Arthur Pereira: o produtor, do Carnaval ao dragão chinês: a corrida contra o relógio para entregar 6 horas de material em 8K para a TV da China

Enquanto as competições do Dragon Boat Brasil aconteciam na Lagoa Rodrigo de Freitas, uma equipe de nove operadores de câmera, drones e equipamentos sem fio corria contra o tempo para enviar à emissora chinesa um material de qualidade internacional, tudo em 4K, tudo sem fio e tudo em menos de seis horas

Rio de Janeiro, 21 de junho de 2026 — Enquanto os tambores do Dragon Boat ecoavam sobre a Lagoa Rodrigo de Freitas e as 26 equipes disputavam as finais do primeiro Open Dragon Boat Brasil, uma outra corrida acontecia nos bastidores.

Dessa vez, não era contra o cronômetro da competição, mas contra o fuso horário da televisão chinesa.

Arthur Pereira da Silva, produtor audiovisual e CEO da Fitamarela, estava no comando de uma operação que unia dois mundos que ele conhece como poucos: o espetáculo e a entrega técnica no limite do prazo.

Com nove operadores de câmera espalhados pelo Estádio de Remo da Lagoa, drones sobrevoando as canoas e equipamentos 4K sem fio, sua equipe tinha exatamente seis horas para captar, editar e entregar o material pronto para a emissora da China.

"Na verdade, tem seis horas para esse material ficar pronto para a emissora chinesa", revelou Arthur, sem tirar os olhos dos monitores. "Todo corte, edição, tudo acontece agora para ir funcionar lá."

Do samba ao dragão.

A Fitamarela nasceu no Carnaval. É um dos maiores canais do YouTube dedicados às escolas de samba do Rio de Janeiro, com cobertura que vai do grupo especial ao acesso, passando por ensaios técnicos, finais de samba-enredo e bastidores que a transmissão oficial não mostra.

A produtora tem parceria com a Liga das Escolas de Samba e já produziu conteúdo para artistas como Xande de Pilares, Arlindo Cruz, Dudu Nobre e Mariene de Castro.

Mas foi justamente a experiência em eventos de grande porte que credenciou a Fitamarela para um desafio completamente diferente: registrar o primeiro festival chinês de Dragon Boat em solo carioca, um evento que a Unesco reconhece como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Arthur compara a complexidade dos dois mundos. "Trabalhar com o evento da China é bem interessante, tanto quanto o Carnaval." Tem muitos objetos, muito material. Usar o drone é gostoso porque você chega perto, tem bastante coisa para explorar."

A tecnologia que voa sobre a lagoa

A captação das imagens do Festival das Águas Dragon Boat Brasil 2026 exigiu um nível de sofisticação técnica comparável às grandes transmissões esportivas internacionais.

A equipe de nove operadores utilizou câmeras 4K sem fio e drones para capturar ângulos que vão do mergulho sobre os barcos até a perspectiva aérea da Lagoa Rodrigo de Freitas.

"Os equipamentos sem fio evoluem a cada mês. Cada vez mais a exigência de qualidade é maior: 8K, 4K, essa briga entre Full HD e HD — e tudo sem fio", explica Arthur.

A afirmação encontra respaldo no mercado. Dados da Grand View Research indicam que o mercado global de equipamentos de transmissão ao vivo sem fio deve atingir US$ 6,2 bilhões até 2027, impulsionado pela demanda por eventos esportivos e festivais multiculturais.

O Brasil, como um dos maiores mercados de mídia ao vivo do mundo, tem se beneficiado diretamente dessa expansão.

O uso de drones para cobertura de eventos aquáticos, em particular, cresceu 340% entre 2020 e 2025, segundo levantamento da Drone Industry Insights. A aplicação no Dragon Boat permite capturar a sincronia dos remadores e o desenho dos barcos sobre as águas de uma forma que câmeras terrestres não alcançariam.

A parceria Brasil-China que passa pela tela

O material produzido pela Fitamarela não ficará no Brasil. As imagens editadas seguem diretamente para uma emissora de televisão chinesa, que exibirá o festival para um dos maiores públicos televisivos do mundo.

A China possui mais de 1,4 bilhão de habitantes e uma das indústrias de mídia mais reguladas e competitivas do planeta, com exigências técnicas rigorosas para conteúdo importado.

A presença da State Grid, multinacional chinesa de energia, como patrocinadora oficial do evento, e da cônsul-geral da China no Rio de Janeiro, Tian Min, na cerimônia de abertura, reforçam o peso institucional da transmissão.

A urgência de seis horas para finalização do material deve-se ao fuso horário entre Rio de Janeiro e Pequim, que varia de 11 a 12 horas de diferença, dependendo do horário de verão chinês. Para que as imagens fossem exibidas nos horários nobres da televisão asiática, a equipe de Arthur trabalhou sob pressão ininterrupta durante os dois dias de evento.

O dia inesquecível: quando a pandemia uniu os intérpretes do samba.

Na entrevista, Arthur foi convidado a recordar o momento mais marcante de sua trajetória.

A resposta não veio de uma grande festa ou de um desfile triunfal — veio da ausência deles.

Em 2020, a pandemia de Covid-19 paralisou o mundo. O Carnaval do Rio de Janeiro, uma festa que movimenta R$ 4,5 bilhões por ano na economia da cidade, segundo dados da Riotur, foi cancelado pela primeira vez em décadas.

A Sapucaí ficou vazia. As escolas de samba, que empregam milhares de pessoas, pararam.

Foi nesse vazio que Arthur encontrou seu momento mais significativo. "Quando não teve Carnaval no Rio por causa da pandemia, os intérpretes das escolas de samba do grupo especial se apresentaram no meu canal no domingo de Carnaval. Reuniu todos eles."

O feito, inédito, ocorreu na quadra da Portela, em Madureira, e foi transmitido ao vivo pelo canal Fitamarela. "A ficha caiu de que a gente estava na Portela e foi transmitido ao vivo de lá." Esse foi o dia mais legal para a Fitamarela. Nunca mais vou esquecer."

O Brasil registrou, em 2020, mais de 195 mil mortes por Covid-19, e o setor cultural foi um dos mais atingidos. Uma pesquisa da Datafolha, encomendada pela Aliança Criativa e pelo Itaú Cultural, revelou que 66% dos profissionais da cultura ficaram sem renda durante a pandemia.

A transmissão dos intérpretes na Fitamarela foi um oásis de resistência cultural em meio ao colapso sanitário.

De motion designer na Petrobras a CEO do próprio canal.

A trajetória de Arthur Pereira da Silva não começou no Carnaval nem no Dragon Boat. Durante 14 anos, ele trabalhou como motion designer na Petrobras, uma das maiores empresas de energia do mundo.

Foi na estatal que desenvolveu as habilidades técnicas em computação gráfica e efeitos especiais que mais tarde aplicaria na produção audiovisual.

Formado em Efeitos Especiais e Videografismo pela Autodesk e técnico em Telecomunicações pelo SENAI CETIQT, Arthur fundou a Fitamarela em 2012 como um projeto paralelo de produção de vídeo.

O que começou como uma atividade de meio período tornou-se, em 2017, sua ocupação integral. Desde então, a produtora cresceu e se consolidou como referência em cobertura de Carnaval, transmissões ao vivo e produção de conteúdo para artistas.

O currículo de Arthur inclui parcerias com nomes de peso do samba e do pagode. Xande de Pilares, Arlindo Cruz, Dudu Nobre e Mariene de Castro estão entre os artistas com quem a Fitamarela já trabalhou.

A produtora mantém parceria oficial com a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e cobre, anualmente, os ensaios técnicos, a abertura do Carnaval e as premiações do setor.

Do Carnaval à China, o legado de um feito histórico.

A participação da Fitamarela no Festival das Águas Dragon Boat Brasil 2026 marca um ponto de virada na trajetória da produtora. Se antes o foco era exclusivamente o Carnaval carioca, agora a empresa demonstra capacidade de atuar em eventos internacionais com exigências técnicas de nível global.

Arthur deixou claro que a experiência abriu portas.

"É gostoso fazer o mergulho do drone porque você chega perto, tem bastante coisa para explorar", afirmou, com a satisfação de quem sabe que o material que produziu nas margens da Lagoa Rodrigo de Freitas será visto por milhões de telespectadores do outro lado do mundo.

No fim de semana em que dragões milenares chineses cruzaram as águas cariocas, foi um produtor de Carnaval quem garantiu que a imagem chegasse limpa, em 4K e sem fio — provando que, seja no samba ou no barco-dragão, o essencial é o mesmo: contar uma história que merece ser vista.

Arthur Pereira da Silva

Arthur Pereira da Silva é produtor audiovisual, motion designer e CEO da Fitamarela, produtora de vídeo e canal no YouTube especializado em Carnaval e transmissões ao vivo.

Sócio-fundador da empresa, atua há mais de 14 anos no mercado audiovisual, com passagem de 14 anos como motion designer na Petrobras, onde desenvolveu expertise em computação gráfica e efeitos especiais.

Formado em Efeitos Especiais e Videografismo pela Autodesk e técnico em Telecomunicações pelo SENAI CETIQT, Arthur construiu uma carreira que une técnica e criatividade.

Sua produtora mantém parceria oficial com a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, cobre o grupo especial e o acesso do Carnaval carioca, e já produziu conteúdo para artistas como Xande de Pilares, Arlindo Cruz, Dudu Nobre e Mariene de Castro.

Em 2026, a Fitamarela expandiu sua atuação para eventos internacionais, realizando a cobertura audiovisual do Festival das Águas Dragon Boat Brasil 2026, com material entregue em 4K sem fio para emissora de televisão chinesa.

Durante a pandemia, liderou a transmissão histórica que reuniu todos os intérpretes do grupo especial das escolas de samba na Portela, um dos momentos mais marcantes de sua carreira. O canal Fitamarela pode ser acompanhado no YouTube e no Instagram @fitamarela.

Por Robson Talber @robsontalber

Repórter Antonio Lemos @djportugues

Sigam e compartilhem o nosso Instagram. @jornalultimahoraonline

 

Por Ultima Hora em 22/06/2026
Aguarde..