tudo bem com a "família Margarina", Pansera convidou seus "homens de confiança" do ICTIM, Gimenez e Lugon, para o palco da festa caipira da Codemar. Enquanto o regente da velha banda discursava sobre união, respeito à mulher e espírito de equipe, as ornamentações atrás concordavam com sorrisos amarelos. Já a equipe da própria empresa ficou sem entender o que os penetras faziam ali e no palco.
Há, por lá, um certo clima de insatisfação também com a postura do atual presidente. "Ele aqui não apita em nada, é pra obedecer o Quaquá e fica arrumando ceninha pra fazer vídeo colocando a cara da gente sem autorização no instagram. Não vou ficar de sorrisinho pra um cara que eu mal conheço, que fica de gracinha com mulher aqui o tempo todo e que sinceramente eu não gosto. Hamilton era discreto, priorizava o que dava de resultado, nem instagram ele tinha, mas tá aí, foi mais um chutado do governo. Substituição péssima".
*Vice de Pansera na Faetec, Lugon entra em cena após condenação milionária do TCE*
A chegada de Elder Lugon a Maricá se dá em um momento interessante para Celso Pansera, que em junho foi condenado pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) por irregularidades cometidas justamente na época em que presidia a Faetec — período em que Elder Lugon era seu vice presidente.
A reportagem foi publicada originalmente pelo Jornal da República Online e expôs os detalhes. https://www.jornaldarepublicaonline.com.br/noticia/marica-na-berlinda-pansera-condenado-e-multado-pelo-tce-rj-por-fraudes-na-faetec-assume-codemar-com-missao-de-reestruturar-banco-mumbuca-que-tambem-foi-alvo-de-fraudes-condenacao-e-multas-do-tce-rj
O TCE concluiu que houve sobrepreço em contratos com a empresa CNS Nacional de Serviços Ltda., em 2011, gerando um prejuízo superior a R$ 930 mil aos cofres públicos.
O superfaturamento envolvia até materiais de higiene básica, adquiridos com valores muito acima do mercado. A corte rejeitou todas as justificativas apresentadas por Pansera e pela CNS, responsabilizando ambos pelos danos.
Celso Pansera foi condenado a devolver R$ 386.972,09 (81.454,09 UFIR-RJ) por irregularidades no contrato de prestação de serviços nº 22/2011. Junto à empresa CNS, ele ainda deverá restituir solidariamente outros R$ 543.216,64 (114.342,14 UFIR-RJ), elevando o total da condenação a mais de R$ 930 mil.
O TCE determinou a cobrança judicial imediata dos valores, diante da ausência de pagamento voluntário, reforçando a necessidade de ressarcimento ao erário público como princípio essencial da responsabilização.
Além disso, o histórico de Pansera não para por aí. Enquanto presidia a Finep, ele autorizou financiamentos vultosos, como R$ 120 milhões à Marcopolo para a produção de ônibus elétricos e R$ 175 milhões à Taurus para ampliação de sua fábrica. Também teria aprovado, segundo denúncias da oposição, um convênio de R$ 3,9 milhões com a COPPE/UFRJ para bancar seu próprio mestrado em Engenharia de Produção, quando já presidia o ICTIM em 2022 — beneficiando outros aliados de Maricá no processo.
Com a volta de Pansera ao circuito de poder local e a chegada de aliados como Lugon, o que se vê é a reedição de um modelo de gestão já conhecido, com práticas que exigem vigilância e questionamentos — especialmente quando há recursos públicos em jogo e a promessa de inovação parece servir, cada vez mais, como uma cortina de fumaça.
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