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Prefeito de Maricá provoca vereadores e jornalistas independentes após série de denúncias e afastamentos de secretários, enquanto vereador Netuno rebate com dados sobre irregularidades na gestão

O prefeito de Maricá, Quaquá, voltou a atacar a oposição e a imprensa independente em vídeo provocativo, afirmando que "pode denunciar à vontade" e sugerindo que vereadores e imprensa "levavam grana para ficar calados".
A declaração ocorre em meio a uma série de escândalos que já resultaram no afastamento de múltiplos secretários e na suspensão de contratos milionários pelo Tribunal de Contas.




Em apenas seis meses de gestão, o governo Quaquá já acumula cerca de R$ 738.436.681,94 em contratos públicos com mais de 70% sem licitação, ou seja, R$ 510.378.747,43, incluindo um acordo de R$ 280.671.150,26 com a Organização Social CEMPES na área da saúde, firmado sem licitação, ou seja, em Maricá a exceção substitui a regra, o que pode configurar um crime perante a nova Lei de Licitações.
Segundo o especialista Professor André Maia, a dispensa de licitação é uma exceção à regra geral estabelecida pela Lei 14.133/2021, devendo ser aplicada apenas em situações específicas e devidamente justificadas, como emergências, valores abaixo de determinados limites ou quando a competição é inviável.
O prefeito desafiou críticos dizendo que "quem gosta de coisa séria não tem medo" e que entrará na Justiça contra quem "mentir ou inventar", numa postura confrontativa que contrasta com a gravidade das denúncias em curso.
A fala ocorre no contexto do assassinato de três jornalistas na cidade nos últimos 3 anos e do envolvimento de membros do governo nesses crimes, aumentando a tensão política local.
Vereador Netuno detalha 14 denúncias e milhões recuperados em seis meses
O vereador Netuno respondeu duramente às provocações de Quaquá, apresentando dados concretos sobre as irregularidades identificadas na atual gestão.
Em seis meses, já foram protocoladas 14 denúncias no Ministério Público, resultando no afastamento das duas últimas secretárias de saúde, do atual secretário de saúde e do secretário de administração e planejamento.
Netuno destacou a recuperação de milhões de reais desviados na obra do Hospital Che Guevara, que demorou 12 anos para ser concluída, e denunciou o desperdício de R$ 70 milhões em fraldas nos postos de saúde.
O vereador enfatizou que não se vende nem se cala, contrastando sua postura com a de vereadores anteriores que, segundo ele, "abaixavam a cabeça e abanavam o rabinho".
A resposta de Netuno foi categórica: "se tá com medo, faz do certo e para de chorar na internet", evidenciando o embate direto entre o Executivo e a oposição fiscalizadora. O parlamentar prometeu que "vem muito mais", sinalizando continuidade nas investigações e denúncias.
Contratos milionários sem licitação geram questionamentos sobre transparência
O contrato de R$ 280 milhões com a Organização Social CEMPES, firmado sem licitação para administrar postos de saúde, tornou-se o símbolo das práticas questionáveis da gestão Quaquá.
Apesar do valor astronômico, moradores continuam enfrentando postos sem médicos, falta de medicamentos e unidades de saúde sucateadas.
A situação se agrava quando o governo opta por realizar licitações, pois os editais são frequentemente suspensos pelo TCE-RJ devido a irregularidades graves como direcionamento, ausência de documentos essenciais e indícios de superfaturamento.
Em apenas seis meses, o acúmulo de cerca de R$ 738 milhões em contratos públicos levanta questões sobre a capacidade de execução e fiscalização adequada desses recursos.
A disparidade entre os valores investidos e a qualidade dos serviços prestados à população evidencia possíveis problemas na gestão dos recursos públicos. O padrão de contratos suspensos e irregularidades detectadas pelo Tribunal de Contas sugere a necessidade de maior rigor nos processos licitatórios municipais.
Clima de intimidação afeta liberdade de imprensa em contexto de violência
As ameaças de Quaquá à imprensa independente ganham contornos ainda mais graves considerando o contexto de violência contra jornalistas em Maricá, onde três profissionais foram assassinados com envolvimento de membros do governo.
O prefeito mencionou especificamente "jornalecos" e sites que "fazem mentiras e sensacionalismo", numa clara tentativa de deslegitimar a cobertura crítica de sua gestão. A referência aos mais de R$ 100 milhões gastos pela Secretaria de Comunicação contrasta com a hostilidade demonstrada contra veículos independentes que não se "curvam ao medo e à coação".
Esta postura autoritária cria um ambiente de intimidação que compromete o exercício da liberdade de imprensa, direito fundamental em qualquer democracia.
O discurso do prefeito sugere uma divisão entre "jornalismo oficial" financiado pelo governo e "jornalismo independente" que deve ser combatido. A ameaça de processos judiciais contra críticos representa mais uma ferramenta de pressão contra o trabalho investigativo da imprensa local.
Padrão de afastamentos revela fragilidade na gestão de pessoal
A sequência de afastamentos de secretários por determinação judicial expõe a fragilidade do processo de seleção e supervisão de pessoal na gestão Quaquá.
O afastamento das duas últimas secretárias de saúde, seguido pelo afastamento do atual secretário da pasta e do secretário de administração e planejamento, indica problemas sistêmicos na governança municipal.
Estes afastamentos não são coincidências isoladas, mas resultado direto de denúncias fundamentadas que levaram à intervenção do Poder Judiciário. A rotatividade forçada em cargos estratégicos compromete a continuidade das políticas públicas e gera instabilidade administrativa.
O fato de múltiplos secretários serem afastados por irregularidades sugere falhas no controle interno e na supervisão das atividades governamentais. Esta situação coloca em questão a capacidade do prefeito de escolher e supervisionar adequadamente sua equipe, elemento fundamental para uma gestão eficiente e transparente.
Confronto político evidencia polarização na Câmara Municipal
O embate entre Quaquá e Netuno ilustra a polarização política na Câmara Municipal de Maricá, onde se confrontam uma oposição fiscalizadora determinada e um Executivo que reage com hostilidade às críticas.
A acusação do prefeito de que vereadores e imprensa "levavam grana para ficar calados" representa uma tentativa de deslegitimar a oposição atual, sugerindo que a fiscalização seria motivada por interesses escusos, mas se pode notar que somente os jornais ou na fala dele "jornalecos" com víeis de esquerda como 247, Carta Capital, etc... e pagos para falar bem dele, foram beneficiados com dinheiro de Quaquá que ele fala.
Por outro lado, Netuno reivindica legitimidade democrática para sua atuação fiscalizadora, apresentando resultados concretos de suas denúncias.
O vereador enfatiza que foi "eleito para denunciar, fiscalizar e bater de frente com quem rouba dinheiro público", posicionando-se como representante legítimo dos interesses da população.
Esta dinâmica de confronto, embora natural em democracias, ganha contornos preocupantes quando acompanhada de ameaças e tentativas de intimidação. O desafio é manter o debate político dentro dos limites democráticos, preservando tanto o direito de governar quanto o dever de fiscalizar.
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