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Por Carlos Arouck
O colapso fiscal não é uma ameaça distante e já ocorre agora no Brasil. O país está com as contas públicas em um aperto sério: a dívida sobe sem parar, o déficit nominal continua alto e o Banco Central é obrigado a manter os juros reais elevados para segurar a inflação. Isso não é detalhe técnico. São sinais claros de que o modelo atual não aguenta mais.
O governo gasta mais do que arrecada e vive emitindo dívida para tapar o buraco. Com o intuito de conseguir vender esses títulos, o Banco Central precisa oferecer juros bem altos. Com isso, a dívida cresce mais rápido ainda e fica cada vez mais cara de rolar. Quando o mercado interno já não absorve mais tanta emissão, a saída que o Ministério da Fazenda encontrou foi correr atrás de dinheiro na China. Alguém precisa trazer o ministro de volta pAra explicar isso com clareza, porque não é coisa pequena.
Aumentar imposto já foi testado até o limite. Não resolve mais. A única forma real de frear essa bola de neve é cortar gastos obrigatórios de verdade e impor controle sério no orçamento. Sem isso, a dívida só vai continuar corroendo o futuro do país.
Quando o governo gasta de forma abusiva, a demanda sobe, os preços sobem junto e a inflação aperta. Para conter, os juros ficam altos. Aí o crédito encarece pra todo mundo, a empresa investe menos, a economia anda devagar e as famílias sentem no bolso. Muita gente de baixa renda hoje se endivida só para comprar comida no supermercado. O endividamento público, com esses juros elevados, cria um efeito dominó que chega direto no prato de quem tem menos. Quando o governo gasta mais do que arrecada, o rombo aparece na vida real das pessoas. Grande parte da responsabilidade é do presidente e do governo atual.
Agora, enquanto isso acontece, o sistema financeiro também está mostrando que tem problemas graves de outro tipo. Casos como o Banco Master, o Digimais e as Americanas não são acidentes isolados. Eles seguem um padrão parecido e acabam agravando ainda mais a situação no país de quem já está apertado.
No Banco Master, sob Daniel Vorcaro, o crescimento foi explosivo a partir de 2018. O banco captava bilhões em CDBs com rendimentos acima do mercado, garantidos pelo FGC, mas lastreados em ativos ruins ou simplesmente inventados. A Operação Compliance Zero da Polícia Federal encontrou emissão de títulos sem lastro, manipulação contábil, contratos fantasmas de crédito consignado, operações suspeitas com empresas ligadas ao PCC e até ao Hezbollah, além de lavagem de dinheiro. Vorcaro foi preso várias vezes, o banco foi liquidado e o prejuízo para o FGC (junto com outras liquidações) já soma dezenas de bilhões de reais.
O Digimais fez quase a mesma coisa. Vendia CDBs bem acima do mercado, inflou o valor dos fundos com avaliações fajutas, registrava vendas forjadas para holding do bispo Edir Macedo com vencimentos longos de uma vez no balanço. Quando um auditor perguntou os números, trocaram de auditoria. Teve fraude de R$670 milhões num fundo só, créditos podres em outros e R$4 bilhões sem documentação. O rombo estimado para o FGC só nesse caso fica em torno de R$7 bilhões. As irregularidades vinham desde 2023 e o Banco Central demorou a agir de forma efetiva, inclusive aprovou, em dezembro de 2025, Aldemir Bendine como CEO.
O caso das Americanas, revelado em 2023, tem o mesmo DNA: manipulação contábil por anos para inflar resultados e esconder dívidas, criando lucros fictícios de R$25 bilhões. Um terço da dívida inicial era com bancos públicos (Banco do Brasil, BNDES e Caixa). Os bancos privados também estavam expostos. Agora, em 2026, a Polícia Federal investiga executivos de bancos que mantinham relações próximas com a empresa.
Esses três casos mostram um padrão. O Banco Central e a CVM demoram para reagir em operações de risco que já eram conhecidas no mercado. Existem proteções políticas e institucionais. O FGC acaba pagando a conta bilionária. Às vezes aparecem ligações com crime organizado. A supervisão preventiva falha até o problema virar crise.
O resultado é prejuízo socializado: perdas em bancos públicos e fundos de pensão, erosão de confiança no sistema financeiro e nas instituições. Enquanto isso, o governo continua atolado em dívidas, mantendo juros altos que encarecem a vida de todo mundo e precisando até de empréstimo externo.
O Banco Master não foi um caso. Foi o modelo que se repetiu no Digimais e apareceu de forma parecida nas Americanas. Enquanto o sistema regulatório não tratar essas operações como fraudes estruturadas, com supervisão rígida, sanções rápidas e responsabilização de quem está por trás (controladores, banqueiros, auditores e quem dá cobertura política), novos esquemas vão continuar aparecendo.
No final, tudo se conecta. O descontrole fiscal joga a economia numa armadilha de juros altos e crescimento baixo. Ao mesmo tempo, um sistema financeiro que permite fraudes bilionárias joga mais peso nas costas da população quando as coisas dão errado. A sociedade merece um governo que gaste com responsabilidade e um sistema financeiro que não sirva de palco para esquemas ilícitos. No final, o custo cai sempre no mesmo lugar, no bolso de quem trabalha e produz, o trabalhador brasileiro.
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