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Presidente da Câmara e prefeito interino vence eleição suplementar com apoio da base de Joa Barbaglio
Jonas Dico (Podemos) foi eleito prefeito de Três Rios neste domingo (5), confirmando o favoritismo apontado pelas pesquisas eleitorais.
O atual presidente da Câmara Municipal e prefeito interino conquistou 16.182 votos, representando 40,19% dos votos válidos, superando por uma margem confortável de 2.327 votos o segundo colocado, Juarez da Saúde (Solidariedade), que obteve 13.855 votos. A vitória consolida a continuidade política da base que apoiava o ex-prefeito cassado Joa Barbaglio.
A eleição suplementar transcorreu de forma tranquila ao longo do domingo, mobilizando mais de 40 mil eleitores nas ruas da cidade do Centro-Sul Fluminense. O resultado, divulgado na noite deste domingo pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), define que Dico comandará a administração municipal até 31 de dezembro de 2028, completando o mandato que seria de Joa Barbaglio, cassado pela Justiça Eleitoral em decisão confirmada pelo TSE em julho deste ano.
Jonas Mascarenhas Macedo, conhecido como Jonas Dico, aos 46 anos, construiu uma sólida trajetória política em Três Rios. Sua carreira começou como vereador, cargo que ocupou por dois mandatos consecutivos, demonstrando capacidade de diálogo e articulação política que o levou à presidência da Câmara Municipal. Durante sua atuação parlamentar, Dico estabeleceu vínculos importantes com diferentes setores da sociedade local, construindo uma base de apoio que se mostrou decisiva no pleito suplementar.
A ascensão de Dico ao cargo de prefeito interino ocorreu em janeiro, quando assumiu o comando da prefeitura após a decisão da Justiça Eleitoral que cassou o mandato de Joa Barbaglio.
Durante os meses em que ocupou o cargo interinamente, o novo prefeito eleito conseguiu consolidar apoio significativo entre os vereadores e parte considerável do funcionalismo público municipal. Essa articulação política interna foi fundamental para manter a estabilidade administrativa durante o período de transição.
A campanha eleitoral de Jonas Dico foi estruturada em coligação com o MDB, tendo Arsonval Macedo Liliu como candidato a vice-prefeito. A estratégia política adotada pela chapa apostou na continuidade administrativa e na estabilidade política como principais bandeiras, contrastando com o discurso de renovação defendido pelos adversários. Essa abordagem encontrou eco no eleitorado, que optou pela manutenção de um projeto político já conhecido e testado na prática durante o período interino.
O apoio informal de Joa Barbaglio, mesmo declarado inelegível, foi um elemento importante na campanha de Dico. O ex-prefeito cassado, que havia sido reeleito em 2024 com expressivos 28 mil votos (60,99% do total), transferiu sua base política para o candidato do Podemos.
Essa herança política se mostrou valiosa, permitindo que Dico mantivesse a coesão do grupo político e preservasse as alianças construídas ao longo dos anos pela administração anterior.
A eleição suplementar foi necessária após uma série de decisões judiciais que culminaram na cassação de Joa Barbaglio. O ex-prefeito teve o registro de candidatura indeferido com base na rejeição de suas contas durante o período em que presidiu a Câmara de Vereadores. Embora tenha conseguido uma liminar que permitiu sua posse em janeiro, o TSE confirmou a cassação em julho, tornando-o inelegível e determinando a realização de novo pleito.
A legislação eleitoral brasileira estabelece que quando um candidato eleito com mais de 50% dos votos válidos tem seu mandato cassado, não é possível dar posse ao segundo colocado da eleição original.
Nessas circunstâncias, a lei determina a realização de uma eleição suplementar, que foi o que aconteceu em Três Rios. Esse procedimento garante a legitimidade democrática do processo, permitindo que os eleitores escolham diretamente quem deve ocupar o cargo.
O pleito suplementar contou com cinco chapas disputando a preferência do eleitorado. Além de Jonas Dico e Juarez da Saúde, que protagonizaram a disputa principal, participaram Bia Bogossian (PSD), que ficou em terceiro lugar com 5.941 votos (14,75%), Professor Anderson Muriçoca (PRD), em quarto com 3.929 votos (9,76%), e Jorge Almeida (DC), que obteve 360 votos (0,89%). A distribuição dos votos demonstra que a disputa se concentrou entre os dois primeiros colocados, com uma diferença significativa para os demais candidatos.
Juarez da Saúde, que ficou em segundo lugar, representou a principal alternativa ao projeto político de continuidade defendido por Jonas Dico. Sua candidatura, em coligação com o Novo e tendo o professor Jacqueson Martins Lima como vice, conseguiu mobilizar mais de 13 mil eleitores, demonstrando que existe um segmento significativo do eleitorado interessado em mudanças na administração municipal. A diferença de pouco mais de 2 mil votos indica que a disputa foi competitiva, embora Dico tenha mantido a liderança durante todo o processo.
A eleição transcorreu em meio a um clima de indefinição jurídica, uma vez que Joa Barbaglio ainda mantém recursos no Supremo Tribunal Federal tentando reverter a decisão que o tornou inelegível.
O recurso foi encaminhado ao gabinete do ministro Luiz Fux, mas até o fechamento da votação não havia decisão publicada. Essa situação criou um ambiente de incerteza que pode ter influenciado as escolhas eleitorais, com parte do eleitorado optando pela estabilidade representada pela candidatura de Dico.
O resultado eleitoral reflete a força política da base que apoiava Joa Barbaglio, demonstrando que mesmo com a cassação do ex-prefeito, o grupo político conseguiu manter sua influência e transferir os votos para Jonas Dico.
Essa capacidade de articulação e manutenção da coesão política em momentos de crise é um indicativo da solidez das alianças construídas ao longo dos anos em Três Rios.
A vitória de Jonas Dico representa também a consolidação de uma liderança que já vinha sendo testada durante o período em que exerceu o cargo de prefeito interino. Sua capacidade de manter o diálogo com diferentes setores e preservar a estabilidade administrativa durante um período politicamente turbulento foi reconhecida pelo eleitorado, que optou por dar continuidade ao seu trabalho através do voto direto.
Para os próximos anos de mandato, Jonas Dico terá o desafio de consolidar sua liderança política própria, superando a condição de herdeiro político de Joa Barbaglio. O novo prefeito precisará demonstrar capacidade de inovação e renovação administrativa, mantendo os aspectos positivos da gestão anterior enquanto implementa suas próprias propostas e visão para o desenvolvimento de Três Rios.
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