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A tão esperada estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026 foi um retrato incômodo da realidade de uma seleção que insiste em viver de lampejos individuais enquanto o futebol coletivo definha. Diante de 82 mil torcedores no MetLife Stadium, em Nova Jersey, o Brasil de Carlo Ancelotti não convenceu, não criou e, acima de tudo, não demonstrou estar pronta para enfrentar adversários mais organizados. O empate por 1 a 1 contra Marrocos foi mais um sintoma do que um resultado — e os sintomas são preocupantes.
Primeiro tempo expõe fragilidade tática
Marrocos foi superior durante quase toda a primeira metade do jogo. Com uma pressão alta que desmontou a saída de bola brasileira, os marroquinos encontraram espaços com facilidade — especialmente pelo lado direito, onde o zagueiro Ibañez, improvisado na lateral, serviu de porta de entrada para as investidas de Achraf Hakimi. Aos 24 minutos, o gol marroquino foi a consequência lógica de uma falha coletiva que começou na pressão ineficiente e terminou com Ismael Saibari recebendo livre entre os zagueiros e tocando com frieza por cima de Alisson.
Não foi um gol de acaso. Foi um gol anunciado, construído com paciência e técnica por uma equipe que sabe exatamente o que faz em campo. O tipo de gol que o Brasil, há tempos, não sabe mais evitar.
O lampejo de Vinícius Jr. e o que ele escondeu
Vinícius Júnior fez o que se espera de um dos melhores jogadores do mundo. Aos 32 minutos, em uma jogada que começou perto da linha de fundo, o atacante do Real Madrid cortou para dentro, encontrou ângulo e disparou uma finalização precisa no canto do goleiro. Foi o sétimo gol do Brasil em estreias de Copa — e deu a Vini Jr. a honra de entrar para essa lista ao lado de nomes como Pelé e Neymar.
O problema é que o gol de Vinícius, tão bonito quanto, serviu para mascarar uma atuação coletiva que esteve longe do mínimo aceitável para uma seleção pentacampeã mundial. Até aquele momento, o Brasil não conseguia se impor. Depois do gol, tampouco.
Segundo tempo sem evolução
Na segunda etapa, o Brasil melhorou — mas "melhorou" para uma equipe que esteve irreconhecível nos primeiros 45 minutos. Vinícius, que havia sido o salvador no primeiro tempo, desapareceu. Ancelotti tentou correções com as entradas de Danilo, Luiz Henrique, Danilo Santos e Fabinho — que chegou a deixar sangue em campo em uma dividida que simbolizou mais a garra individual de cada um do que qualquer plano coletivo.
Nada funcionou. Marrocos seguiu trocando passes com naturalidade, controlando o ritmo da partida e, no fim, parecendo mais satisfeita com o empate do que pressionada pela obrigação de vencer. O Brasil, por sua vez, parecia conformado.
Gabriel Magalhães, zagueiro do Arsenal, foi o grande destaque defensivo, com intervenções precisas nos momentos de maior pressão marroquina. Sua atuação merece registro — mas o destaque de um zagueiro na estreia de uma Copa é, por si só, um sinal de que algo não vai bem no setor ofensivo.
O Grupo C e a dura realidade que espera o Brasil
O Brasil está no Grupo C ao lado de Marrocos, Haiti e Escócia. Se empatar com Marrocos já acendeu alertas, é preciso lembrar que o atual formato da Copa classifica os dois primeiros de cada grupo e os oito melhores terceiros colocados. Tecnicamente, passar de fase é provável. Mas o desempenho visto em Nova Jersey sugere que a seleção pode sobreviver ao grupo sem merecimento.
Escócia e Haiti, os próximos adversários nos dias 19 (Filadélfia) e 24 (Miami), não são potências, mas assistiram a uma seleção brasileira frágil, mal organizada taticamente e dependente de uma jogada individual para não sair derrotada na estreia. Se Marrocos criou tantas dificuldades, o que fará uma Holanda nas oitavas, caso o Brasil
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