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Coronel Marcelo de Menezes, ex-secretário da Polícia Militar do RJ e pré-candidato a deputado estadual pelo PL, participou de encontro do Grupo Especializado de Segurança Pública (GESP) na Barra da Tijuca e alertou para o avanço do crime organizado na região — defendendo mudanças na legislação e a retomada de territórios ocupados por facções.

O cenário de insegurança na Barra da Tijuca
A região da Barra da Tijuca, um dos cartões-postais do Rio de Janeiro, tem enfrentado um crescimento preocupante da criminalidade. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP/RJ) indicam que o estado registrou 745.624 ocorrências criminais em 2025, sendo 385.289 apenas na capital. Moradores de Jacarepaguá e da Barra relatam uma sensação crescente de abandono, com ataques a estabelecimentos comerciais, arrastões e a atuação ostensiva de facções que disputam o controle territorial.
Foi nesse contexto que o Coronel Menezes participou do encontro do GESP — Grupo Especializado de Segurança Pública —, um colegiado que reúne juristas, desembargadores, ex-comandantes policiais e lideranças da sociedade civil organizada para discutir mudanças legislativas e estratégicas no combate à criminalidade.
O diagnóstico do Coronel Menezes: crime organizado como "ativo financeiro"
Durante a entrevista, o Coronel Menezes fez uma análise direta sobre a atuação das facções criminosas:
"Nós estamos acompanhando já há alguns anos a questão do controle territorial por parte das facções como um ativo financeiro, como um mote de atuação."
Para ele, o Estado brasileiro precisa se adaptar à nova realidade do crime organizado, que trata territórios dominados como fonte de receita. A solução, segundo o coronel, passa por um debate amplo e qualificado com a sociedade:
"Só se constrói segurança pública discutindo com as pessoas e enfrentando o problema de frente."
A ADPF 635 e a retomada de territórios
Um dos pontos centrais da discussão foi a ADPF 635, conhecida como "ADPF das Favelas", que está em julgamento no Supremo Tribunal Federal. A ação estabelece restrições a operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro durante a pandemia e, desde então, regula o planejamento de incursões policiais.
O Supremo retomou o julgamento do caso em abril de 2025, e a decisão tem gerado debates acalorados entre juristas e autoridades de segurança. Menezes defende que não há alternativa senão a retomada dos territórios ocupados:
"Não há outro caminho senão a retomada desses territórios e a entrega desses espaços para as pessoas de bem que moram nessa região."
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) aprovou em março de 2026 um plano de retomada de territórios no RJ, que ainda depende de aprovação do STF e da Defensoria Pública da União.
As brechas na lei e o papel do Legislativo
O coronel também destacou que o GESP foi criado por juristas e desembargadores justamente para identificar as brechas legais usadas pela criminalidade:
"É importante se melhorar o poder legislativo para mudar as leis, para evitar essas brechas que os advogados às vezes usam para defender esses traficantes."
A crítica atinge diretamente a atuação de advogados contratados por organizações criminosas, que exploram lacunas processuais para obter liberdades provisórias, relaxamentos de prisão e revisões criminais. O grupo já teve leis aprovadas no Congresso Nacional com o objetivo de endurecer o combate ao crime organizado.
Operação do Complexo do Alemão e da Penha: a maior do país
Menezes comandou a operação do Complexo do Alemão e da Penha, classificada por ele como a maior operação policial já realizada no Brasil. A ação foi um marco na política de segurança do Rio de Janeiro, com incursões simultâneas em dezenas de comunidades dominadas pelo tráfico.
"A operação do Complexo do Alemão e da Penha foi importante porque gerou uma grande onda em todo o país, demonstrando o protagonismo que a segurança pública tem na sociedade brasileira."
Segundo o coronel, a operação teve impacto direto na reestruturação das ações policiais e serviu de modelo para intervenções em outros estados.
Segurança pública como "mãe de todos os direitos"
Em um dos momentos mais marcantes da entrevista, o Coronel Menezes afirmou:
"Eu costumo dizer que a segurança pública é a mãe de todos os direitos. Não há qualquer outra ação de governo que prospere sem a segurança pública."
Para ele, a segurança não pode ser tratada como uma pauta isolada. É "um tema multidisciplinar e muito mais amplo do que apenas a visão sobre a ótica da questão policial". O combate à criminalidade exige a atuação integrada de diversos órgãos da administração pública — sistema prisional, educação, assistência social e justiça.
Estratégias diferentes para realidades diferentes
Menezes alertou para um erro recorrente na formulação de políticas de segurança: aplicar as mesmas soluções em regiões completamente distintas.
"Uma estratégia para a zona sul não é a mesma estratégia que vai funcionar na Baixada Fluminense, em São Gonçalo."
Ele defende a escuta ativa das representações locais — associações de moradores, lideranças comunitárias e empresariais — para que as políticas públicas sejam adaptadas à realidade de cada território.
A pré-candidatura a deputado estadual
O Coronel Menezes oficializou sua pré-candidatura a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL) . Em sua plataforma, ele se apresenta como "especialista em segurança pública", baseado nos dois anos em que esteve à frente da Secretaria de Polícia Militar do RJ — cargo para o qual foi nomeado em abril de 2024 pelo governador Cláudio Castro.
"Decidi colocar o meu nome à disposição da população como um especialista em segurança pública, baseado principalmente nesses dois anos em que estive à frente da corporação."
Sua filiação ao PL gerou repercussão na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde deputados da base governista teriam recebido a candidatura com reservas, temendo a concorrência eleitoral.
Bio: Coronel Marcelo de Menezes Nogueira
Carioca, 54 anos, casado e pai de dois filhos, o Coronel Marcelo de Menezes Nogueira construiu uma carreira sólida na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Sua trajetória acadêmica inclui graduação em duas universidades, além de cursos de formação e aperfeiçoamento na área de segurança pública. Nomeado secretário de Polícia Militar em abril de 2024, comandou a histórica operação do Complexo do Alemão e da Penha — a maior do país —, que marcou uma virada na abordagem do Estado contra o crime organizado. Reconhecido por sua postura técnica e firme, Menezes defende que a segurança pública deve ser tratada como prioridade absoluta do poder público, e leva essa bandeira como pilar de sua pré-candidatura a deputado estadual pelo PL. Sua trajetória une experiência operacional nas ruas à formulação de políticas de segurança, posicionando-o como uma das vozes mais experientes no debate sobre o tema no estado.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber
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Fontes: ISP/RJ (Instituto de Segurança Pública), STF (ADPF 635), CBN Rio de Janeiro, Agência Brasil, CNMP, Alerj, site oficial Coronel Menezes.
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