Dr. Eduardo Moreno, especialista em distúrbios do sono, alerta: privação noturna é perda de vida e pode destruir relacionamentos

Fisioterapeuta com mais de 20 anos de atuação e 10 mil atendimentos, participa do Encontro com Propósito no Rio de Janeiro e revela os impactos devastadores da falta de sono reparador

Rio de Janeiro recebeu no Shopping Uptown Barra, na loja Mercosul, o Encontro com Propósito, evento que reuniu fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e profissionais de saúde para debater qualidade de vida e bem-estar.

Entre os especialistas presentes, o Dr. Eduardo Moreno, fisioterapeuta especialista em distúrbios do sono com mais de duas décadas de experiência, trouxe uma mensagem que ressoa com milhões de brasileiros que enfrentam noites mal dormidas: dormir bem não é luxo, é necessidade biológica e saúde pública.

Com mais de 10 mil atendimentos realizados ao longo de 20 anos de carreira, o especialista alerta que a privação do sono compromete não apenas a disposição diária, mas a saúde do cérebro, o humor, a memória e até relacionamentos conjugais.

"Salvei muitos casamentos por causa dos roncos do lado", afirma o fisioterapeuta, destacando que distúrbios do sono afetam também a vida a dois e a harmonia familiar.

O sono como processo de reparação biológica

O Dr. Eduardo Moreno explica que o sono não é um estado passivo, mas um período ativo de recuperação do organismo. Durante o sono profundo, o corpo elimina proteínas altamente tóxicas acumuladas no cérebro ao longo do dia, realiza reparação celular e consolida memórias. A privação do sono interrompe esse processo fundamental.

"Privação do sono é perda de vida." Durante o sono é o momento em que o nosso corpo se recupera, é o momento em que a gente elimina proteínas altamente tóxicas que são acumuladas no nosso cérebro", alerta. Estudos científicos corroboram esta afirmação.

Pesquisas publicadas na revista científica Nature Neuroscience demonstraram que o sono profundo é essencial para o sistema glinfático, mecanismo que remove resíduos metabólicos do cérebro, incluindo as proteínas beta-amiloide associadas ao Alzheimer.

Sinais de alerta que não podem ser ignorados.

O especialista enumera sintomas que indicam distúrbios do sono não diagnosticados: acordar cansado, mau humor matinal, falta de atenção durante o dia, esquecimentos frequentes, comportamentos alimentares compulsivos noturnos.

"A pessoa que acorda cansada, mal-humorada, com falta de atenção, vai à geladeira, esquece o que foi buscar lá, acaba comendo. Isso pode ser um quadro grave de distúrbio numa fase específica do sono."

A Sociedade Brasileira do Sono estima que cerca de 73 milhões de brasileiros sofram de distúrbios do sono, sendo a insônia e a apneia obstrutiva os mais prevalentes.

A apneia do sono, caracterizada por pausas respiratórias durante a noite, afeta aproximadamente 33% da população adulta e está associada a risco aumentado de hipertensão, infarto, acidente vascular cerebral e diabetes tipo 2.

A sensação de "sono leve" mencionada por muitos pacientes também foi esclarecida. Segundo o Dr. Eduardo, não existe sono leve como condição isolada, mas sim a falta de higiene do sono adequada.

Possivelmente você está levando para a cama as suas responsabilidades, as suas tensões, as suas preocupações de futuro. Isso não vai te levar a produzir melatonina para induzir ao sono e manter um sono com qualidade."

Higiene do sono: o ritual que prepara o corpo para descansar.

A melatonina, hormônio produzido pela glândula pineal durante a noite, é o gatilho natural para o início do sono. No entanto, o estilo de vida moderno, exposição à luz azul de telas, alimentação próxima ao horário de dormir e estresse crônico comprometem sua produção.

O especialista enfatiza que a higiene do sono é comportamento de vida, não apenas uma rotina noturna.

Dados da Associação Brasileira do Sono indicam que 65% dos brasileiros apresentam má qualidade do sono, e 40% relatam insônia ocasional.

As consequências vão além do cansaço: irritabilidade, baixa produtividade, comprometimento do sistema imunológico e aumento do risco de transtornos de ansiedade e depressão são diretamente ligados à privação crônica.

A relação entre sono e saúde mental é documentada por vasta literatura.

O Instituto do Sono de São Paulo publicou estudo demonstrando que pacientes com insônia crônica apresentam risco quatro vezes maior de desenvolver depressão quando comparados à população que dorme adequadamente.

Ronco: quando o barulho noturno esconde um perigo silencioso.

O ronco, frequentemente tratado como piada ou incômodo menor, pode ser sintoma de apneia obstrutiva do sono, condição em que as vias aéreas colapsam durante a noite, interrompendo a respiração por segundos ou até minutos.

O Dr. Eduardo Moreno atua justamente na adaptação e acompanhamento de pacientes que necessitam de aparelhos de pressão positiva (CPAP), tratamento padrão-ouro para apneia moderada a grave.

"Já atendi tantas pessoas, recuperei o sono com a ajuda de Deus, salvei muitos casamentos por causa dos roncos do lado", relata.

O impacto social do ronco não deve ser subestimado. Parceiros de cama de pacientes com apneia frequentemente desenvolvem privação do sono secundária, afetando a dinâmica conjugal e a qualidade de vida do casal.

A participação no Encontro com Propósito

O evento organizado pelo pré-candidato Dr. Renato de Paula reuniu especialistas de diversas áreas da saúde para discutir inovação e cuidado integrado.

A presença do Dr. Eduardo Moreno, no encontro, reforça a importância de integrar a saúde do sono às discussões sobre qualidade de vida e políticas públicas de saúde.

"Estou participando de um evento que está sendo ímpar em nossas vidas pela apresentação de inúmeros professores e palestrantes", afirmou o especialista, destacando a relevância de encontros multidisciplinares para o avanço da fisioterapia e da medicina do sono no Brasil.

Perfil Dr. Eduardo Moreno

O Dr. Eduardo Moreno é fisioterapeuta especialista em Fisioterapia Respiratória e Distúrbios do Sono, com pós-graduação pela PUC e formação acadêmica vinculada à ABRASCI (Academia Brasileira de Ciências).

Com mais de 20 anos de experiência e mais de 10 mil atendimentos realizados, concentra sua atuação no diagnóstico, adaptação e acompanhamento contínuo de pacientes que necessitam de aparelhos de pressão positiva (CPAP) para tratamento de apneia do sono e ronco.

É diretor da Criticalmed Produtos Médicos Hospitalares e mantém presença ativa nas redes sociais, onde compartilha orientações clínicas sobre higiene do sono e saúde respiratória.

Já participou de programas como o Estúdio i, da GloboNews, consolidando-se como referência na área de distúrbios do sono no estado do Rio de Janeiro.

Por Robson Talber @robsontalber 

Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade

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Por Ultima Hora em 15/07/2026
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