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Bem-estar feminino em transformação
Aproximadamente 17 milhões de mulheres brasileiras estão na fase do climatério ou já passaram pela menopausa, segundo dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
Dessas, cerca de 30 milhões também enfrentam o desafio da menopausa precoce, revelam estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Um número impressionante que ganha ainda mais peso quando 8 em cada 10 mulheres brasileiras relatam sofrer impactos psicológicos negativos durante esse período, incluindo ansiedade, depressão e constrangimento, conforme aponta estudo global da Astellas divulgado em 2025.
É neste cenário desafiador que profissionais como Alessandra Pinheiro, nutricionista, educadora física e atleta profissional de 50 anos, ganham cada vez mais relevância. Presente pela terceira vez consecutiva no evento Nutrin Rio, realizado no Rio Centro, ela veio reforçar uma mensagem que vai muito além da vaidade: a importância da massa muscular para garantir não apenas uma vida mais longa, mas principalmente uma vida com qualidade, autonomia e independência.
Quando começou, a categoria nem existia.
Alessandra é pioneira em sua trajetória. Primeira campeã mundial da categoria wellness, criada em 2005 aqui no Rio de Janeiro, ela conquistou o bicampeonato no Arnold Classic, considerada uma das competições mais prestigiadas do mundo fitness, realizada em Ohio, nos Estados Unidos.
Sua presença constante no Arnold Classic South America, que agora recebe a edição em São Paulo, consolidou seu status de referência no segmento de saúde e bem-estar no Brasil.
Mas o reconhecimento externo é apenas um reflexo do verdadeiro legado que constrói: a mudança de mindset sobre envelhecimento feminino.
A nutricionista não fala apenas como atleta. Fala como mulher vivendo essa transição. Aos seus 50 anos, ela dedica esforços significativos ao estudo aprofundado da saúde feminina e longevidade, com uma abordagem clara e fundamentada: massa muscular não é acessório. É sobrevivência com qualidade de vida.
O músculo como medicina preventiva
"Quando perdemos músculo durante o envelhecimento, perdemos força e perdemos função. Isso não é questão estética", reforçou durante a entrevista.
E a ciência está do seu lado. Um estudo recente publicado na JAMA Network Open, que acompanhou mais de 5 mil mulheres entre 63 e 99 anos, revelou que a força muscular é um indicador importante de longevidade. Mulheres com maior força apresentaram risco significativamente menor de mortalidade em comparação com as demais.
Pesquisas acadêmicas da SciELO também confirmam que o treinamento de força em mulheres idosas promove aumentos significativos na capacidade funcional, refletindo na melhoria da qualidade de vida em domínios físicos e psicológicos.
O treino de força, portanto, deixou de ser opcional e se tornou essencial para garantir autonomia nos movimentos diários: subir escadas, carregar compras, levantar do sofá, cuidar de netos com segurança.
O mercado respondeu à demanda.
A transformação no cenário brasileiro não é acidental. O mercado de wellness no Brasil já movimenta aproximadamente US$ 96 bilhões, segundo relatório recente do Global Wellness Institute. Em escala global, o setor wellness alcançou US$ 6,8 trilhões em 2024, dobrando de tamanho desde 2013. Para 2028, as projeções apontam que o mercado global atingirá US$ 9 trilhões.
No Brasil, esse crescimento acelerado tem atraído grandes marcas e profissionais qualificados para eventos como Nutrin Rio e Estética em Rio. Estes encontros reúnem não apenas empresas, mas constroem redes de conhecimento entre atletas, nutricionistas, educadores físicos e empreendedores comprometidos com a mudança de paradigma: longevidade não é privilégio, é possibilidade.
A importância do espaço para mulheres
Alessandra foi enfática em reconhecer a importância de eventos que associem esporte, saúde, estética e longevidade feminina.
"A gente precisava desse espaço. Precisava associar o esporte com a estética, com a saúde, com a longevidade feminina", afirmou durante a conversa. Seu público-alvo é o público feminino em transição: perimenopausa, menopausa, climatério.
"Todas nós vamos menopausar se tudo der certo", brincou, em tom que mescla leveza e verdade absoluta. Para ela, aos 40 anos, exercitar-se é ótimo. Aos 50, é indispensável. Aos 30, é bom.
A progressão não é casual: é uma urgência biológica que a medicina preventiva finalmente começou a reconhecer e comunicar ao grande público.
Força é a peça fundamental da longevidade.
Na conclusão de sua participação no evento, Alessandra reforçou: "Treino de força é indispensável em qualquer década da vida. Mas, aos 50 anos, ele se torna a peça fundamental e quase obrigatória, porque, se nós quisermos ter longevidade física e mental, a gente precisa construir e manter massa muscular."
A mensagem transcende a academia. Transcende o público específico de atletas. Trata-se de um chamado de saúde pública para que mulheres brasileiras entendam que investir em força muscular durante a menopausa não é vaidade ou exibicionismo.
É medicina preventiva em sua forma mais pura e acessível.

Por Ralph Lichotti e Robson Talber
Repórter Antonio Lemos @djportugues
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