Governador em exercício planeja reduzir 37% das secretarias do Rio de Janeiro

Ricardo Couto anuncia reforma administrativa que reduzirá pastas de 35 para 22 ou 23 e promete avanços estruturais

Governador em exercício planeja reduzir 37% das secretarias do Rio de Janeiro

O desembargador Ricardo Couto, governador em exercício do Rio de Janeiro, anunciou que um dos próximos passos de sua gestão será reduzir significativamente o número de secretarias do estado. Atualmente, a administração conta com 35 pastas, mas a intenção é diminuir esse total para 22 ou 23, o que representa uma redução de aproximadamente 37%. O planejamento foi apresentado durante entrevista ao jornal O Globo, consolidando uma estratégia de enxugamento da máquina pública que já vinha sendo executada desde que Couto assumiu o Palácio Guanabara em março de 2026.

A reforma administrativa faz parte de um projeto mais amplo de reorganização do governo estadual, que inclui cortes de despesas e eliminação de cargos comissionados. Couto estimou que ainda terá cerca de 60 dias no cargo pela frente, período que pretende utilizar para implementar mudanças estruturais que deixem o estado com "avanços estruturais, para que, amanhã, não haja um retrocesso".

A estratégia de redução de pastas

Questionado sobre quais secretarias seriam extintas, Couto preferiu não divulgar especificamente quais serão encerradas, argumentando que algumas pastas são vinculadas a deputados estaduais. "Sabemos que algumas secretarias são vinculadas a deputados. Então, se eu divulgar agora uma ou outra pasta, amanhã eu posso sofrer uma pressão de um ou outro deputado e trazer um desgaste político", explicou o governador em exercício.

A cautela de Couto reflete a complexidade política de uma reforma administrativa em um estado onde as secretarias funcionam como moeda de troca política. Historicamente, as pastas são distribuídas entre deputados e seus aliados como forma de manter coalizões legislativas. Reduzir o número de secretarias significa eliminar espaços de poder e influência, o que naturalmente gera resistência política.

Exonerações em massa e reestruturação

Desde que assumiu o cargo em março, Couto já exonerou quase 4 mil funcionários em cargos comissionados no governo do Rio de Janeiro. Essa onda de demissões faz parte de uma estratégia mais ampla de limpeza da máquina pública, que inclui a investigação de irregularidades e a eliminação de cargos considerados desnecessários.

A reestruturação também envolveu a extinção de três subsecretarias, resultando na eliminação de 383 cargos ligados às unidades extintas. Essas medidas evidenciam que Couto está utilizando seu tempo como governador interino para implementar mudanças que seriam politicamente custosas para um governador eleito, que precisaria manter alianças legislativas para governar.

Cortes orçamentários e austeridade fiscal

Além da redução de secretarias, Couto anunciou um corte de R$ 5 bilhões nas despesas do governo estadual. Essa meta ambiciosa de austeridade fiscal reflete a preocupação com as contas públicas do Rio de Janeiro, que historicamente enfrentam dificuldades orçamentárias. O governador em exercício tem apresentado essas medidas como necessárias para garantir a sustentabilidade financeira do estado.

Em seu primeiro discurso como governador, dirigido a empresários, Couto negou pretensões políticas e estabeleceu metas ambiciosas para as contas públicas. Sua abordagem pragmática e focada em eficiência administrativa tem recebido apoio de setores que veem na redução de gastos uma solução para os problemas fiscais do estado.

A questão da legitimidade política

A atuação de Couto como governador interino levanta questões sobre a legitimidade política de suas ações. Como desembargador e presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Couto não foi eleito para o cargo de governador. Sua permanência no Palácio Guanabara depende de decisão do Supremo Tribunal Federal, que manteve sua nomeação após a renúncia de Cláudio Castro.

Couto afirmou que o STF optou pela "segurança" ao mantê-lo no cargo, sugerindo que a continuidade administrativa era preferível à incerteza de uma transição. Essa interpretação, porém, é contestada por setores que argumentam que um governador interino não deveria implementar mudanças estruturais que afetam permanentemente a administração pública.

Continuidade versus mudança

O desembargador enfatiza que seu objetivo é dar continuidade ao trabalho pelos próximos dias, para garantir uma gestão adequada. "Dentro desta visão, provavelmente nós teremos agora a etapa de redução das secretarias, dentro de um projeto que fizemos, com 22 ou 23 (hoje são 35), atendendo às necessidades do estado", afirmou Couto ao jornal O Globo.

Essa abordagem reflete uma tensão fundamental na política brasileira: até que ponto um governador interino pode implementar mudanças estruturais? Para Couto, a resposta é que essas mudanças são necessárias para deixar o estado em melhor situação. Para críticos, elas representam uma apropriação indevida do poder executivo por alguém que não foi eleito.

Impacto na administração pública

A redução de 37% das secretarias terá impacto significativo na administração pública estadual. Além dos cargos já eliminados, novas exonerações serão necessárias para adequar a estrutura administrativa ao novo número de pastas. Servidores públicos e funcionários comissionados enfrentarão incerteza sobre seus postos de trabalho.

A reforma também afetará a distribuição de poder político no estado. Deputados que atualmente controlam secretarias perderão esses espaços de influência, o que pode gerar resistência legislativa. Couto, porém, parece disposto a enfrentar essa resistência, argumentando que a eficiência administrativa é mais importante que considerações políticas imediatas.

Perspectivas para o futuro

A redução de secretarias é parte de um projeto mais amplo de modernização da administração pública estadual. Couto tem apresentado essas medidas como necessárias para que o Rio de Janeiro consiga competir economicamente com outros estados e atrair investimentos. A austeridade fiscal e a eficiência administrativa são apresentadas como pré-requisitos para o desenvolvimento econômico.

O desembargador ainda tem cerca de 60 dias no cargo, período que pretende utilizar para consolidar essas mudanças. Sua permanência no Palácio Guanabara, porém, depende de decisões do Supremo Tribunal Federal, que pode a qualquer momento determinar a realização de eleições para o cargo de governador. Até lá, Couto continuará implementando sua agenda de reforma administrativa.

Quem é Ricardo Couto

Ricardo Couto é desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e presidente licenciado dessa corte. Nascido em 1964, Couto construiu carreira na magistratura antes de assumir a presidência do TJRJ em fevereiro de 2025. Sua trajetória é marcada por atuação na área jurídica e administrativa, sem experiência prévia em cargos eletivos.

Couto assumiu o cargo de governador em exercício do Rio de Janeiro em 23 de março de 2026, após a renúncia de Cláudio Castro. Desde então, tem implementado uma agenda agressiva de reforma administrativa, incluindo exonerações em massa, cortes orçamentários e redução de estruturas administrativas. Sua abordagem pragmática e focada em eficiência tem gerado tanto apoio quanto críticas.

Como governador interino, Couto tem se apresentado como um gestor sem pretensões políticas, focado em deixar o estado em melhor situação para seu sucessor. Sua permanência no cargo depende de decisão do Supremo Tribunal Federal, que até agora manteve sua nomeação. Couto é reconhecido por sua atuação em defesa da austeridade fiscal e da modernização da administração pública estadual, mesmo que essas medidas gerem resistência política.

Fontes

O Globo - Governador em exercício, Ricardo Couto planeja reduzir secretarias

NC News - Novo governador do RJ, Ricardo Couto corta 4 mil cargos e redesenha poder no Rio

Brasil 247 - Ricardo Couto prevê corte de R$ 5 bilhões e redução de secretarias no governo do Rio

Veja - O que Ricardo Couto disse a empresários em seu primeiro discurso como governador do Rio

Valor Econômico - Ricardo Couto diz que STF optou pela estabilidade ao mantê-lo no cargo

Manchete Rio - Ricardo Couto corta 383 cargos e extingue três subsecretarias

Wikipédia - Ricardo Couto

 

Por Ultima Hora em 10/07/2026
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