Comissão da Câmara avança com PEC contra aposentadoria compulsória de juízes

CCJ aprovou admissibilidade da proposta que acaba com aposentadoria compulsória como punição disciplinar para magistrados

Comissão da Câmara avança com PEC contra aposentadoria compulsória de juízes

Por Cleber Lourenço Via ICL

 

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (8) a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende extinguir a aposentadoria compulsória como forma de punição disciplinar aplicada a magistrados. A medida reacende um debate antigo sobre a responsabilização de integrantes do Judiciário e sobre o alcance das garantias constitucionais da magistratura.

Atualmente, a aposentadoria compulsória é uma das sanções previstas para juízes que cometem infrações disciplinares. Na prática, o magistrado deixa o cargo, mas continua recebendo remuneração proporcional ao tempo de serviço, o que levou a medida a ser frequentemente criticada por parlamentares e por entidades de controle como uma espécie de “aposentadoria-prêmio”.

A proposta aprovada na CCJ representa apenas a primeira etapa da tramitação. Após o aval da comissão, a PEC seguirá para uma comissão especial, responsável por analisar seu mérito. Se aprovada, ainda precisará ser votada em dois turnos pelo plenário da Câmara, antes de seguir para o Senado.

Durante a análise da admissibilidade, o relator promoveu alterações no texto original para afastar dispositivos que poderiam ser considerados incompatíveis com as garantias constitucionais da magistratura. A versão aprovada retirou trechos que permitiam a perda administrativa do cargo, preservando o entendimento de que sanções dessa natureza devem respeitar a independência do Poder Judiciário e o devido processo constitucional.

O tema divide opiniões. Defensores da proposta argumentam que a aposentadoria compulsória transmite à sociedade a percepção de impunidade quando aplicada a magistrados condenados em processos administrativos. Para esse grupo, a mudança reforça a credibilidade do sistema disciplinar e aproxima o regime dos juízes daquele aplicado a outras carreiras do serviço público.

Já entidades representativas da magistratura costumam sustentar que as garantias institucionais dos juízes não representam privilégios individuais, mas mecanismos destinados a assegurar independência frente a pressões políticas e econômicas. Na avaliação dessas entidades, qualquer alteração no regime disciplinar deve preservar esse equilíbrio para evitar interferências na atuação do Judiciário.

A discussão ocorre em meio ao aumento da pressão de parlamentares por mudanças em regras consideradas privilégios de membros do sistema de Justiça. Nos últimos anos, propostas relacionadas a remuneração, benefícios e punições de magistrados e integrantes do Ministério Público têm ganhado espaço no Congresso, impulsionadas por cobranças por maior transparência e responsabilização.

Mesmo com o avanço na CCJ, a PEC ainda terá um percurso legislativo extenso até uma eventual promulgação, passando por comissão especial, dois turnos de votação na Câmara e, posteriormente, pela análise do Senado.

Por Ultima Hora em 08/07/2026
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